A importância da conscientização vegetariana de razões ambientais e de saúde para o crescimento do veganismo

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Falar do impacto da exploração animal para consumo no meio ambiente e na saúde humana é um atalho para muitos que relutam em entender e aceitar os Direitos Animais

Existe uma polêmica entre os veganos, quando o assunto é conscientização: é válido ou contraproducente para a causa vegana divulgar razões ambientais e de saúde, para atrair pessoas para o vegetarianismo (definido aqui como alimentação sem nenhum componente animal) e induzir que caminhem para o veganismo? Neste texto, eu defendo a validade desse tipo de divulgação, quando o propósito é cavar atalhos para a veganização de muitos indivíduos.

Meu ponto de vista é que muitos dos que propagandeiam os impactos ambientais da pecuária, pesca e aquicultura e os malefícios dos produtos animais à saúde humana vislumbram de fato, como fim, a expansão da consciência popular pelos Direitos Animais. Sua estratégia – que às vezes também é adotada pelo Veganagente – visa chamar para a adesão ao vegetarianismo aquelas pessoas que hoje resistem à ética animal e fazem pouco caso dela.

Uma pessoa que já se tornou vegetariana por motivos de saúde ou preocupação ambiental é muito mais fácil de ser educada e conscientizada para o veganismo, devidamente sustentado pela ética do abolicionismo animal, do que uma que ainda é aficionada por carnes e/ou laticínios. A primeira já não tem mais nenhum elo emocional e sensorial com os alimentos de origem animal, enquanto a última tem elos bastante fortes.

É trabalhoso o indivíduo abrir mão dos prazeres de paladar – ainda mais quando deixa escapar que consumir carne e queijo é uma das únicas alegrias de sua vida – para assimilar uma corrente ética que ainda lhe é nova, estranha e de compreensão relativamente difícil. Esse apego e o estranhamento acabam atuando como uma resistência forte que faz a pessoa rejeitar, a princípio, a adesão ao veganismo.

É mais fácil aquela pessoa, que inicialmente não entende os princípios dos Direitos Animais, se tornar consciente de que comer carne, laticínios, ovos e produtos apícolas faz mal para a saúde e o meio ambiente do que entender a ética animal sem grande relutância. Afinal, defender a Natureza e preservar a saúde são demandas que ela entende muito bem já hoje. E ela provavelmente tem ou terá muito medo de um distópico futuro individual, no qual a qualidade de vida ficará degradada por doenças crônicas e pela devastação ambiental e as chances de morte sofrida serão bem mais acentuadas do que hoje.

Com isso, a conscientização ambiental e salutar muitas vezes acaba sendo mais forte do que a ética animal em demolir o muro do apego psicológico a carnes e laticínios, no caso de muita gente por aí. E livre dessa resistência graças a um vegetarianismo saudável, saboroso e ambientalmente consciente, a pessoa não terá mais nada a “perder”. Assim se torna muito mais suscetível a procurar compreender o abolicionismo animal, sem grande relutância, e aderir ao veganismo.

Portanto, conscientizá-la para o veganismo com o auxílio da denúncia pró-vegetariana dos impactos ambientais e patológicos dos produtos de origem animal pode funcionar melhor, em muitos casos, do que falar exclusivamente de veganismo pelos Direitos Animais.

E além disso, unir o animalismo com o ambientalismo e a empatia pelo bem-estar de outros seres humanos eleva a ética animal a um novo nível de coerência e completude. Afinal, fazendo essa ligação tríplice, estamos defendendo não apenas os animais não humanos explorados pelos humanos, mas também os animais que vivem nos ecossistemas ameaçados pelas atividades de exploração animal, os seres humanos que habitam esses meios e também os humanos que aceitam ou querem ter sua saúde salva ou preservada mediante orientação alheia.

Fica claro, assim, que não é errado ou inadequado promover conscientização animalista tendo a preocupação com o meio ambiente e a saúde como ajudante. Pelo contrário, faz a luta pelos Direitos Animais se interseccionar com mais força com o ambientalismo e os Direitos Humanos e as três lutas se tornarem muito mais potentes e terem bem mais chances de tornar este mundo um lugar melhor para os animais humanos e não humanos viverem. E trará um número ainda maior de pessoas para o veganismo do que se fôssemos falar apenas dos animais não humanos.

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Robson Fernando de Souza

Autor dos blogs Consciencia.blog.br e Veganagente e do livro Veganismo: as muitas razões para uma vida mais ética. Formado em Licenciatura em Ciências Sociais (UFPE, 2016) e Tecnologia em Gestão Ambiental (IFPE, 2008). Adora Sociologia, meio ambiente, Direitos Animais & Veganismo e autoajuda.
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