Morrissey, alguém que definitivamente não sabe defender os animais não humanos, nem respeitar seres humanos
Morrissey, alguém que definitivamente não sabe defender os animais não humanos, nem respeitar seres humanos

Editado em 11/06/2016 às 09h08, com links alternativos para o Gawker caso o site encerre as atividades por falência

O cantor Morrissey, ex-vocalista da banda dos anos 80 The Smiths, é hoje mais conhecido por não tolerar o consumo (especificamente) de carne entre os envolvidos com a produção dos seus shows. Mas, a cada notícia envolvendo o nome dele, percebemos que o “Moz” está se esforçando para ser conhecido por outro atributo: o de artilheiro de gols contra no quesito “ética animal e humana”.

Em primeiro lugar, ele não lembra em nada um bom defensor dos animais. Tem ficado muito evidente, a cada notícia sobre o ex-Smith, que sua postura em relação aos onívoros não é de educar, conscientizar, mostrar os porquês éticos de não se consumir nenhum produto de origem animal. Mas sim de ser um intolerante e impositor, que proíbe os organizadores de seus shows e mesmo seus fãs de consumir carne sem, aparentemente, aprofundá-los na questão dos Direitos Animais.

Uma postura comum dele nesse sentido é de proibir terminantemente o consumo de carne em seus shows, tanto pelos seus fãs como pelos funcionários das casas de espetáculos onde ele pretende se apresentar. A postura não é nada conscientizadora, uma vez que as pessoas são simplesmente proibidas de comer carne, e não ensinadas e induzidas à conscientização sobre por que não consumir produtos animais.

Ressalto inclusive que, até o momento, não vi em nenhuma notícia sobre o cantor se ele faz discursos em defesa dos animais no palco antes de cantar e tocar, fora a letra da música Meat is murder (“Carne é assassinato”) e os vídeos bem-estaristas que passam enquanto ele a canta.

Com isso, muita gente não introduzida ao veganismo não entende que é por (um duvidoso) “respeito” da parte dele aos animais. Tende a acreditar, ao invés, que é simplesmente mais um capricho de popstar com complexos de estrelismo e excentricidade. E acaba “confirmando” a crença antivegana de que vegetarianos e vegans são pessoas que “odeiam quem come carne” e “impõem seu estilo de vida a quem discorda deles”.

E nessa postura estrategicamente tola, Morrissey abre a brecha para que “trolls” zoeiros propositalmente levem carne escondida para comer ou oferecer ao cantor durante o show e assim consigam fazê-lo cancelar seu show e frustrar todo mundo. Com isso o tiro dele vai sair pela culatra, e no final das contas nenhuma mensagem de ética animal é passada.

Outro gol contra de placa dado pelo ex-Smith em sua repulsa por carne é que ele não repudia o consumo de laticínios, ovos, mel e outros produtos animais. Nada em seu contrato para os shows, pelo menos no caso do Brasil, proíbe também a comercialização e consumo de alimentos que contenham um ou mais desses ingredientes sujos durante as apresentações dele. Tanto é que, como revelou o Vista-se, nos locais de show em São Paulo haverá food truck vendendo sanduíches com queijo animal e doces com leite de vaca, e essa mesma cantina móvel é responsável pela alimentação de Morrissey e equipe.

Ou seja, Morrissey continua não vendo “nada de mais” no consumo de alimentos de origem animal fora a carne, mesmo que produzi-los gere ainda mais exploração e sofrimento do que a própria produção de carnes. Em outras palavras, ele age com uma formidável hipocrisia, e seria ele mesmo alvo preferencial de vegans tão intolerantes e desconhecedores da arte da conscientização quanto ele. Seria apedrejado, metaforicamente falando, por causa dessa “ética” alimentar seletiva.

Fica evidenciado, a partir daí, que o problema dele com a presença de carne em seus shows está mais para ódio pessoal a esse tipo de alimento, acompanhado do gosto de ter o poder de impor regras autoritárias a outrem, do que respeito legítimo pelos animais não humanos. Pelo menos é essa a impressão que ele passa, e que ele nunca tentou desmentir.

Nessa tendência de não ver nada de absurdo no consumo da maioria dos alimentos de origem animal, o vocalista também se recusa a assumir com veemência o veganismo e defendê-lo. A matéria do Vista-se citada mais acima denuncia que, depois de dez anos sem dar entrevistas frente a frente, ele aceitou ser entrevistado por Larry King em agosto deste ano. Nessa entrevista, ele deu nada mais do que provas inconclusivas de ter supostamente aderido ao veganismo, ou ao vegetarianismo estrito.

E ainda perdeu a oportunidade de defender o veganismo nesse papo. Também não rebateu a crença antivegana, manifestada por King, de que os seres humanos são animais “carnívoros”. Preferiu, ao invés, acusar o hábito de consumo vegano de ser “purista”, num monumental descaso pelos animais que contradiz sua obsessão pelo banimento das carnes em seus shows.

O agravante disso é que ele não come carne há mais de trinta anos. E apesar disso, jamais parou – pelo menos até pouco tempo atrás, caso as suspeitas de que ele tenha aderido ao veganismo sejam verdadeiras – para pensar que continuava tendo um hábito de consumo muito cruel para com incontáveis animais não humanos, como vacas “leiteiras”, galinhas “poedeiras”, bezerros, pintinhos e abelhas.

E além de provavelmente continuar sendo um mero e insistente protovegetariano e ser avesso à conscientização pelos Direitos Animais e pelo veganismo, vale lembrar que ele também é um ser humano repulsivo para com outros seres humanos. Em diversas ocasiões, ele mostrou ser um homem cheio de ódio tanto contra pessoas que ainda comem carne como contra mulheres e o povo chinês.

O “Moz” já deu declarações racistas e xenofóbicas contra chineses, como uma em 2010, quando os chamou de “subespécie”. E também se pronunciou lamentavelmente contra a imigração na Inglaterra, ao criticar o suposto desaparecimento do sotaque britânico em algumas cidades inglesas e lamentar que os “portões” do seu país estejam “inundados” de imigrantes e “qualquer pessoa [possa] ter acesso à Inglaterra e estabelecer-se”. Ambas as falas foram registradas pelo site Gawker, em matéria de setembro de 2010 (link alternativo).

Ele também já deu pronunciamentos misóginos, como quando insultou a jornalista Julie Burchill e uma fã, descrevendo-as de maneira cheia de ódio, segundo denúncia também do Gawker (link alternativo) sobre sua autobiografia, em 2013. E, do alto de sua misantropia, declarou sem pudor em 2011 que o massacre de 77 pessoas na Noruega por um terrorista de extrema-direita “não foi nada comparado ao que acontece no McDonald’s e na Kentucky Fried Shit (corruptela de Kentucky Fried Chicken) todo dia”.

Com tanto ódio no coração e tão pouca noção de veganismo e conscientização ética na mente, pode-se dizer que Morrissey promove desserviços um atrás do outro à causa animal e aos princípios éticos dos Direitos Animais. Ou melhor, é possível dizer que ele sequer pertence ao movimento defensor a libertação animal, por ser um bem-estarista sem simpatia pelo veganismo. E é um péssimo exemplo de pessoa, odiador convicto de bilhões de outros seres humanos. Se há algum cantor que contribui para o avanço dos Direitos Animais no mundo, esse alguém não é o “Moz”. Ele só tem trazido malefícios à bandeira da ética animal.

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