Sabonete Phebo, livre de ingredientes animais
Edit: Parte da empresa Granado foi vendida para uma empresa que testa em animais. Isso instaurou uma polêmica sobre se o Phebo pode ou não ser considerado vegano. Mas, via de regra, em muitas cidades não há alternativa industrializada indubitavelmente vegana de sabonete ao Phebo, portanto não tenho uma posição sobre essa marca.

Uma preocupação muito comum em pessoas ou interessadas em conhecer o veganismo, ou já em processo de transição ao mesmo, é a possibilidade de um aumento acima do aceitável no orçamento doméstico por causa da possibilidade de adoção de alternativas veganas mais caras do que os produtos com ingredientes de origem animal e/ou testados em animais. Aliás, é preocupante a chance de que as despesas tenham um aumento que seja, mesmo baixo. Fica a dúvida que angustia a muitos: o que fazer para evitar esse acréscimo orçamentário e fazer o consumo vegano não ter um impacto negativo no bolso?

Vale dizer, a princípio, que as dicas que dou aqui podem não se aplicar em alguns casos específicos. Tento ajudar o máximo possível de pessoas, mas tenho a consciência de que as chances de beneficiar 100% dos futuros vegans de baixa renda são remotas.

Há pelo menos três grandes preocupações nesse sentido de aumentar gastos: o orçamento alimentício, com a compra de substitutos gastronômicos e nutricionais; a busca de marcas alternativas que sejam localmente vendidas e a ocasional necessidade de recorrer à produção caseira para suprir lacunas de oferta no mercado local.

Em relação à alimentação, é necessário ter em mente que os substitutos gastronômicos diretos, como pizzas, hambúrgueres, salsichas, linguiças e bifes, não são obrigatórios na nutrição humana, e o melhor, podem ser feitos em casa com ingredientes baratos e de fácil acesso. Por exemplo, há a possibilidade de fazer pizza vegana caseira, hambúrguer vegetal e salsicha artesanal com facilidade.

Ou seja, o acréscimo orçamentário com guloseimas desse tipo, seja com substitutos industrializados ou com caseiros, só ocorrerá pela vontade da pessoa e se ela não tinha antes o costume de comer lanches não veganos do gênero fora de casa regularmente. E sempre haverá, aliás, a possibilidade de experimentar alternativas, como trocar o X-Tudo por uma tapioca de coco e banana.

Já as compras feitas na feira ou no supermercado tendem a diminuir de preço, não a aumentar, quando se elimina os alimentos de origem animal. Caso a pessoa aumente a diversidade de vegetais a serem consumidos após o abandono das carnes, laticínios, ovos e produtos apícolas, as plantas substitutas, se compradas na feira livre, no mercado ou no supermercado local de pequeno ou médio porte, tenderão a custar menos que os produtos animais. A não ser que a pessoa opte por comprar, por exemplo, grãos e cereais caros, como a chia, a quinoa e o feijão vermelho.

E mesmo no caso dos produtos não alimentícios, não há diferenças de componentes que tornem as alternativas veganas essencialmente mais caras – ou muito mais dispendiosas – do que as marcas não veganas. A maioria dos produtos precisará ter o rótulo lido e a reputação da fabricante – se testa em animais ou patrocina outra forma de exploração animal – consultada na internet, por não informar expressamente a ausência de testes em animais e ingredientes de origem animal. Mas mantém ingredientes baratos, como é o caso de xampus e condicionadores como algumas variedades do Skala, cremes de cabelo como o Yamasterol, detergentes como o Ypê e pastas dentais como a Contente.

No caso do sabonete Phebo, o único sabonete vegano (fora o sabão de coco) largamente disponível na maioria das cidades brasileiras, há o fato de que ser baseado em glicerina vegetal o torna um pouco mais caro, mas não muito, do que os sabonetes feitos com glicerina animal e/ou gordura bovina. O que se pode fazer nesse caso para diminuir o gasto com sabonete, em cidades de grande porte, é comprar pacotes de Phebo em supermercados que vendem ao atacado: será possível encontrá-los por um preço razoável, cujo impacto no orçamento não será grande e também será amortecido pela diminuição das despesas com alimentos. E geralmente há como alternativa o sabão de coco, que costuma vir sem ingredientes de origem animal e de pequenas empresas locais que não fazem testes em animais.

Caso não sejam encontradas marcas veganas locais de um ou mais produtos, será preciso fazer artesanalmente, se a pessoa puder dispor de tempo para essa confecção. Mas na maioria das ocasiões é possível encontrar receitas e ingredientes com pouca dificuldade, como para fazer creme dental artesanal.

Além disso, tendências como o no-poo (manter o cabelo saudável sem o uso de xampus e condicionadores, usando ao invés alternativas como bicarbonato de sódio e vinagre de maçã) e mudanças de hábito, como substituir parte das lavagens do chão da casa por varrições e passadas de pano úmido, podem fazer a pessoa se beneficiar do não uso ou do uso menos frequente de alguns gêneros de produtos industrializados.

Com os devidos cuidados, é possível adotar o veganismo mesmo quando se é de baixa renda, sem que haja impactos negativos (ou pelo menos sem que ocorra um aumento substancial) no orçamento doméstico e no tempo “livre” (fora do expediente de trabalho, da viagem de ida e volta e das tarefas domésticas atuais). Caso você ainda tenha algum ceticismo quanto a isso, experimente, digamos, uma semana, quinzena ou mês de compras e hábitos veganos, e calcule se as despesas aumentaram muito, pouco ou nada ou mesmo diminuíram. Os animais agradecem por sua disposição de conhecer e experimentar o veganismo.

4 comments

  1. Olá, Robson, só uma correção: a marca Yamasterol infelizmente não pode mais ser considerada vegan friendly, pois no grupo “Low / No Poo Vegano” há diversos relatos de respostas muito inconsistentes do SAC da marca, eles enrolam e mentem sobre os ingredientes.

  2. Os animais e a natureza em geral agradecem, não é mesmo? A difícil realidade é que somos impulsionados por um modelo de consumo louco, e dentro disso o atual modelo de agricultura brasileiro tem exercido um papel destruidor no equilíbrio do desenvolvimento agroecológico, com a monocultura e esse monte de venenos. :(
    Ainda estou em transição, me adaptando e aprendendo sobre como diminuir estes impactos, pensando primordialmente na economia de água e no que deixo pro nosso planeta. Obrigada por compartilhar seus conhecimentos… e a revolução vegana está chegando! Na Alemanha o veganismo cresceu por esses anos 800%!! Quem sabe um dia começaremos todos a respeitar o planeta que forneceu as condições para a nossa existência e o veganismo terá um grande papel nessa transformação.

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