Go vegan! Se você abandonou o veganismo, reconsidere e volte!

Você já pensou em abandonar o veganismo? Ou mesmo já abandonou?

Se sua resposta a uma dessas perguntas é sim, quero convidar você, neste artigo, a reconsiderar esse pensamento, e saber por que continuar ou voltar a ser vegan será a melhor decisão que você terá tomado em muitos anos.

Aqui eu respondo a dez razões comumente alegadas por ex-vegans para largar esse modo de vida a despeito de seus potenciais benefícios para o próprio indivíduo, os animais e o meio ambiente.

Você está aberto à possibilidade de repensar a saída do veganismo? Então venha comigo.

Respondendo a 10 motivos alegados para deixar o veganismo

Vegan: pelos animais, pelo planeta, por nós mesmos! E porque é a coisa certa a se fazer
Vegan: pelos animais, pelo planeta, por nós mesmos! E porque é a coisa certa a se fazer

1. “Porque um antivegano me convenceu de que [insira um argumento contrário ao veganismo aqui].”

Se você acreditou num argumento antivegano “matador”, quero lhe revelar que muito provavelmente ele já foi refutado por algum vegano. Cada argumento existente do tipo tem, ou passará a ter a qualquer momento, uma resposta vegana ainda mais “matadora”.

Confira no Guia organizado de falácias antiveganas, se o argumento que o antivegano em questão usou para tirar você do caminho vegano foi apontado como falacioso e inválido.

Caso não encontre o argumento dele na lista – que abrange incríveis mais de 250 argumentos antiveganos -, deixe aqui nos comentários, que responderei com prazer e muito respeito.

2. “Porque eu li que a ‘dieta vegana’ pode trazer sérios problemas de saúde.”

Tenho o prazer de lhe revelar que essa crença já está datada. Afinal, há anos diversas entidades nacionais de saúde apoiam dietas vegetarianas, livres de componentes de origem animal, como sendo saudáveis e adaptáveis para todos os fenótipos humanos e faixas etárias.

O Ministério da Saúde brasileiro (leia na página 84), o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, a Associação de Dietéticos do Canadá, o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido, a Associação Dietética da Austrália, a já famosa Academia de Nutrição e Dietética dos EUA, entre muitas outras instituições, apoiam que a alimentação vegetariana livre de componentes animais é universalmente saudável.

Em casos de intolerância e/ou alergia a determinados tipos de alimentos, não será difícil para o nutricionista competente compor uma dieta adaptada e apropriada – com suplementos, quando necessário.

Além do mais, geralmente as alegações de que “a dieta vegana (sic) pode fazer mal à saúde” são apoiadas em bases muito frágeis, como apelos à autoridade, informações desprovidas de fontes e estudos manipulados, tal como qualquer fake news por aí.

3. “Porque eu contraí deficiência de nutrientes.”

Geralmente um vegano ou vegetariano contrai deficiência de nutrientes porque aderiu à alimentação ética sem nenhum planejamento e de maneira imprudente. Por exemplo, muito provavelmente substituiu a carne e os laticínios por uma quantidade imoderada de carboidratos e frituras.

Em todo caso, recomendo a você que procure um nutricionista que atenda e respeite vegans e vegetarianos. Ele saberá indicar como você poderá remediar essa deficiência, por meio de reposição, eventual suplementação (caso seja necessário para seu caso específico) e modificação da sua alimentação. E então você poderá ser uma pessoa vegetariana saudável.

Outra solução possível é ser guiado por cursos de alimentação saudável, como o Curso Coma Bem: Alimentação Saudável na Prática [link afiliado]. Cursos do tipo lhe darão o mapa da mina para passar a ter uma alimentação regrada, saudável e altamente nutritiva.

4. “Porque eu comecei a me sentir mal, e voltar a consumir carne/leite/queijo me fez voltar a ficar bem de saúde.”

Nesse caso, muito provavelmente você tinha alguma deficiência de nutrientes que o retorno à alimentação onívora diminuiu ou deu a sensação de melhoria.

Aqui eu reitero o que falei em resposta à alegação nº 3: procure um nutricionista que atenda vegans e vegetarianos, ou faça um curso confiável de alimentação saudável.

5. “Porque o melhor caminho é o do meio. No caso da preocupação com os animais, é adquirir alimentos de fazendas e granjas adeptas do bem-estar animal.”

Se você acreditou no argumento do “caminho do meio”, então quero convidar você a descobrir o que o “bem-estar animal” reserva de verdade para os animais. E você descobrirá que o bem-estarismo não traz nenhum equilíbrio, mas sim desequilibra a balança para o lado do especismo e da violência contra os animais.

O fato é que não existe um “caminho do meio” possível que concilie especismo e Direitos Animais. Ou o animal é explorado, submetido à propriedade dos humanos, ou é livre. Não existe “meia liberdade” ou “meia exploração”.

Portanto, você está convidado a escolher de que lado ficará nessa questão – no da exploração animal ou no da libertação dos animais.

"Eu nunca vou conseguir me tornar vegano." Disse quase todo vegano, antes de se tornar vegano
“Eu nunca vou conseguir me tornar vegano.” Disse quase todo vegano, antes de se tornar vegano

6. “Porque meus pais me coagiram a voltar a consumir alimentos de origem animal.”

É bem difícil quando são nossos pais que nos coagem a desistir de um modo de vida consciente, né verdade? Nesse caso, há duas opções para você.

Uma é, quando eles estiverem “de boa”, você lhes mostrar por que o veganismo faz sentido. Use livros sobre o tema, documentários e artigos essenciais para convencê-los de que o modo de vida vegano inspira respeito e deve ser tolerado e conciliado com os preceitos morais deles de educar você e seu(s) irmã(o)(s).

A outra opção é algo mais a longo prazo, caso eles realmente não aceitem que você seja vegano enquanto depender financeiramente deles: aguarde até a maioridade para começar a trabalhar e, com seu próprio dinheiro, adquirir seus produtos veganos.

7. “Porque ser vegano é caro demais para o meu orçamento.”

Se você tirou essa conclusão, foi, via de regra, porque deixou de tomar alguns cuidados. Provavelmente gastou muito em eventos veganos e imitações vegetarianas de alimentos de origem animal (como carnes processadas e queijos) e deixou de priorizar alimentos naturais que você poderia comprar na feira ou com facilidade no supermercado – frutas, verduras, grãos, leguminosas, cereais, sementes e óleos vegetais.

Eu lhe aconselho então: tome o cuidado de comprar vegetais da feira e do supermercado, e então você economizará ainda mais do que se voltar a comprar carnes, queijos, leite etc. Faça leites vegetais com sementes em casa, ao invés de comprá-los industrializados em lojas de produtos naturais. Evite ao máximo imitações veganas industrializadas de produtos animais que tenham preços imoderados – prefira fazer versões caseiras. Modere seus gastos com eventos veganos.

Tome esses e outros cuidados e então você até mesmo economizará sendo vegan, em comparação com compras não veganas.

Dica: Saiba mais como economizar sendo vegan lendo o último capítulo do meu livro ‘Direitos Animais e veganismo: consciência com esperança’.

8. “Porque o nutricionista me mandou voltar a consumir produtos animais.”

Infelizmente ainda existem muitos nutricionistas desinformados e preconceituosos, que não admitem que o veganismo pode sim ser saudável para pessoas de todas as idades. Mas, por outro lado, são cada vez mais numerosos aqueles que já entendem de alimentação vegetariana e respeitam seus pacientes veganos e vegetarianos.

Assim sendo, deixe de ir a esse nutricionista preconceituoso que coagiu você a voltar a consumir produtos animais, e procure um que atenda vegans e vegetarianos. Você notará a incrível diferença de tratamento, e enfim saberá como ter uma alimentação saudável sem precisar colocar nada de origem animal na boca.

9. ”Porque eu refleti e cheguei à conclusão de que a libertação animal é uma utopia que nunca vai ser alcançada.”

Muitos de nós têm aquele momento de desânimo com as perspectivas da luta pelos Direitos Animais. Parece que a luta não vai dar certo, que o especismo é tão enraizado nas culturas humanas que nunca vai deixar de existir, que o veganismo vai encontrar obstáculos intransponíveis para se universalizar…

Em momentos assim é difícil pensar outra coisa, mas eu peço a você: mantenha a esperança. Se estamos num mau momento da defesa dos Direitos Animais, é uma fase, uma época de reconsiderar estratégias e redefinir planos, de modo a conseguirmos a sonhada libertação animal.

Além disso, pense: a abolição do especismo só será possível justamente se os ex-veganos voltarem a adotar esse modo de vida. Desistir do veganismo por achar que ele é “utópico demais” acaba sendo uma profecia autorrealizada, uma vez que é o patrocínio de atividades especistas, como a pecuária, a pesca e os rodeios, que mantém a exploração animal viva e proporciona que os animais não sejam livres.

E, finalmente, dê tempo ao tempo. Confie nos defensores dos Direitos Animais. É graças a eles que o veganismo tem crescido muito ao redor do mundo, para muito além de ser uma mera moda passageira. A substituição de carnes e leites por produtos vegetais no mercado, para termos o exemplo mais notável no momento, é uma tendência global.

10. “Porque eu era muito zoado por meus colegas quando era vegano, sofri até bullying por causa disso.”

É muito duro quando somos forçados a abrir mão de escolhas éticas por causa da intolerância alheia. Isso inclui bullying antivegano e a coação, por parte de colegas babacas, para que você volte a consumir produtos animais e obedeça à vontade deles.

Se você tem tido problemas com isso, recomendo enfaticamente que converse com dois tipos de pessoas que podem te ajudar fundamentalmente a continuar no caminho do veganismo: psicólogos e veganos veteranos.

Com essas pessoas, você aprenderá como driblar gente intolerante, se defender do bullying, denunciar bullies, se empoderar como vegan, manter a resiliência, colocar sua ética acima da provocação alheia, entre outros ensinamentos muito importantes.

Eu mesmo estou à disposição para ouvir você. Se deseja conversar com um vegano para saber como superar esse tipo de obstáculo, mande um e-mail para veganagente@gmail.com.

Bônus: “Porque eu perdi a esperança no movimento vegano. Ele abandonou a natureza abolicionista e ativista para se tornar apenas um movimento de consumo consciente lucrativo.”

Algumas pessoas têm ficado pouco esperançosas em relação ao movimento vegano, por sua tendência atual de se dissociar do ativismo abolicionista e se tornar mais um movimento de “consumo consciente” passivo e individualista.

Diante desse tipo de desesperança, eu quero lhe dizer: não desista. Essa é uma fase de reavaliação de estratégias, e não tardará para que o abolicionismo animal volte a divulgar o veganismo plenamente, por meio de grupos de ativismo, como fazia alguns anos atrás. Todo movimento tem uma fase de arrefecimento e uma de ressurgimento, e esse é o caso também da defesa dos Direitos Animais.

Além disso, perceba que o abolicionismo animal não deu lugar totalmente ao consumismo vegano: continuamos tendo lutas contra a exportação de animais vivos no Brasil e em outros países, contra rodeios e farras do boi, contra a pecuária, contra as fazendas que usam e abusam da crueldade para explorar animais…

É questão de tempo para que a luta abolicionista volte a ter a enorme força que tinha há alguns anos e a formar veganos realmente abolicionistas, não apenas adeptos do consumo vegano.

Considerações finais

Frangos explorados
Eles precisam de você!

Nenhuma razão para abandonar o veganismo é forte o suficiente para não ter uma resposta vegana, uma solução, uma saída que resulte em permanecer vegan.

Este artigo lhe mostrou isso, ao responder a dez razões (mais uma de bônus) que muitos têm alegado para deixarem de ser veganos e voltarem a consumir produtos animais.

Em outras palavras, a esperança sempre existe, para qualquer situação adversa que apareça. Basta que você saiba onde encontrá-la. E se você veio a este artigo com o intuito de reencontrar essa esperança, veio ao lugar certo!

Então eu lhe aconselho: reconsidere a eventual decisão de abandonar o veganismo. Os animais e o  meio ambiente precisam de você. Você importa para o movimento vegano-abolicionista, muito mais do que hoje acredita.

Saiba como driblar cada obstáculo e, então, continue no caminho da ética. Seu próprio futuro depende disso.

2 comments

  1. Muito obrigada por esse post ??
    Li pra me preparar caso alguém venha com esses argumentos, mas tenho uma pergunta/pedido.
    Sou vegana há 3 anos, mas não sou ativista ainda. Passei por muitas coisas nesses anos, como mudar de país e, recentemente, perder minha mãe. Então isso causou em mim um medo tremendo de afastar as pessoas e ficar sem amigos. Sendo que eu me sinto muito muito mal vendo as pessoas comendo carne, postando coisas absurdas endorsando a exploração animal, fazendo piadinhas, enfim. Minha resiliência está bem prejudicada, então essas coisas são gatilhos bem ruins pra mim e acabo me isolando, de qualquer forma, pra evitá-los. O veganismo é uma parte fundamental de quem eu sou, mas eu preciso ser ativista e não to sabendo por que caminho seguir. Minha ideologia é o abolicionismo sempre, tanto de animais não-humanos quanto de humanos, claro. Você tem recomendações sobre como melhorar a comunicação com não-veganos e como praticar o ativismo de forma efetiva? Tenho assistido a vídeos da Melanie Joy e gostado muito, mas queria mais sugestões de práticas mesmo ativistas, além dessa parte fundamental da comunicação tolerante e não -violenta. Tem muita coisa passando pela minha cabeça. Entre elas, o receio de “pensamento de grupo” e bolhas improdutivas ao crescimento do veganismo. Então vou amar muito se você puder me ajudar mais ??

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