5 razões por que o antiveganismo é uma pseudociência

Tabela sobre ciência X pseudociência

No começo de setembro passado, a BBC publicou uma matéria, com muita repercussão negativa entre os veganos, que insinuava que o “tratamento” para determinados quadros de deficiência nutricional, cuja culpa foi desonestamente atribuída ao vegetarianismo, seria voltar a consumir alimentos de origem animal.

Ao respondê-la na página do Veganagente no Facebook, tive um insight sobre o quanto os argumentos antiveganos possuem muitas semelhanças com as pseudociências, que são atividades e crenças que se autorrotulam “verdades científicas” mas são desmascaradas como fraudes quando submetidas a experimentos baseados no método científico.

Assim sendo, para fortalecermos nossos debates sobre como responder aos antiveganos, convido você a conhecer cinco motivos que fazem do antiveganismo uma pseudociência por excelência, inclusive charlatã.

As cinco características pseudocientíficas do antiveganismo

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Matéria antivegana da BBC indignou veganos de diversos países por seu caráter preconceituoso e charlatão

1. Sustenta-se em distorção e manipulação de estudos científicos sérios (ou não tanto) e em experimentos que a ciência séria nunca conseguiu reproduzir e confirmar

É muito comum, em se tratando de argumentação antivegana, utilizar-se de matérias jornalísticas que afirmam que determinados estudos científicos teriam atestado que o vegetarianismo (aqui definido como alimentação livre de componentes de origem animal) seria inseguro ou mesmo nocivo para a saúde humana.

Como exemplos especialmente notórios dos últimos anos, menciono:

O que os antiveganos que os usaram como “provas de que o vegetarianismo faz mal” ignoraram é que essas pesquisas cometeram erros crassos, como considerar “vegetarianismo” a mera abstenção de carne vermelha – que seria permissível ao consumo de carne de aves e peixes, laticínios e ovos – e incluir na amostra de pessoas estudada uma porcentagem muito pequena de vegetarianos verdadeiros.

Além disso, seus divulgadores confundiram correlação estatística com relação de causa e efeito e ignoraram que mesmo esses estudos afirmam, em suas conclusões, que não há nenhuma evidência de que exista realmente uma responsabilidade causal do vegetarianismo, ou da abstenção de carnes, no aumento da probabilidade de determinadas doenças.

Outros exemplos que precisam ser trazidos são os experimentos de Cleve Backster e Jagadish Chandra Bose, que teriam “provado” que “plantas sentem dor e são inteligentes”. Nenhum dos dois teve o prazer de ter seus estudos legitimados pela ciência séria: a experiência de Backster foi refutada e a de Chandra Bose nunca foi bem-sucedidamente reproduzida por estudos científicos imparciais.

Porém, mesmo assim esses dois são defendidos como aqueles que “provaram” a “senciência vegetal” e assim viabilizaram uma fantasiosa “derrota” dos veganos.

Acompanham o fracasso dos dois o costume de alguns antiveganos de interpretarem pesquisas sobre a capacidade de plantas de reagir a estímulos químicos e físicos como se tivessem comprovado que plantas “têm sentimentos e sofrem de dor”.

Em outras palavras, o antiveganismo tenta posar de “cientificamente embasado”, mas todo esse “embasamento” nada mais se trata do que interpretações distorcidas e experiências localizadas nunca comprovadas pela ciência séria, tal como muitas outras formas de pseudociência.

 

2. Sempre que os antiveganos fazem clamores supostamente científicos, acabam vendo-os ser refutados por análises científicas e lógicas sérias

O item anterior exemplifica como todos os clamores dos antiveganos de que suas crenças são “cientificamente embasadas” são refutados por análises sérias de metodologia científica e lógica.

É de lei que, a cada argumentação “científica” vinda deles, apareça, cedo ou tarde, uma resposta cética que a desmonta completamente e a escancara como baseada em mera crendice ideológica.

Nas análises céticas veganas, são reveladas as dúzias de falácias e erros que artigos como o clássico Veganismo desmascarado cometem. No final das contas, um texto ou vídeo com todo um hype de “científico” acaba sendo reduzido a algo similar a um discurso de ódio religioso fanático.

 

3. Todas as suas tentativas de justificação e sustentação “racional” caem em falácias

É de lei: todo argumento antivegano, sem nenhuma exceção, cai em pelo menos um tipo de falácia lógico-argumentativa. Ou seja, sempre que um antivegano tenta manifestar de forma “racional” sua discordância e oposição ao veganismo, essa “razão” acaba sendo completamente desmascarada como uma crença passional e falsa.

Existem por aí centenas de artigos e vídeos que fazem toda uma explanação tentativamente racional, até mesmo “filosófica”, de que o veganismo “não faz sentido” ou “é um absurdo” e que o consumo de alimentos de origem animal “não tem” nenhum problema ético. Só que, sempre que esses materiais são respondidos, essa pose racionalista cai por terra, e seu autor se revela como aquilo que realmente é: um antivegano de crenças fundamentalistas que resiste a admitir que seus argumentos são completamente falhos.

Você pode ter uma “pequena” amostra das tantas falácias mascaradas de “argumentos racionais” do antiveganismo no Guia organizado de falácias antiveganas do Veganagente. Lá você poderá ler mais de 250 delas sendo desmascaradas.

 

4. Tenta manipular a ciência em prol de interesses político-ideológicos e econômicos, comprando opiniões (falsamente) “científicas” favoráveis ao consumo de produtos animais

A História humana é repleta de tentativas pseudocientíficas de legitimar interesses reacionários e desumanos. Como exemplos, temos o racismo “científico”, o negacionismo do Holocausto, o negacionismo das mudanças climáticas e, mais recentemente, o revisionismo histórico ultraconservador.

Integra esse grupo o antiveganismo, que busca manipular a ciência e comprar seus arautos para tentar legitimar interesses conservadores de setores como a pecuária, a indústria de alimentos de origem animal, o empresariado pesqueiro e os defensores fanáticos da ordem capitalista.

Isso se evidencia no número de profissionais e entidades nacionais de saúde que, mediante patrocínio do setor pecuarista e de corporações alimentícias, ou defendem explicitamente o consumo de alimentos de origem animal, ou se omitem perante os efeitos perniciosos desses produtos na saúde humana.

O documentário What the Health foi emblemático ao denunciar como isso acontece nos Estados Unidos. E aqui no Brasil também temos casos de palestras patrocinadas que, por exemplo, incitam o consumo de leite e nutricionistas que são convidados por corporações frigoríficas a defender a ingestão de carne como “essencial” à saúde humana.

Tenta-se fazer isso como reação às cada vez mais numerosas pesquisas que atestam o quanto é nocivo à saúde consumir alimentos de origem animal e os benefícios físicos e mentais que a alimentação vegetariana equilibrada traz. Mas no final das contas, cedo ou tarde, os argumentos dos antiveganos financiados pelos interessados na exploração animal são desmontados, e a reputação profissional deles acaba comprometida.

 

5. A proposta antivegana de “tratar” deficiências nutricionais com alimentos de origem animal é charlatã

Deixei claro, ao responder à matéria da BBC mencionada no início deste artigo, que a proposta de repor nutrientes deficitários com o simples consumo de alimentos de origem animal é pseudocientífica, charlatã e, portanto, perigosa para a saúde humana.

Isso é comprovado quando profissionais sérios enfatizam que a simples ingestão de alimentos não é nem de longe suficiente para tratar deficiências nutricionais como anemia ferropriva, carência de cálcio e deficiência de vitamina B12. Ou seja, uma pessoa que tentar curar um ou mais desses quadros só ingerindo produtos animais, sem a devida reposição medicamentosa, vai permanecer no quadro clínico desfavorável e correr até mesmo o risco de vê-lo se agravar.

Ou seja, a pregação de que é possível, por exemplo, curar anemia só comendo fígado de boi e deficiência de cálcio tomando leite é desprovida de fundamentação científica, baseada em charlatanismo e portanto nociva para a saúde da pessoa enganada.

 

Bônus: o antiveganismo é baseado, acima de qualquer outra coisa, na fé, muitas vezes fanática, do antivegano em suas crenças

Uma atitude supercomum entre antiveganos assumidos é rejeitar de maneira irracional, inclusive com ódio e intolerância, todas as refutações científicas e lógicas de seus argumentos, fincando o pé na sua já derrotada crença de que o veganismo “é ruim” e consumir animais “é ético”.

Em tantos outros casos, o antivegano insiste nos mesmos argumentos já refutados, apenas mudando algumas palavras ao repeti-los. Ou então, tenta trazer novos argumentos, também fáceis de se refutar, ou fugir do tema central do debate.

É muito raro ver um deles realmente expressando reconhecer que seus argumentos foram superados e que lhe resta agora conhecer melhor o veganismo. O orgulho e o medo de ter que abdicar de certos prazeres que marcaram toda uma vida não lhes permite reconhecer isso.

É nessas horas que percebemos o quanto, no final das contas, o antiveganismo, depois que cai sua máscara “racional”, é um mero análogo ao fanatismo religioso, é um sistema de crenças sustentado nada mais do que por uma fervorosa fé de que está certo apesar de toda evidência em contrário.

 

Considerações finais

Discurso de ódio antivegano

Trecho de artigo que promove o ódio contra vegans. Por trás da máscara “científica” de muitos textos e vídeos antiveganos, está o mais puro fanatismo

Fica claro, com todos esses pontos, que o antiveganismo é tanto uma pseudociência quanto a cientologia, a “cura pela fé”, o “design inteligente” e o negacionismo climático. E, assim sendo, merece o mesmo tratamento que eles: o descrédito e desprestígio de seus defensores.

Em contraste, o veganismo, os Direitos Animais e suas razões de existir são cada vez mais legitimados pelas mais diversas ciências, entre elas a Zoologia, a Nutrição, a Medicina e a Ciência Ambiental. Temos a ciência e a Filosofia – em especial a Ética e a Lógica – do nosso lado.

Nós vegans estamos em posição de total vantagem perante os nossos opositores. Assim sendo, aproveitemos isso e respondamos, com o devido cuidado e maturidade, a cada um de seus argumentos, dos mais antigos aos mais novos, tão logo (re)apareçam e preguem a violação da ética e dos direitos alheios.

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Robson Fernando de Souza

Autor dos blogs Consciencia.blog.br e Veganagente e do livro Veganismo: as muitas razões para uma vida mais ética. Formado em Licenciatura em Ciências Sociais (UFPE, 2016) e Tecnologia em Gestão Ambiental (IFPE, 2008). Adora Sociologia, meio ambiente, Direitos Animais & Veganismo e autoajuda.
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2 Comments on “5 razões por que o antiveganismo é uma pseudociência

  1. Mais um ótimo artigo, parabéns! Gostaria de acrescentar que o trecho de artigo que fomenta o ódio capturado como uma imagem não é nada mais que uma projeção psicológica do autor para os veganos, em específico na última frase.

    • Valeu, Danil =D E concordo totalmente que esse discurso de ódio é uma projeção do autor dele mesmo.

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