"Eles são extremistas"
“Eles são extremistas”

Pelo contrário, o extremismo está em considerar animais não humanos seres inferiores que merecem morrer

Muitos não veganos afirmam categoricamente: “O veganismo é muito radical!”, conceituando “radical” como algo “extremista”, que vai “longe demais”, fora dos limites da moderação e do bom senso. A quem diz isso, eu gostaria de esclarecer: não há nada de absurdamente radical, no sentido de extremo, nas práticas e convicções éticas veganas.

O veganismo como ele é

Vale, a princípio, definir o veganismo: é um conjunto de práticas, abrangendo basicamente a seletividade no consumo e o boicote a entretenimentos e demais atividades que usam animais, que tem como finalidades colaborar com a abolição da exploração dos animais não humanos e o reconhecimento dos mesmos como merecedores de direitos fundamentais.

Entre suas práticas, inclui-se:
– evitar todo e qualquer produto, alimentício ou não, com ingredientes de origem animal;
– boicotar, na medida do possível, empresas que testam seus produtos em animais;
– ser contra rodeios, vaquejadas, tração animal, aquários e zoológicos, touradas e outras atividades que exploram animais, e, por tabela, não ir a nenhum deles nem usar animais como meios de transporte ou tração.

Ou seja, é ter uma vida orientada a não explorar nem financiar (pelo menos consentidamente) a exploração de animais.

À primeira vista isso pode parecer algo muito forte, imoderado, “muito radical”. Mas não é por aí. É mais fácil adotar a ética vegana e colocar sua vida nos trilhos da mesma do que se acredita.

 

Não é tão complicado quanto parece

Na alimentação, que costuma ser o ponto de partida para a adesão ao veganismo, há uma vastidão de alimentos não animais, milhares de receitas baratas e acessíveis e milhões de combinações possíveis para se fazer pratos deliciosos livres de qualquer vestígio de exploração animal.

No consumo não alimentício e de alimentos industrializados, verificar rótulos pode ser trabalhoso no começo. Mas com o tempo a pessoa não só domina e naturaliza essa técnica, como também percebe o quanto ela é necessária para seu bem-estar e mesmo sua integridade física.

É por meio da leitura de rótulos e embalagens que sabemos o que de fato estamos ingerindo, inalando ou colocando em contato com nosso corpo. É por aí que nos salvamos, por exemplo, de vestir roupas com tecidos que nos dão alergia na pele, ingerir substâncias nocivas à saúde, colocar para dentro do nosso corpo todo um universo químico sintético que tem consequências imprevisíveis para nosso organismo a longo prazo, ou consumir produtos de validade vencida que podem nos fazer muito mal.

Em relação a boicotar empresas que testam em animais, não é tão difícil quanto parece. É possível saber quais indústrias adotam ou não adotam essa prática cruel consultando listas como a da Leaping Bunny de empresas internacionais que não realizam esse tipo de teste e a do blog Beleza Vegana de internacionais que testam em cobaias.

Além disso, cada vez mais empresas estão comprovando sua postura contrária a esse tipo de exploração animal por estampar nos rótulos mensagens como “Produto não testado em animais” ou “Não testamos em animais”, ou selos do tipo cruelty-free (livre de crueldade).

 

A ética animal não tem nada de mirabolante e extremista

Além da crença de que ser vegan é “difícil demais”, costuma-se dedicar preconceito à ética que fundamenta o veganismo, considerando-a “radical demais” tanto quanto a vida vegana. Mas isso também é um mito.

A ética vegana pode ser resumida na seguinte frase: Devemos reconhecer que os animais não humanos querem continuar vivos e ser livres e seus interesses individuais são violados pela exploração animal, portanto deixemo-nos em paz. É uma ética de não violência, de libertação, de empatia, de querer o bem do outro.

Não há nada de objetivamente absurdo em acreditar que os animais não humanos querem viver em paz e livres, e que tratá-los como propriedade de humanos lhes faz um mal que não querem sofrer. Assim sendo, é preciso ter um especismo convicto muito forte e muito apego a alguma atividade de exploração animal para, mesmo depois de conhecer os Direitos Animais, continuar achando-os “muito radicais”.

O contrário sim é que é mais lógico: a ideia de que os animais não humanos são seres inferiores e merecem ser usados como objetos e exterminados é essencialmente extremista. Ela tem uma carga de violência imensa, típica de tradições supremacistas, discriminatórias, sangrentas, assassinas. Não há nada de moderado, meio-termo, equilibrado, em achar que um mamífero não humano, uma ave, um peixe, um invertebrado existem simplesmente para nos servir, não merecem nenhum direito e não há nada de absurdo em lhes infligir um sofrimento que não precisava existir e poderia ser evitado.

Ou seja, as únicas pessoas, no meio em que nós veganos somos chamados de “radicais”, que realmente incidem em crenças extremas e completamente carentes de equilíbrio são os próprios especistas, os que apoiam a exploração animal e o consumo de produtos originados de seus corpos vivos ou mortos. Ou seja, são os próprios que nos acusam de “extremismo”.

Vale deixar claro, aliás, que nosso único radicalismo é aquele definido por ir na raiz do problema, na fonte central das tradições de exploração animal, que é o preconceito especista. É o “radical” vindo do latim radix, que significa “raiz”.

Se você ainda tem receio do veganismo por considerá-lo “muito radical”, não tenha medo. Conheça os Direitos Animais, aprenda como levar uma vida vegana e permita-se perceber onde está o verdadeiro e inaceitável extremismo. Os animais não humanos, o meio ambiente, muitos seres humanos e você mesmo(a) sairão ganhando.

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