Remédios, comprimidos
Como responder quem vem duvidar do seu respeito aos animais por você ingerir remédios?

Muito provavelmente você já passou por isso – e se isso ainda não aconteceu, vai acontecer a qualquer momento.

Você, todo contente, vai falar de veganismo e dizer por que é vegan para aquele primo, ou colega de faculdade ou trabalho. Faz isso com satisfação por estar defendendo a libertação animal.

Só que, para o seu desgosto, ele responde que o veganismo é “hipócrita”, afinal, “você come plantas, que também são seres vivos”, “toma remédios, que são testados em animais”, “usa eletricidade de usinas hidrelétricas cujas turbinas matam peixes”, entre outros comportamentos que seriam manifestações de uma suposta “hipocrisia dos veganos”. Por isso, não faria sentido aderir a uma ideologia “hipócrita”. E portanto, ele se recusa a considerar o veganismo.

Nessas horas, você pode ficar sem saber como responder, ainda mais se você for uma pessoa com poucas semanas ou meses de vegana.

E agora, como dar uma boa resposta e desbancar esse argumento antivegano? Saiba neste artigo.

Por que muitos antiveganos adoram apelar para a “hipocrisia dos veganos” para tentar se isentar do compromisso moral de se tornar vegan

Definição de hipocrisia

Antes de saber como responder a esse incômodo contra-argumento, é preciso compreender o porquê de ele ser usado por muitos antiveganos, como esse seu hipotético primo ou colega.

Isso acontece geralmente porque eles intencionam “pegar na hipocrisia” os veganos e, assim, tornar “inválida” a ética vegana.

Afinal, se o vegano se diz contra os testes em animais mas consome certos produtos – os medicamentos – que foram testados em cobaias, e é “contra matar seres vivos” mas come plantas, que também têm vida, então o veganismo seria um modo de vida vazio de sentido e sustentação, já que não induziria verdadeiramente uma mudança de comportamentos, e não traria nenhum reconhecimento de direitos aos animais não humanos.

Se o veganismo é assim “vazio de sentido”, então não haveria motivos válidos para se abandonar o consumo de produtos animais. Daí o churrasco, o fast-food cheio de carne e queijo e os rodízios de pizzas repletas de mussarelas estariam a salvo.

Isso é o que os antiveganos pensam. Agora você vai saber como responder a essa linha de raciocínio e até mesmo, por tabela, salvar sua convicção vegana.

 

Respondendo ao apelo à “hipocrisia vegana”

Mais uma falácia antivegana respondida

Agora a melhor parte: como dar uma resposta à altura para essa tática dos antiveganos de tentar invalidar a coerência do modo de vida que você segue?

Mostre a eles que esse argumento incorre em quatro falácias:

  • O apelo à hipocrisia, também conhecida pelo latim tu quoque, tendo, nesse caso, a linha de raciocínio de que “você não tem um veganismo perfeito, logo o veganismo não faz sentido”;
  • A exigência de perfeição, que considera uma ideia ou hábito válido apenas se for perfeito e livre de exceções – o que na realidade é impossível de acontecer com qualquer ideia e costume;
  • A falácia do espantalho, já que atribui ao veganismo as falsas características de ser algo intolerante a exceções e defender “seres vivos” em geral – ao invés de especificamente seres sencientes -, e critica você por não seguir esse “espantalho” de veganismo;
  • O argumento desconexo, também conhecido como non sequitur, já que tem uma linha de raciocínio cuja conclusão não bate com a premissa: “Você não pode deixar de tomar remédios, logo não há razões para eu parar de consumir produtos como alimentos de origem animal.”

Depois de apontar essas falácias, revele a verdade sobre o veganismo: ele é vivido na medida do possível e praticável e em defesa especificamente dos animais – desde o seu conceito oficial, dado pela Vegan Society. Portanto, você não deixa de ser vegano se está impossibilitado de, por exemplo, boicotar medicamentos e energia vinda de hidrelétricas, nem está sendo incoerente se come seres vivos não sencientes.

E finalmente diga que não é porque certas coisas ainda não podem ser boicotadas que o consumo de alimentos de origem animal deixa de ser antiético, desnecessário e evitável. Ou seja, o fato de você ter que tomar remédios em situações de sofrimento não torna necessário e ético o consumo de carnes, laticínios e ovos pelo seu colega antivegano.

Uma outra informação que você pode dar é que, mesmo não podendo ser 100% vegan, você já faz a diferença para os animais não humanos, fazendo muitos não nascerem para uma vida de sofrimento e privações e salvando da morte incontáveis animais aquáticos que seriam pescados.

Se quiser, você pode complementar essa contra-argumentação dizendo que dá para defender os animais explorados pela ciência e pela indústria farmacêutica de outras maneiras, que complementam o modo de vida vegano. Entre elas, estão o desenvolvimento de métodos de pesquisa biomédica substitutos do uso de cobaias e a realização de discussões sobre bioética e Direitos Animais nas universidades e nos periódicos acadêmicos.

 

Considerações finais

O veganismo aceita exceções

Não é nada difícil responder ao argumento de que o veganismo “não faz sentido” por você ter necessidades que te impedem de ter um modo de vida vegano perfeito e livre de exceções.

Aliás, à medida que você for dominando a arte de responder argumentos antiveganos, perceberá que virtualmente não existe nenhuma desculpa antivegana difícil de se refutar. Basta você ter leitura suficiente sobre o veganismo e a ética animal, e poderá tirar de letra todos os ataques impetrados pelos opositores do veganismo.

Ao contra-argumentar que o modo de vida vegano admite exceções nas quais certos produtos e serviços não podem ser boicotados, você também estará ensinando a essas pessoas que se tornar vegan é muito menos difícil do que o senso comum acredita. E assim estará provavelmente plantando na mente delas a sementinha da consciência.

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