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Chegou ao conhecimento dos vegans no Brasil mais um caso de abordagem precipitada e distorcedora da capacidade das plantas de ter comportamentos complexos, confundida com “inteligência” (no sentido animal) e “senciência”. O caso da vez é um texto escrito por uma bióloga professora da PUC-PR, sobre a possibilidade de plantas adquirirem status moral por capacidades que, na verdade, foram mal interpretadas por ela.

O texto dela, intitulado E se as plantas também tiverem status moral?, foi inicialmente publicado no site EcoDebate no último dia 10, e foi reproduzido pelo site Outras Mídias na última quarta-feira. Repete as falhas de interpretação vistas em sites como o Portugal Mundial e conclui, a partir da distorção de conclusões científicas sobre comportamentos vegetais complexos, que plantas “também possuem inteligência e capacidade de sentir, aprender, lembrar e reagir de maneira semelhante a nós”.

O artigo peca pela falta de links e pela precariedade ao se referir a estudos e declarações de outros biólogos. Isso dificulta muito que os leitores mais conhecedores de Biologia analisem a opinião dada e a confirmem ou a refutem.

Veganagente já discutiu, um tempo atrás, a possibilidade de debates sérios sobre a hipótese de se dar alguma consideração moral a plantas. E frisa que trazer como “certeza” a crença na “senciência vegetal” atrapalha muito mais do que contribui positivamente nesses debates.

E é isso o que o artigo da bióloga acaba fazendo. Promove um debate truncado, por trazer como quase certo algo que na verdade não foi comprovado pela ciência, mas sim fruto de uma má interpretação do que pesquisas respeitadas sobre capacidades vegetais realmente dizem.

E curiosamente não pensa em soluções para a alimentação humana, as quais permitam ao ser humano continuar se alimentando bem sem que precise causar danos a vegetais. Com isso, é trazido, mesmo que talvez de forma não intencional, um falso dilema no qual ou a humanidade garante sua sobrevivência explorando, ferindo e matando seres sencientes – já que, com a “confirmação” da crença na senciência vegetal, seria impossível alimentar-se sem causar sofrimento a seres capazes de sofrer -, ou se restringe em sua alimentação a ponto de sua própria sobrevivência e integridade física correrem risco.

Por isso a conclusão do Veganagente é que o texto da bióloga é irresponsável ao trazer um debate truncado baseado em falsas constatações e colocar a humanidade num dilema moral que, na verdade, não faz sentido e, no final das contas, favorecer, ao invés de problematizar, a escravização e assassinato de seres realmente sencientes que têm interesse de continuarem vivos e fisicamente íntegros.

Comentários contestando o artigo dela podem ser feitos nos dois links dados mais acima – o do EcoDebate e o do Outras Mídias. A resposta do Veganagente no print abaixo (clique na imagem para vê-la em tamanho completo) pode ser usada como fonte de embasamento para a contestação.

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Disclaimer de prints de textos carnistas e especistas

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