conceito-antiveganismo

Atualizado em 31/12/2017

O veganismo está crescendo no mundo inteiro. E paralelamente, também está havendo uma reação maior ao que esse modo de vida defende.

Ou seja, ao mesmo tempo em que o veganismo se expande e se aproxima de seus sonhados objetivos de libertar os animais e abolir o especismo dos costumes morais humanos, o antiveganismo se expressa com virulência e preconceito no intuito de parar ou mesmo desfazer os avanços veganos.

Conheça melhor esse sistema de crenças ideológicas, como ele pode ser categorizado de acordo com o tipo de discurso que adota e como ele tenta derrubar o veganismo e os Direitos Animais.

O conceito tríplice do antiveganismo

O que é, afinal de contas, o antiveganismo?

Podemos defini-lo, resumidamente, como uma ideologia de caráter reacionário que promove oposição ao veganismo e tenta conservar a hierarquia moral especista.

A ideologia antivegana se manifesta de três maneiras:

  • Com ataques explícitos ao veganismo e à defesa dos Direitos Animais;
  • Com o incentivo óbvio ou em entrelinhas à produção e consumo de produtos, alimentícios ou não, total ou parcialmente de origem animal e/ou testados em animais;
  • Com “divulgações” do modo de vida vegano como se fosse algo que pouco ou nada tem a ver com a bandeira política dos Direitos Animais – ou seja, com um conceito falsificado ou corrompido.

Para cada uma dessas formas de manifestação do antiveganismo, podemos determinar que existem três tipos de discurso antivegano:

  • Antiveganismo direto ou explícito: Promove ataques depreciativos, críticas destrutivas e discursos de ódio e intolerância contra o veganismo. Tem a intenção de fazer com que as pessoas desistam do veganismo e/ou lhe declarem desapreço e oposição;
  • Antiveganismo indireto ou implícito: Defende de maneira explícita ou sutil a produção e consumo de produtos de origem animal, os testes industriais e científicos em animais e a perpetuação do uso de animais vivos nas etapas da produção de itens industrializados (como tração animal para carregar matéria-prima). É uma forma de antiveganismo porque se opõe aos princípios e propósitos do veganismo. Afinal, defender produtos não veganos é uma maneira de desmerecer e desacreditar a ética vegana. Obs.: Até janeiro de 2016 eu chamava o antiveganismo indireto de carnismo;
  • Antiveganismo distorcivo: Difunde um conceito de “veganismo” distorcido e corrompido. Manifesta-se, por exemplo, em reportagens da mídia que “divulgam” o modo de vida vegano como se fosse um simples “estilo de vida”, como algo que não teria nenhum compromisso ético e político. O antivegano distorcivo descreve o veganismo como uma prática restrita ao consumo, individualista, pró-capitalista e justificada por crenças quase religiosas. Isso pode ser considerado um tipo de antiveganismo porque tenta desligar os princípios éticos e os objetivos políticos do veganismo e assim torná-lo inofensivo aos interesses dos exploradores de animais.

 

As características que fazem do antiveganismo uma ideologia reacionária e antiética

O antiveganismo tem como características centrais:

  • O especismo, o sistema de dominação e preconceito que coloca o ser humano como superior aos animais de todas as demais espécies e considera alguns animais não humanos “menos inferiores” do que outros, a depender de sua “utilidade” e valor afetivo para seres humanos;
  • O antropocentrismo, crença filosófica de que o ser humano é o centro da Natureza na Terra – ou vive separado e “acima” dela – e é “autorizado” por divindade(s) ou por si mesmo a subjugar, dominar, explorar e destruir toda a parcela não humana, viva ou não, da biosfera;
  • Todo um conjunto de crenças falsas, que pode ser considerado uma mitologia que falseia a realidade;
  • Aspectos machistas, homofóbicos, explicitamente conservadores e defensores da hierarquização moral e social entre os próprios seres humanos;
  • Associação com setores poderosos da economia tradicionalmente envolvidos em crimes e violações da ética, como o agronegócio, a indústria alimentícia lacto-frigorífica, a indústria pesqueira e os rodeios e vaquejadas.

Entre as muitas crenças falsas do antiveganismo, podemos notar:

  • A descrição de vegans como pessoas extremistas, violentas e de saúde frágil;
  • A atribuição de impactos ambientais gigantescos (e irreais) ao veganismo e de um peso ecológico minúsculo à pecuária e à pesca;
  • A existência de uma perfeita harmonia ética e ambiental entre humanos e não humanos na pecuária, pesca e apicultura;
  • A crença de que vegetarianos consomem alimentos de origem animal, como carne branca, laticínios, ovos e mel;
  • A legitimação do especismo pelas leis da Natureza;
  • Perigos terríveis à saúde humana, em especial crianças e pessoas com determinados tipos sanguíneos, decorrentes das supostas deficiências nutricionais da alimentação vegetariana;
  • A associação da defesa dos Direitos Animais ao terrorismo, ao autoritarismo, ao extremismo ideológico e a teorias da conspiração como o “globalismo” e o “totalitarismo comunista”;
  • A ausência de embasamento científico e filosófico nos Direitos Animais, na “crença” na senciência animal e na saúde vegetariana;
  • Benefícios exagerados ou falsos dos alimentos de origem animal à saúde humana;
  • A associação psicológica desses produtos a momentos de felicidade, amor, amizade e comunhão familiar;
  • A conceituação do veganismo como uma “quase religião” individualista, capitalista, despolitizada e justificada por crenças subjetivas e espirituais.

Nesse contexto, precisamos perceber que, apesar da associação com o especismo, ele não é sinônimo de antiveganismo. Há uma diferença importante entre ambos.

O antiveganismo é uma das manifestações do especismo, sendo dedicada especificamente a incentivar a produção e consumo de alimentos e outros itens de origem animal e atacar o veganismo. Engloba toda uma mitologia que não poderia ser adequadamente focada caso estivessem sendo abordadas todas as implicações do especismo.

Algumas crenças específicas do antiveganismo não podem ser diretamente aplicadas, por exemplo, aos rodeios e à comercialização de animais domésticos, já que nem sempre o veganismo está em pauta quando se fala dessas atividades.

Além disso, nem todos os mitos antiveganos são especistas, considerando-se como exemplos disso as crenças na insalubridade da alimentação vegetariana, na infelicidade psicológica crônica de quem não consome carne e laticínios e na atribuição de impactos ambientais exagerados ao veganismo. Em outras palavras, nem toda crença antivegana é baseada em especismo, assim como nem todo especismo passa pelo antiveganismo.

 

 

Considerações finais

Tenhamos consciência de que, para continuarmos expandindo o veganismo e a consciência abolicionista, é mais que necessário reconhecer a ameaça que o antiveganismo representa a essa luta e a importância de fazer um contraponto vegano-abolicionista sempre que um artigo, vídeo ou imagem antivegano viralizar e ameaçar induzir não veganos a considerarem não aderir mais ao veganismo.

Nesse contexto, o antiveganismo tenta combater a ética vegana da mesma maneira que a direita conservadora e neoliberal se esforça em parar, destruir e retroceder as conquistas dos movimentos sociais e políticos de esquerda.

Então, para o veganismo e os Direitos Animais continuarem crescendo, amadurecendo e se fortalecendo, precisamos também enfrentar as tentativas dos promotores da ideologia antivegana de atrasar e parar nossa luta.

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