Antiveganos que fazem “cosplay de pobre”: saiba a verdadeira natureza de suas críticas ao “privilégio vegano”

Exemplo de antivegano fazendo "cosplay de pobre"

Exemplo de antivegano fazendo “cosplay de pobre”

Editado em 19/03/2017 às 15h45

Algo tem sido muito comum nestes tempos de expansão vegana.

Diversas pessoas têm declarado sua oposição ao veganismo por meio de “denúncias” de que o nosso modo de vida seria elitista e privilegiado “por essência”.

E duas das alegações mais comuns nisso é de que escolher o que comer ou não comer é um privilégio social, e que pessoas muito pobres, por não contarem com essa facilidade, são obrigadas por sua condição social precária a comprar carne, laticínios e ovos baratos para não passarem fome.

Só que tem um sério problema na maioria dos casos em que não veganos apontam esse “privilégio vegano”.

Saiba que problema é esse na abordagem que fiz para responder à seguinte pergunta: a crítica dos antiveganos contra esse alegado privilégio visa realmente o combate à miséria e à insegurança alimentar? Ou está aí para, na verdade, manter outros privilégios?

 

Por que tantas pessoas apontam o dedo para o veganismo acusando-o de elitismo e exclusão social

Outro antivegano apontando "privilégio vegano" com propósitos no mínimo duvidosos

Outro antivegano apontando “privilégio vegano” com propósitos no mínimo duvidosos

Para entender o que proporciona a essas pessoas a oportunidade de criticar o tal elitismo vegano, precisamos fazer uma análise do cenário do veganismo no mundo e também no Brasil.

Como todos nós sabemos, o modo de vida vegano está em franco crescimento em muitos países. A Grã-Bretanha, os Estados Unidos, a Alemanha, Israel (embora, no caso desse país, haja graves controvérsias éticas), o Brasil… São muitos os países que têm vivenciado o fortalecimento de uma curva exponencial de expansão da população vegana.

Mas tem ficado muito evidente que esse crescimento tem ocorrido muito mais em países ricos e nas classes médias e altas dos países “em desenvolvimento”. Nas periferias pobres das cidades brasileiras, ainda é bem difícil encontrar pessoas veganas, restaurantes e lanchonetes que lhes sirvam bem e mesmo pessoas não veganas que saibam responder propriamente a perguntas como “O que o veganismo defende?” e “O que é o especismo?”.

Não há pesquisas no Brasil revelando hoje essa distribuição populacional do veganismo e do conhecimento sobre o mesmo. Mas a vivência em bairros periféricos acaba evidenciando a tendência do nosso modo de vida de crescer muito mais em bairros “nobres” e de classe média do que nas comunidades de baixa renda.

Isso acaba motivando muitas pessoas, veganas ou não, a apontarem um viés elitista na propagação e divulgação do veganismo. E esse elitismo acaba se revelando de diversas maneiras:

  • O acesso à informação correta sobre o que o veganismo defende, por que adotá-lo e quais são as bases ético-filosóficas dos Direitos Animais é bastante restrito, e tende a contemplar muito mais as classes não pobres. A grande maioria da população só tem ouvido falar de “veganismo” por causa da mídia – que, a saber, divulga informações dolorosamente erradas e distorcidas sobre o que é ser vegan. E o acesso direto a livros de Ética Animal é extremamente proibitivo, por causa dos seus preços altos e da dificuldade de encontrá-los à venda;
  • Alguns sites e páginas sociais veganos no Brasil promovem uma abordagem claramente insensível às necessidades e particularidades das classes populares e aos sofrimentos de pessoas em situação de vulnerabilidade social. Costumam focar em celebridades, no hoje caro e restrito mercado de imitações veganas de alimentos de origem animal, em receitas vegetarianas* gourmet, na divulgação de restaurantes e lanchonetes onde pessoas pobres nunca ou raramente podem comer e em expor o veganismo como se fosse um “estilo de vida” consumista de classe média ou de elite;
  • A maioria dos eventos veganos ainda é realizada em locais frequentados predominantemente pela classe média. Tem havido um número crescente de eventos nas periferias urbanas, com destaque para São Paulo, mas os voltados para as classes populares ainda são poucos em comparação com os que priorizam as classes média e alta;
  • Muitos autorrotulados “veganos” discriminam pessoas pobres e outras minorias políticas, em suas opiniões que dizem respeito a questões sociopolíticas. Parecem crer que veganismo é um simples “estilo de vida” descolado que não tem muito a ver com ética, consciência e respeito aos seres sencientes;
  • São numerosos os veganos que se assumem de direita e têm posições que colocam o veganismo como uma questão de mercado, consumo e estilo de vida, como algo indiferente aos problemas sociais, econômicos e políticos que impedem bilhões de pessoas no mundo de conhecerem o abolicionismo animal e se tornarem veganas.

Considerando todos esses problemas, é pertinente assumir que muitas das críticas feitas por não veganos honestos ao veganismo fazem algum sentido. Afinal, o modo de vida vegano no Brasil, assim como o conhecimento avançado sobre os Direitos Animais, hoje é acessível de menos aos mais pobres.

E, de fato, nós veganos temos o privilégio de escolher o que queremos ou não queremos comer. Não estamos atados a uma obrigação de só comprar aquilo que é muito barato sob pena de passar fome. Não é todo mundo que tem o acesso que temos a uma amplitude de informações sobre Direitos Animais, produtos veganos e receitas livres de ingredientes de origem animal.

Mas existe uma diferença essencial entre quem faz críticas (ou autocríticas) sérias e conscientes, sobre o elitismo no veganismo, e quem nos aponta o dedo do desdém sem nenhum compromisso de ajudar a eliminar essas barreiras e injustiças sociais.

 

O verdadeiro propósito do “cosplay de pobre”: manter privilégios não veganos

Tokenização de pessoas em situação de miséria

Uma coisa é a crítica séria, que visa conscientizar os veganos para que a luta vegano-abolicionista se interseccione com a dos movimentos sociais por equidade, direitos e redistribuição de renda e riquezas. Essa aliança entre Direitos Animais e Direitos Humanos é fundamental para que o veganismo deixe de ser eivado de elitismo e privilégios socioeconômicos e se torne efetivamente acessível para todos.

Outra é pessoas de classe média, mesmo muitas se dizendo “de esquerda”, rotularem o veganismo como um privilégio, e lhe atribuir um acesso difícil, tendo como intenção principal ou única tentarem justificar por que elas próprias não são veganas nem querem se tornar.

Essa posição é uma clara falácia de argumento desconexo, conhecida como non sequitur. Essa falácia consiste em dar um argumento que à primeira vista parece fazer sentido, mas é desmascarado como inválido quando se descobre que a premissa e a conclusão não se conectam.

A linha de raciocínio nesse caso é: “Muitas pessoas, por serem muito pobres, não podem escolher o que comer e o que não comer e não têm acesso a alimentos vegetarianos caros. Logo, eu não quero ser vegan, mesmo sendo de classe média e não sofrendo dessa privação.”

Um outro exemplo relacionado é dizer que fulano tem o “direito” de consumir carne como uma espécie de troféu por ter saído da pobreza.

Nesse caso o non sequitur também está presente, já que o raciocínio é que “Fulano merece comer carne porque ascendeu socialmente. Portanto, não quero aceitar o veganismo e os animais não humanos não merecem meu respeito”. Aqui também não há conexão válida entre premissa e conclusão.

Além de falácia, esses argumentos promovem a chamada tokenização. Essa atitude consiste em o indivíduo usar alguma minoria política – à qual ele não pertence – como token, algo como uma falsa “medalha de compaixão social”, para se fazer parecer que está defendendo os injustiçados. Mas a intenção por trás disso é legitimar e conservar o status quo social e político e, claro, seus próprios privilégios.

Nesse caso, o antivegano está tokenizando pessoas pobres para tentar justificar práticas individuais suas que nada têm a ver com a privação alheia: o seu próprio consumo de produtos de origem animal, muitas vezes caros; seus churrascos com os amigos e suas idas a churrascarias, pizzarias e lanchonetes onde consomem pratos não vegetarianos* que também não são baratos.

Ou seja, como tem sido popularmente dito entre vegans de esquerda, está fazendo “cosplay de pobre”.

Argumenta como se fosse ele mesmo um indivíduo em situação de grave vulnerabilidade social que estaria sendo “coagido” a se tornar vegano e, por isso, precisaria justificar não ser vegano. Mas na verdade sua vida está longe de ser maculada por privações e discriminações elitistas que lhe inviabilizem a adesão ao veganismo e a leitura de conteúdo, mesmo básico, sobre os Direitos Animais.

 

As implicações sociopolíticas da atitude do “cosplay de pobre”

Carne e Osso, documentário que denuncia exploração humana nos frigoríficos

Carne e Osso, documentário que mostra um pouco do que os antiveganos que tokenizam pobres estão permitindo e possibilitando que aconteça com muitos daqueles que eles juram defender. Clique na logomarca do documentário para assistir

Não é preciso muito esforço para perceber que essa é uma atitude de total desrespeito e descaso contra as pessoas em situação de pobreza.

Quando o antivegano de classe média incide nesse comportamento, está dando uma atenção a pessoas realmente pobres tão falsa quanto quando um candidato corrupto e especista a deputado posa para fotos segurando cachorrinhos para fingir ser um “defensor dos animais”.

Digo isso porque a oposição do veganismo é essencialmente uma negação da lógica da igualdade moral e da libertação dos mais vulneráveis. É uma postura de manutenção de formas de dominação, hierarquias, privilégios, violências, crueldades e injustiças. Tudo isso contra humanos e não humanos.

O antivegano que faz “cosplay de pobre” não só está defendendo que os animais não humanos continuem sendo tratados como coisas sobre propriedade de pecuaristas, donos de granjas, empresários da pesca e apicultores.

Ele também está tolerando e perpetuando todas as violências diretas e indiretas cometidas por exploradores de animais não humanos contra os próprios seres humanos. Incluindo aqueles que vive usando de token para tentar justificar seus hambúrgueres, seus churrascos e suas pizzas de calabresa e quatro queijos.

Está tratando como passíveis de conservação e perpetuação:

  • O trabalho degradante, muitas vezes em regime de escravidão, em fazendas, granjas, abatedouros e frigoríficos;
  • O envenenamento e adoecimento de bilhões de seres humanos com gordura saturada excessiva, colesterol, hormônios sintéticos, antibióticos residuais, pus, alergênicos, cancerígenos, vermes e micro-organismos patogênicos, doenças causadas por superbactérias e outras nocividades presentes em produtos de origem animal. Nesse caso, os muito pobres que compram carne, leite e ovos baratos, pela alegada impossibilidade de optarem por alternativas, são especialmente afetados e têm sua expectativa de vida dramaticamente reduzida;
  • Toda a violência no campo promovida por pecuaristas e monocultores (que vendem parte de sua produção para a alimentação animal), pistoleiros e capatazes contra indígenas, camponeses e ambientalistas;
  • Todos os crimes ambientais cometidos por esses mesmos detentores de poder;
  • A corrupção coprotagonizada por políticos ruralistas e outros aliados do agronegócio e da indústria lacto-frigorífica nos municípios, nos estados e no Congresso Nacional;
  • A concentração de renda e terras por causa dos interesses desses mesmos ruralistas;
  • O uso da política, pelos mesmos, em nome de interesses pessoais, em detrimento do bem comum;
  • Entre diversas outras violências que só existem porque há pessoas que ganham dinheiro e poder político explorando animais em suas propriedades e mandando-os para a morte em matadouros.

Em outras palavras, o “cosplayer de pobre” que se diz de esquerda está agindo como um autêntico reacionário radical de direita. Posiciona-se como um defensor ferrenho e intransigente de um literalmente sangrento status quo, quando se coloca contra o veganismo e rejeita o compromisso de ajudar a amadurecer esse modo de vida no Brasil.

 

Despindo os antiveganos de seu “cosplay de pobre”

Eu tenho o privilégio de... não ter noção de meus próprios privilégios

Eu tenho o privilégio de… não ter noção de meus próprios privilégios – é o caso dos antiveganos que vivem nos apontando o dedo

Todas essas colocações nos revelam que, de defensores da justiça social e dos mais pobres, os antiveganos que tokenizam pessoas em situação de miséria não têm nada.

Eles não criticam os privilégios veganos visando nos ajudar a convertê-los em direitos e proporcionar que todos os seres humanos possam ter uma vida digna, uma alimentação vegetariana* acessível e saudável, um consumo vegano barato e seguro e plenas condições de se munirem da couraça de agentes de transformação social e política nacional e global.

Mas sim para continuarem tendo acesso a um hábito de consumo ao qual as pessoas em situação de pobreza que eles dizem defender estão astronomicamente longe de ter acesso. Um consumo socioambientalmente irresponsável e politicamente venenoso que literalmente faz mal para todos. Um privilégio muito mais nocivo do que aquele que vivem dizendo que nós vegans temos.

Questionemos então esses indivíduos, quando vierem argumentar contra nós pelo pretexto de “defendermos um consumo elitista”, o que eles pretendem fazer contra os privilégios deles próprios e os nossos dos quais eles vivem acusando.

Eles esperam o veganismo deixar de ser elitista para declararem sua adesão? Se sim, por que então eles próprios não tentam deselitizar o veganismo à maneira deles?

O que fazem para que a alimentação saudável e nutritiva e o consumo ético, sustentável e responsável sejam realmente assegurados como direitos universais?

Façamo-lhes esses questionamentos. Mesmo que resistam e insistam no antiveganismo, algum dias eles se sentirão constrangidos demais para continuar mantendo uma posição que contraria em tudo a ética que eles próprios dizem seguir, inclusa nela a compaixão e empatia pelos mais pobres e vulneráveis.

E se verão moralmente obrigados a se despir de seu “cosplay de pobre” e começar a respeitar de verdade quem realmente sofre, entre humanos e não humanos, com as consequências de uma ordem hierarquista, dominadora, violenta, cruel e profundamente injusta.

 

*O Veganagente define vegetarianismo como alimentação livre de todo e qualquer componente de origem animal.

Robson Fernando de Souza
Siga-me aqui

Robson Fernando de Souza

Autor dos blogs Consciencia.blog.br e Veganagente e do livro Veganismo: as muitas razões para uma vida mais ética. Formado em Licenciatura em Ciências Sociais (UFPE, 2016) e Tecnologia em Gestão Ambiental (IFPE, 2008). Adora Sociologia, meio ambiente, Direitos Animais & Veganismo e autoajuda.
Robson Fernando de Souza
Siga-me aqui




22 Comments on “Antiveganos que fazem “cosplay de pobre”: saiba a verdadeira natureza de suas críticas ao “privilégio vegano”

  1. Melhor texto que já li sobre essa assunto!!!! Era esse argumento que faltava contra esse tipo de antivegan! Parabéns pelo texto!!!

  2. Texto muito bom e super explicadinho. Eu já tinha escrito um texto nessa mesma linha, e agora vendo que tem mais pessoas analisando mesmo essa questão, vejo que não estou louca. Obrigada. :)

    • Obrigado tb, Daniela =) Me mostra, por favor, seu texto, fiquei curioso de ler tb. Abs!

  3. Nossa, eu ainda nao sabia da existência de um grupo antiveganos… fiquei sem reação ao ler esse ótimo texto, obrigado por compartilhar.

  4. Então o texto toca num ponto que venho falando: não dá para separar uma luta pró-veganismo de uma luta por uma distribuição alimentar justa e também levantar o debate em relação à soberania alimentar.

    Ouço amigos veganos falando que é possível manter a dieta apenas com o básico das hortaliças e grãos. Acho bem difícil isso, inclusive por experiência própria: passei por um período financeiro extremamente ruim e me vi obrigada a diminuir a variedade desses produtos. Logo comecei a sentir muita fome ao longo do dia e percebi que a variedade desses alimentos é que saciam a fome. Ainda bem saí logo dessa situação.

    A maioria dos veganos que eu conheço são um desânimo. Repetem exatamente os pontos negativos abordados no texto e muitos parecem seguir a alimentação mais para serem “especiais” do que buscarem uma mudança no próprio modo de perceber o mundo e lutarem por isso. Fico muito chocada com o grau de desinformação – querem convencer as pessoas com textos e argumentos e absurdos, há até quem repita asneiras faladas por um certo ator agressor de mulheres que virou vegano. Noto um aumento nítido de pessoas que seguem o veganismo, só que vejo uma boa parcela bastante elitista e desinformada, uma pena.

    • Pois é, Lelê, infelizmente existe muito dessa de veganos posando de “melhores” e “mais especiais” que os onívoros – e muitos deles incidindo em abomináveis discursos de ódio e outras atitudes antiéticas nas horas vagas.

      • Ah! Sempre indico o seu site como fonte de informação confiável e discussões necessárias, mostro até para quem não é vegano, mas está aberto a outras visões. Também falo para lerem Esther Vivas que, embora não pregue o veganismo, traz discussões políticas sobre a alimentação muito enriquecedoras.

        Obrigada pelos textos.

  5. achei super interessante o texto, mas tenho uma dúvida: por que o veganamente taga ‘alimentação vegetariana’ como aquela livre de qualquer insumo animal?

  6. Pingback: Carne fraca, veganismo e elitismo – JULISMO

  7. Condicionamento, vitimismo, o sistema é mais forte, não podemos fazer nada. É a pior ideologia que querem que vc acredite. Ninguém, ninguém mesmo, acreditou que eu ou outros lutadores poderiam vencer, superar as condições sociais, culturais, financeiras, genéticas, religiosas, educacionais a que nos submeteram.

    Fui muito pobre, favelada e sem terra, catei comida em lixo de feira, trabalho desde os 12 anos, fui faxineira, babá, balconista de mercado, fiquei anos morando em local sem luz e água na torneira. Dentes doíam sem dinheiro para ir ao dentista. Conheci o vegetarianismo na periferia de Brasília, no Paranoá, igreja adventista da reforma, feita de madeirites. Gente pobre, simples,, as melhores refeições da vida. Fiz supletivo, escola pública, noturna e rural, depois de 4 vestibulares, passei em federal, história, pós graduação em educação ambiental e sustentabilidade. Fiz concurso, trabalhei com projetos de produção orgânica para creches, presídios e assentamentos.

    A gente acredita e luta a gente consegue, nossa mente tem muito poder. Assim como cigarro, álcool e outras drogas, os alimentos processados, advindos da monocultura, viciam, mas podemos ir a cada dia buscando alternativas, diminuindo, comprando o máximo do pequeno agricultor, sabotando o sistema. Podemos ir consumindo cada vez menos supérfluos, ter o básico. A economia gerada é incrível.

    Muitos de meus conhecidos nessa trajetória se perderam com a ilusão de marcas, shoppings, turismo predatório de massa, mesas de bares, e realmente, para beber cerveja e churrasco, quase não falta dinheiro pra ninguém. Mas podemos sim superar essa cultura de consumo desnecessário, e focar na nossa liberdade. Cultivar o próprio alimento é como cultivar dinheiro. Ter um pedacinho de chão tb. Tem muita terra barata por aí.

    Ajuda muito não querer trocar de carro assim que acaba a garantia. Enquanto conhecidas gastavam seus escassos recursos em salão de beleza, 300,00 num rímel, roupas de marca, eu mesma cortava meu cabelo, fazia hidratação com babosa, e cortava minhas unhas. Faço até hj. Minhas roupas, nunca seguiram moda ou marca, vieram de brechós e feiras, duram 10 anos ou mais. Os móveis, reciclo, reformo, compro usado. Os lençóis e roupas rasgam, vou lá e costuro. Assim, com poucos gastos, foi possível pagar em várias prestações um hectare de terra.

    Ainda não temos geladeira funcionando, e dispensada a tv. Nosso esgoto vira adubo para árvores, nosso lixo orgânico tb vira adubo. O lixo seco entregamos direto para reciclagem. Reciclo resto de sabão e sabonetes transformando em detergente líquido para lavar chão. Muito do adubo usado aqui busquei em resto de lixo orgânico em restaurantes, usei cinza de fogueira e resto de podas de vizinhos.

    Mudas, catei sementes, produzi mudas, fiz trocas, outras comprei. Já colho banana, manga, limão, mandioca, muitas ervas medicinais, amora, mamão, goiaba, pepino, tomates, cenoura, temperos, urucum, taioba, pimentas, abóbora, melão, couve, capuchinha, uva, maracujá, carambola, melancia.

    Em três anos ou mais teremos laranja, graviola, côco, baru, abacate, abacaxi, tamarindo, jaboticaba, e madeiras como ipê, aroeira e angico, para os filhos construírem a própria casinha. Por favor, só vamos parar de falar e usar os outros pra tentar justificar o próprio comodismo em não querer realmente mudar. Não podemos esperar pelo governo ou um salvador para nos salvar. Nós devemos ser a mudança que queremos para o mundo.

    Qd vc muda, vc cria sua própria realidade, e incentiva os outros a mudarem. Sim, podemos. Mesmo aos poucos, a cada dia, seja diminuindo ou largando o cigarro, a cerveja, a carne e os alimentos dá monocultura. Aprendendo e sendo livre.

  8. Parabéns também para a Kelly Cristina, uma maravilhosa inspiração e modelo à ser seguido.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *