Bois pastando em áreas desmatadas, cena que tem sido comum nas últimas décadas
Bois pastando em áreas desmatadas, cena que tem sido comum nas últimas décadas. Ambientalistas que comem carne e tomam leite contribuem para que isso continue acontecendo

A maior das contradições do ambientalismo não vegano no mundo é defender o meio ambiente mas continuar consumindo produtos, principalmente alimentos, de origem animal. É basicamente defender o meio ambiente enquanto contribui com vigor para sua própria destruição. E é possível fazer diversas comparações envolvendo essa postura hipócrita e seletiva de militância ecológica.

Nisso podemos pensar: defender o meio ambiente sem deixar de consumir produtos de origem animal é o mesmo que:

– achar que é possível “acabar com a corrupção” no país punindo político de apenas um partido e deixando os de todos os demais partidos impunes e livres para cometer seus crimes;

– advogar pelo fim da corrupção sem defender a punição dos corruptores e a reforma da ordem política permissiva a esquemas criminosos do tipo;

– defender o fim das desigualdades sociais sem questionar os fundamentos do capitalismo, que por natureza precisa de uma sociedade desigual;

– desejar o fim das injustiças sociais no mundo enquanto reproduz ideologias conservadoras;

– defender o fim dos engarrafamentos no trânsito sem advogar pela diminuição do número de carros e pela valorização do transporte público;

– militar pela diminuição radical da poluição atmosférica sem exigir grandes mudanças nas indústrias, nos meios de transporte e na obtenção de energia;

– achar que é possível amar alguém sem se importar com a vida da pessoa;

– acreditar que basta “varrer os criminosos” das ruas para acabar com a violência urbana, sem combater as causas da criminalidade;

– tentar diminuir a violência na sociedade sem fazer a sociedade ser menos violenta em seus valores e tradições;

– o indivíduo querer que o mundo melhore espontaneamente e sem começar essa melhoria a partir dele mesmo;

entre outras comparações possíveis que mostram o absurdo que é desejar um mundo melhor sem corrigir seus piores problemas e as raízes dos mesmos.

Com isso, pensemos que defender o meio ambiente e adotar uma postura tão antiecológica e insustentável como consumir carne, leite, ovos, couro e outros produtos de origem animal é uma contradição, que anula grande parte da preocupação ambiental da pessoa. Tomar consciência disso é muito necessário, e pode começar a partir do momento em que você tem ciência dos grandes impactos ambientais da pecuária, da pesca e da aquicultura, como os listados a seguir.

 

10 impactos ambientais da pecuária

1. A pecuária é o maior responsável pelo desmatamento da Amazônia e do Cerrado, onde pastos avançam sobre áreas de ecossistema. Na Floresta Amazônica, 58,8% de toda a terra desmatada virou pasto, e no Cerrado o número sobe para 68,4%.

2. Segundo o Worldwatch Institute denunciou em 2009, a pecuária é emissora de 51% de toda a carga de gases-estufa oriundos de todas as atividades humanas no planeta, desde a respiração e flatulência dos animais “de consumo” até a emissão de fumaça pelos caminhões que transportam animais vivos ou produtos derivados deles.

3. A criação de animais consome 8% de toda a água utilizada pelas economias humanas, a maior parte para irrigar plantações de grãos destinados à alimentação animal, como soja, milho, trigo e sorgo. A denúncia é do documento Livestock’s Long Shadow, da FAO/ONU.

4. Cerca de 30% de todas as terras emersas do planeta que eram habitat de vida selvagem foram ocupadas por rebanhos, segundo o mesmo documento.

5. O documento da FAO também denuncia que, dos 35 hotposts ecológicos (áreas de ecossistema com enorme biodiversidade e perda acelerada de habitat por causa das atividades humanas) no mundo, 23 estão sendo degradados por atividades de criação animal;

6. A ONU já aconselhou uma alimentação vegetariana, livre de ingredientes de origem animal, como medida necessária para deter os pesados impactos ambientais da pecuária, vide relatório Priority Products and Materials, de 2010.

7. Para produzir um quilo de carne bovina, são gastos, em média, 16 mil litros de água, e para cada quilo de queijo à base de leite de vaca, o gasto fica entre 5 mil e 5.500L, segundo o relatório Virtual Water Trade, de 2003.

8. Edward Wilson, biólogo da Universidade de Harvard, estimou em 2007 que só será possível alimentar plenamente toda a humanidade no final do século 21 se ela se tornar vegetariana, no sentido de parar de comer carne, leite, ovos e outros alimentos de origem animal. Caso contrário, a pecuária se tornará pesada demais para ter sua demanda por grãos, terras e água atendida.

9. A pecuária também é a maior responsável pelo desmatamento no Pantanal, principalmente nas regiões de planalto, como esta reportagem atesta.

10. A pecuária também causa enorme poluição aquática e gera muito lixo: sangue, vísceras, embalagens de antibióticos e hormônios sintéticos injetáveis, excrementos… A maior parte desses resíduos é descartada de maneira inadequada no próprio meio ambiente, principalmente em rios e lixões.

 

5 impactos ambientais da pesca

1. Um estudo de 2006 prevê que até 2048 todas as espécies de animais marinhos considerados “pescáveis” estarão extintas, por causa da pesca em grande escala.

2. O mesmo estudo mostra que, até 2006, 29% dessas espécies tiveram mais de 90% de sua população global exterminados pela pesca, e esse número pode ser ainda maior hoje, dez anos depois.

3. A pesca com redes de arrasto leva junto incontáveis animais “não pescáveis” quando captura os “pescáveis”. Baleias filhotes, golfinhos, tartarugas, arraias, tubarões etc. costumam ser vitimados por esse tipo de pesca.

4. Nos Estados Unidos, a pesca de um quilo de camarão em águas selvagens (fora de tanques de carcinicultura) resulta na captura e morte de entre 3 e 10 quilos de outros animais.

5. Assim como a pecuária, a pesca em grande escala, caso continue crescendo e invadindo cada vez mais ambientes marinhos, também se tornará grande e insustentável demais para atender à demanda mundial. Não é à toa que os autores do relatório Priority Products and Materials provavelmente também pensaram nos pesados impactos ambientais da pesca ao recomendar a alimentação vegetariana como solução individualizada para diminuir e reverter os danos causados à biosfera pela exploração animal.

 

5 impactos ambientais da aquicultura (Fonte)

1. A aquicultura costuma ser pensada pelo senso comum como “alternativa sustentável” à pesca em águas selvagens, mas também possui impactos ambientais muito pesados. Um dos mais notáveis deles é a destruição de manguezais e outros ecossistemas costeiros para a escavação de tanques na beira da massa d’água (rio, lago, estuário ou oceano).

2. A aquicultura também emite poluição ao meio ambiente, por meio de resíduos de rações vindos dos tanques de engorda de animais aquáticos e também antibióticos e outros medicamentos para tratamento de enfermidades.

3. Doenças entre os animais criados nos tanques podem se espalhar para o ecossistema que rodeia a criação e contaminar animais nativos.

4. Da mesma maneira, animais exóticos, criados nos tanques, podem eventualmente fugir e desequilibrar o ambiente circunvizinho, atuando como espécies invasoras e aniquilando populações locais de animais aquáticos nativos.

5. Os tanques também podem vazar águas salobras e outros poluentes para rios, contaminando o ecossistema aquático local.

1 comment

  1. Não contribuo com a destruição do planeta Terra.Sou vegetariana há muitos anos.Não vejo necessidade de matar animais para consumo.O homem teria mais saúde e seria mais feliz tirando a carne da sua alimentação.

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