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Os animais sentem dor, possuem consciência e têm interesses básicos próprios, como continuarem vivos e íntegros. Essa é a razão essencial que nos leva a respeitar os animais como indivíduos dignos de direitos. Mas na tentativa de invalidar esse argumento, os opositores do veganismo contra-argumentam que “plantas também sentem dor e têm emoções”.

As “evidências” mais comumente usadas para essa crença são o senso comum baseado em achismo e alguns experimentos científicos que se alega que “comprovaram” essa suposta senciência das plantas.

Mas ambas as “evidências” falham em serem fiéis aos fatos. Não há nos vegetais um sistema nervoso, requisito anatômico indispensável para que haja consciência neural e sensibilidade à dor e ao sofrimento. E as tais experiências ou nunca foram bem sucedidamente reproduzidas – o que na Biologia Experimental é o bastante para uma pesquisa ser considerada inválida -, ou na verdade davam conclusões muito distintas da crença na senciência vegetal e foram noticiadas com manipulação sensacionalista pelos falsos “defensores das plantas”.

Por exemplo, uma experiência que evidencia a capacidade de plantas de uma determinada espécie de reagirem fisiologicamente a estímulos sonoros ou climáticos é precipitada ou maliciosamente manipulada pelos noticiários leigos. E assim passa a parecer que provou que “plantas têm sentimentos e podem sofrer”.

Então, caso alguém venha argumentar que “plantas também sofrem”, dê a resposta apropriada, ainda que seja uma contrapergunta.

Se começarem a dizer isso, por exemplo, mencionando o “sofrimento da coitada da alface que não pode nem fugir”, diga que plantas não podem sentir dor e agonia porque não têm sistema nervoso.

Se citarem “aquela pesquisa lá” que “mostrou que plantas podem sofrer”, cobre o artigo científico original e diga que a mídia não especializada em divulgação científica tem tradição de ser sensacionalista e manipuladora. É difícil que a pessoa mostre o estudo original, mas mesmo que o traga, será possível ler no “abstract” (resumo) que nada ali fala de consciência, sofrimento e dor – e diga o que (não) encontrou ao ler o resumo do estudo.

Se citarem experimentos como o tentado por Cleve Backster na década de 1960, diga – e mostre, se puder – que ninguém nunca conseguiu reproduzi-lo com sucesso.

E finalmente, diga que o veganismo também diminui os danos causados aos vegetais, o que a alimentação não vegana não faz. Afinal, poupa incontáveis plantas de serem colhidas para alimentação dos animais explorados pela pecuária ou mastigadas por rebanhos nos pastos. Assim, pode implicar a preservação ou o não nascimento de centenas ou milhares de plantas por animal. E evita ou mesmo ajuda a reverter o desmatamento de ecossistemas como a floresta amazônica e o Cerrado, lares de trilhões de vegetais.

As chances de, depois de tudo isso, a pessoa desistir do argumento dos “vegetais que sofrem” são muito altas, talvez mais de 90%.

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