Especismo: conheça esse preconceito que você tem, mas não sabe

Uma das crenças do especismo é a de que o gato e o cão são "menos inferiores" do que os animais considerados "de consumo"

Uma das crenças do especismo é a de que o gato e o cão são “menos inferiores” do que os animais considerados “de consumo”

Saiba mais sobre a crença de que os animais não humanos são “inferiores” a nós e “merecem” ser explorados

Têm sido pautas comuns nas discussões da internet os muitos preconceitos que flagelam a humanidade: o racismo, o machismo, o heterossexismo (homofobia, lesbofobia, bifobia e outros preconceitos contra não heterossexuais), a transfobia, o elitismo, a intolerância religiosa, a xenofobia, o capacitismo, a gordofobia etc. Além deles, também há bons debates sobre um outro preconceito que, se você não aderiu ao veganismo, você tem, mas talvez nunca tenha sabido, e irá conhecer aqui: o especismo.

O especismo é o preconceito por espécie animal, segundo o qual os animais não humanos seriam seres inferiores em comparação com os humanos, e que animais de algumas espécies seriam “menos inferiores” que os demais. Assim como todos os demais preconceitos, ele promove a injustiça convertendo diferenças em desigualdade moral e motivo para discriminação, dominação e violências diversas.

O preconceito especista também se assemelha aos demais por tentar se sustentar por meio de argumentos falsamente racionais. Entre eles, estão muitos extremamente comuns – e muitos dos quais provavelmente você ainda acredita hoje –, como os seguintes:
– Deus ou a Natureza criou os animais não humanos para servirem aos humanos;
– Estamos no topo da cadeia alimentar da qual vivemos;
– As leis naturais (lei da vida, da selva, do mais forte etc.) nos outorgaram o direito de dominar os demais animais;
– O ser humano é o único animal racional da Terra, e todos os demais animais são irracionais;
– Os seres humanos precisam consumir alimentos de origem animal para sobreviver, e é impossível ter saúde sem ingerir carne, leite e/ou ovos;
– O uso de animais é necessário para o sustento nutricional, econômico e sociocultural da humanidade;
– A ordem natural das coisas nos obriga a dominar e matar animais para consumo, entretenimento, fins científicos etc.;
– Defender os animais não humanos como iguais a nós implicaria proteger também as plantas, os fungos e os seres unicelulares.

Esses e outros mitos que sustentam o especismo e o consumo não vegano são respondidos nesta categoria de postagens do Veganagente.

O especismo impede ou limita os seres humanos de terem empatia genuína pelos outros animais, de verem a si mesmos nos seres diferentes. Seja pela convicção de que estes merecem “menos valor”, seja por meio de posturas inconscientes, pessoas aderentes do preconceito especista acabam sentindo menos compaixão por bovinos, porcos, aves “de consumo”, peixes etc. do que por cães, gatos e humanos.

E por isso mesmo são induzidos a consumir “produtos” de alguns animais e poupar outros desse “fornecimento” compulsório. E mesmo esses outros – inclusos principalmente cães e gatos – não são salvos de serem tratados como inferiores e submissos aos humanos. São comercializados, muitas vezes servem como presentes de dias comemorativos, costumeiramente são maltratados e negligenciados em casa e é muito frequente serem abandonados como “rejeitos imprestáveis”.

Se você consome produtos de origem animal e não está em transição ao veganismo, com certeza o faz porque considera, sabida ou inconscientemente, que os humanos têm o “direito” de explorar os seres que “fornecem” a carne, o leite, os ovos, o couro, o mel, o corante carmim etc. E esse “direito” é sempre “justificado” pela crença na inferioridade “natural” desses animais e na “justiça” da supremacia da espécie humana.

Mas os adeptos do especismo não levam em conta um fato: os animais que os humanos exploram são tão sensíveis à dor, ao sofrimento e a emoções positivas e têm tanto desejo de continuarem vivos e inteiros quanto os humanos. Isso basta para que eles mereçam ser respeitados como moralmente iguais a nós.

E qualquer tentativa de minimizar a necessidade de respeitar os seres que têm senciência e vontade de viver bem implica numa nefasta crença: a de que não temos obrigação ético-moral de nos preocupar com o sofrimento alheio, nem com a liberdade de quem pode e quer viver livre, nem com respeitar quem merece respeito. E essa crença é o que abre as portas para grande parte, senão a maioria, dos males e atrocidades da humanidade.

É por isso que você precisa tomar conhecimento e consciência sobre o especismo e saber como se livrar desse preconceito. Ser especista é necessariamente cair em contradição com tudo aquilo que você aprendeu sobre os valores da ética e da moralidade ao longo de sua vida.

Repense suas crenças sobre a “inferioridade” dos animais não humanos. A partir dessa reflexão, você passará a perceber o mundo de uma maneira bem diferente de como percebe hoje. Deixará de encará-lo como um conjunto de hierarquias, nas quais uns merecem dominar e outros merecem sofrer. E começará a tratar todos os seres sencientes como iguais em respeito e merecimento de direitos. E poderá enfim incorporar a paz, a retidão ética e o respeito genuíno ao próximo à sua vida.

Robson Fernando de Souza
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Robson Fernando de Souza

Autor dos blogs Consciencia.blog.br e Veganagente e do livro Veganismo: as muitas razões para uma vida mais ética. Formado em Licenciatura em Ciências Sociais (UFPE, 2016) e Tecnologia em Gestão Ambiental (IFPE, 2008). Adora Sociologia, meio ambiente, Direitos Animais & Veganismo e autoajuda.
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4 Comments on “Especismo: conheça esse preconceito que você tem, mas não sabe

  1. Olá
    Fantástico o post.
    A minha experiência com o estilo vegano foi há 7 meses atrás quando estava visitando a Dinamarca, fiquei na casa de um casal vegano, onde pude provar as primeiras delícias veganas e confesso: ME SURPREENDI, afinal nos países nórdicos e na Alemanha em especial o veganismo está cada vez mais importante, eu fiquei impressionada com a variedade de opções vegan em Berlin.
    Depois deste fato em questão comecei a me interessar pelo assunto.
    Espero que aqui no Brasil essa cultura seja tão bem aceita e começe a ter mais valor o mais rápido possível, pensando nisso eu criei um site com receitas fáceis veganas, com o auxílio da importação de vídeos de um canal muito bom no Youtube, para tentar ajudar as pessoas a entenderem mais esse estilo de vida e se alimentarem melhor

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