Economize dinheiro sendo vegan

Atualizado em 24/02/2018

Se você está em transição ao veganismo, muito provavelmente tem uma preocupação forte: como seu orçamento doméstico vai lidar com a mudança do seu hábito de consumo?

Afinal, muitos dizem que o veganismo é “caro” e “elitista”, que dependeria de substitutos vegetais gourmet de alimentos de origem animal e produtos com selo vegano que custariam duas ou três vezes mais do que as marcas não veganas.

Mas isso é verdade mesmo? Ou dá sim para ser vegan com um orçamento reduzido?

Aliás, será que é possível economizar ainda mais aderindo ao veganismo?

Saiba a animadora resposta a essas perguntas neste artigo, e você terá a felicidade de conseguir se tornar vegan poupando seu provavelmente já combalido bolso.

Um aviso importante

A princípio, tenha ciência de algo importante: as dicas que dou aqui podem não se aplicar em alguns casos específicos – como o caso de alguém que é alérgico ou intolerante a muitos alimentos diferentes, vive dependendo de um tratamento de saúde caro ou está descendo de classe socioeconômica e gostaria de manter o padrão de vida anterior.

Tento ajudar o máximo possível de pessoas, mas tenho a consciência de que as chances de beneficiar 100% dos futuros veganos de baixa renda são nulas.

Portanto, espero que você esteja incluído entre as pessoas a quem este artigo fala.

Superando as três grandes preocupações relacionadas ao orçamento vegano

Há pelo menos três grandes preocupações nesse sentido de aumentar gastos:

  • O orçamento alimentício, com a compra de substitutos gastronômicos e nutricionais;
  • A busca de marcas alternativas não alimentícias que sejam localmente vendidas;
  • E a ocasional necessidade de recorrer à produção artesanal para suprir lacunas de oferta no mercado local.

Saiba como superar cada uma delas a seguir.

Despreocupando-se em relação ao orçamento alimentício

Em relação à alimentação, a melhor dica que eu tenho a dar é que, se você focar em frutas, legumes, verduras, cereais e leguminosas de feiras e supermercados populares, irá economizar em comparação com a época em que vivia comprando carne, laticínios e ovos.

Os nutrientes desses alimentos costumam ser muito mais baratos do que os de alimentos de origem animal. Por exemplo, a proteína do feijão carioca é muito mais barata do que a da carne vermelha. E tende a ser muito mais saudável também.

Outra notícia boa é que os substitutos gastronômicos diretos, como pizzas, hambúrgueres, queijos, salsichas, linguiças e bifes, desses que são vendidos em mercearias de produtos naturais a mais de 30 reais o quilo, não são obrigatórios para a obtenção de nutrientes pelos veganos e vegetarianos.

E o melhor: podem ser feitos em casa com ingredientes baratos e de fácil acesso. Por exemplo, há a possibilidade de fazer pizza vegana caseira, hambúrguer vegetal e salsicha artesanal com facilidade.

Além disso, sempre haverá, aliás, a possibilidade de experimentar alternativas, como trocar o X-Tudo por uma saborosa tapioca de coco e banana.

Você só irá sofrer um peso maior nas despesas com alimentação se optar por comprar produtos caros, como chia, quinoa, feijão vermelho e os citados substitutos gastronômicos industrializados de carnes, leites e queijos.

Despreocupando-se em relação aos produtos não alimentícios

E os produtos não alimentícios? Você vai precisar substituir suas marcas não veganas por alternativas muito mais caras?

A resposta é não. Afinal, a grande maioria das marcas consideradas veganas ou vegan-friendly não pertence a uma faixa de preços diferente de seus concorrentes não veganos.

Por exemplo, dependendo da cidade onde mora, você terá amplo acesso a marcas de xampus e condicionadores como algumas variedades do Skala, cremes de cabelo como o Yamasterol, detergentes como o Ypê e pastas dentais como a Contente.

Em relação aos sabonetes, você pode optar por comprá-los no atacado: alguns supermercados atacadistas vendem sabonetes vegan-friendly como Phebo* ou Davene mais baratos se for em pacotes do que em unidades. E cada pacote tende a durar semanas.

*Existe uma polêmica em relação aos sabonetes Phebo, que pertencem à empresa Granado. Uma parte minoritária das ações da Granado foi comprada por uma empresa estrangeira que realiza testes em animais. Isso coloca a empresa numa espécie de zona cinzenta, na qual muitos consideram o sabonete Phebo não mais um produto vegano, enquanto outros continuam comprando-o na ausência de concorrentes veganos locais, por ser o sabonete mais próximo de ser uma opção vegana industrializada localmente acessível.

Optando por alternativas artesanais

Caso você não encontre marcas veganas localmente acessíveis de um ou mais produtos, é bem provável que você precisará criar, com as próprias mãos, uma opção artesanal, se tiver tempo disponível para essa confecção.

No caso da maioria dos produtos, você pode encontrar receitas e ingredientes com certa facilidade, como para fazer creme dental artesanal ou sabonete de glicerina vegetal.

Isso permitirá inclusive que você gaste menos comprando as matérias-primas e fazendo o produto final em casa do que se fosse comprar o industrializado já feito.

Uma outra notícia ótima é que estão em alta tendências como o no-poo e o low-poo, que consistem em manter o cabelo saudável com alternativas caseiras aos xampus e condicionadores – como bicarbonato de sódio e vinagre de maçã.

E uma terceira novidade que você vai gostar é que é possível fazer algumas mudanças de hábito, como substituir parte das lavagens do chão da casa por varrições e passadas de pano úmido. Isso, além de ser benéfico para o meio ambiente, permitirá a você economizar na conta de água e na compra de produtos de limpeza.

Conclusão

Com os devidos cuidados, você poderá adotar o veganismo sem grandes problemas mesmo com um orçamento econômico de baixa renda. Você poderá até mesmo ter um orçamento mais leve do que quando comprava muitos produtos alimentícios e não alimentícios não veganos.

Se você ainda está cético quanto a isso, experimente, digamos, uma semana, quinzena ou mês de compras e hábitos veganos. E então calcule se as despesas aumentaram muito, pouco ou nada ou mesmo diminuíram.

Os animais agradecerão por sua disposição de conhecer e experimentar o veganismo. E seu bolso muito provavelmente também será muito grato.

4 comments

  1. Olá, Robson, só uma correção: a marca Yamasterol infelizmente não pode mais ser considerada vegan friendly, pois no grupo “Low / No Poo Vegano” há diversos relatos de respostas muito inconsistentes do SAC da marca, eles enrolam e mentem sobre os ingredientes.

  2. Os animais e a natureza em geral agradecem, não é mesmo? A difícil realidade é que somos impulsionados por um modelo de consumo louco, e dentro disso o atual modelo de agricultura brasileiro tem exercido um papel destruidor no equilíbrio do desenvolvimento agroecológico, com a monocultura e esse monte de venenos. :(
    Ainda estou em transição, me adaptando e aprendendo sobre como diminuir estes impactos, pensando primordialmente na economia de água e no que deixo pro nosso planeta. Obrigada por compartilhar seus conhecimentos… e a revolução vegana está chegando! Na Alemanha o veganismo cresceu por esses anos 800%!! Quem sabe um dia começaremos todos a respeitar o planeta que forneceu as condições para a nossa existência e o veganismo terá um grande papel nessa transformação.

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