Falácias internas do veganismo; definição de falácia
Definição de falácia, segundo o Dicio.com.br

Obs.: Este artigo não é opositor do veganismo, nem traz subsídio para antiveganos. É um artigo de vegano para vegano/vegetariano.

O antiveganismo é, por essência, baseado em falácias. Mas isso infelizmente não significa que não existem argumentos falaciosos também no lado vegano-animalista.

É até relativamente comum o uso de argumentos fracos e falhos para defender o veganismo e os Direitos Animais. Ou, em alguns casos, para um vegano discordar ideologicamente de outra vertente vegana, como o veganismo interseccional.

Neste artigo, eu quero ajudar você a identificar quais argumentos não deve usar em defesa do modo de vida vegano, nem em discordância a outros veganos e não veganos – e por que não os usar. E, se você já usou, você poderá saber por que precisará evitá-los e nunca mais repeti-los de agora em diante.

Lista de falácias internas do veganismo

Obs.: Consulte a lista de falácias e saiba no que cada uma delas consiste no Guia organizado de falácias antiveganas.

“Os animais mais fortes do mundo não comem carne. Seja vegetariano você também!”

Falácia: Falsa analogia

Por que esse argumento é falho: O corpo e o funcionamento biológico dos seres humanos é essencialmente diferente dos animais mais fortes do mundo. Não é válido comparar, por exemplo, o funcionamento da fisiologia humana com a de um gorila ou de um hipopótamo, porque os órgãos, as necessidades nutricionais, o comportamento etc. são diferentes entre uma espécie e a outra.

“Seja vegetariano. Leonardo da Vinci, Pitágoras, Einstein e outros gênios não podem estar errados.”

Falácia: Apelo à autoridade

Por que esse argumento é falho: Essas autoridade são seres humanos, não seres perfeitos, e como tal podem errar em algum momento da vida. Aliás, diversos desses sábios se abstinham apenas de carne, consumiam outros alimentos de origem animal e não evitavam, por exemplo, o uso de couro, e nem por isso são “melhores” que os veganos.

“O consumo de leite é atacado por Lair Ribeiro, cardiologista renomado, autor de dezenas de livros, respeitado no Brasil inteiro etc. Não há como duvidar dele.”

Falácia: Apelo à autoridade

Por que esse argumento é falho: Como foi dito na resposta ao argumento anterior, autoridades podem errar. Lair Ribeiro, então, é alguém que erra muito, vide sua oposição às vacinas, seu preconceito pseudocientífico contra autistas e o controverso tratamento que resultou na morte de Marcelo Rezende.

“O vegetarianismo faz bem sim. Um amigo meu era cheio dos problemas de saúde, e quando abandonou os alimentos de origem animal, teve melhorias imensas e todos aqueles problemas dele sumiram. Hoje ele tem saúde de ferro e é atleta.”

Falácia: Evidência anedótica

Por que esse argumento é falho: Casos individuais desprovidos de avaliação médico-científica não são evidências válidas da veracidade de um argumento, seja ele a favor ou contra o vegetarianismo. Na mesma linha dessa falácia, algumas pessoas dizem que “um amigo meu” teria degradado sua saúde por causa da ausência de alimentos de origem animal.

“Todo carnista é cruel, alienado e sádico com os animais.”

Falácias: Generalização precipitada, ataque pessoal

Por que esse argumento é falho: Faz uma generalização preconceituosa, desrespeitosa e totalmente desprovida de evidências de que todo consumidor de carne teria um determinado conjunto de comportamentos nocivos. Ignora a existência de consumidores de carne que, limitadamente, se preocupam com os animais, simpatizam com a causa vegana e cogitam algum dia se tornar vegetarianos/veganos.

“Se eu não preciso suplementar B12, por que é que outros veganos precisam?”

Falácia: Falácia egocêntrica

Por que esse argumento é falho: O argumentador trata a si mesmo como um padrão universal de ser humano necessariamente seguido por todos os demais humanos do planeta. Na verdade, a grande maioria dos veganos, senão todos, precisa suplementar a vitamina B12 para manter taxas saudáveis desse nutriente no corpo.

“Os argumentos pró-veganos de Fulano de Tal não contam, porque ele é liberal de direita.”

Falácias: Desqualificação pessoal, envenenamento do poço

Por que esse argumento é falho: Esse argumento esnoba a pessoa e seus argumentos, não os responde com uma contra-argumentação válida. Mesmo sendo liberal de direita, opositora da ideologia de quem usou essa falácia, a pessoa pode ter muito a contribuir com a causa animal à sua maneira.

“Os argumentos pró-veganos de Fulana de Tal não contam, porque ela é comunista.”

Falácias: Desqualificação pessoal, envenenamento do poço

Por que esse argumento é falho: Esse argumento esnoba a pessoa e seus argumentos, não os responde com uma contra-argumentação válida. Mesmo sendo comunista, opositora da ideologia de quem usou essa falácia, a pessoa pode ter muito a contribuir com a causa animal à sua maneira, inclusive sendo adepta do veganismo interseccional.

“O mundo infelizmente é dividido entre pessoas com consciência, que são os veganos e vegetarianos, e gente sem consciência, os carnistas.”

Falácias: Falsa dicotomia, ataque pessoal

Por que esse argumento é falho: O argumento faz uma falsa dicotomia, como se todo vegano e vegetariano fosse realmente consciente (o que infelizmente não é verdade, dada a existência de vegetarianos reacionários, anti-humanistas e até antiveganos) e todo consumidor de carne fosse “sem consciência” (quando na verdade há muitos consumidores de carne interessados em conhecer e considerar o veganismo a médio ou longo prazo). Além disso, ataca com desrespeito esses últimos, chamando-os de “sem consciência”, ao invés de lhes trazer conscientização vegana.

“Carnistas comem carne porque escolheram ser cruéis com os animais.”

Falácias: Generalização precipitada, falácia do espantalho

Por que esse argumento é falho: Generaliza e usa de um preconceito contra os consumidores de carne baseado numa crença falsa, a de que todo consumidor de carne seria deliberadamente cruel contra os animais, quando na verdade a maioria deles ainda consome produtos animais por não saber o que acontece na pecuária, na pesca e em outras atividades especistas.

“O veganismo só considera os animais não humanos, não coloca humanos no meio.”

Falácia: Definição muito restrita

Por que esse argumento é falho: Faz uma definição indevida e exageradamente restrita e falsa do veganismo, como se ele autorizasse a desconsideração moral de seres humanos. O conceito de veganismo diz respeito a considerar todos os seres sencientes, sem fazer nenhuma restrição em relação aos outros seres humanos.

“Prove que o vegetarianismo não faz bem pros seres humanos.”

Falácia: Inversão do ônus da prova

Por que esse argumento é falho: O argumentador é que deve provar o seu argumento, e não o negador que precisa comprovar sua negação. O máximo que pode acontecer é o contra-argumentador mostrar que o argumento do outro e a “comprovação” são falhos e falaciosos.

“Nunca vi alguém vegano com colesterol alto, portanto veganos com colesterol alto não existem.”

Falácias: Apelo à ignorância, argumento desconexo (non sequitur)

Por que esse argumento é falho: Não é porque a pessoa nunca viu um vegano com colesterol alto que veganos com esse problema não existem. Eles existem sim, só estão fora do círculo social do argumentador. Alguns problemas fisiológicos podem causar alta na taxa de colesterol.

“Minha prima não suplementa vitamina B12 há oito anos e é saudável, logo não faz mal não suplementar B12.”

Falácias: Evidência anedótica, inversão do acidente

Por que esse argumento é falho: Casos individuais sem avaliação científica não servem como prova objetiva de um argumento. E o argumento em questão transforma um caso excepcional de B12 alta sem suplementação numa suposta regra.

“Conheço negros que não se importam com a comparação entre exploração animal e a escravidão negra no Brasil colonial e imperial, então não tem nada de errado em fazer essa comparação.”

Falácias: Inversão do acidente, argumento desconexo (non sequitur)

Por que esse argumento é falho: Transforma uma provável exceção (pessoas negras que não se importam com essa comparação) numa suposta regra. Além disso, a premissa (“Alguns negros não se importam com essa comparação”) não tem relação lógica válida com a conclusão (“Nenhum negro a acha inadequada”).

“O vegetarianismo melhora o desempenho atlético-esportivo e aumenta os níveis de energia física. Os casos do velocista Fulano e da boxeadora Beltrana comprovam isso.”

Falácia: Evidência anedótica

Por que esse argumento é falho: Os casos dessas duas pessoas são individuais e não receberam nenhum acompanhamento de estudo científico, portanto não podem ser considerados provas objetivas e científicas de que o vegetarianismo tem essa propriedade. É preciso buscar provas científicas disso, e não a partir de exemplos individuais.

“Não beba leite. Tomar leite não é natural.”

Falácia: Apelo à natureza

Por que esse argumento é falho: Argumenta que tomar leite é ruim porque “não é natural” – ou seja, por causa de uma suposta antinaturalidade desse hábito -, e não porque é antiético ou não é saudável. Ignora que, por exemplo, usar computador e celular não é algo natural da biologia e evolução do ser humano. Existem muitos argumentos bem melhores para se usar contra o consumo de leite animal.

“Nunca vimos bebês morderem e devorarem outros animais, logo os bebês humanos são incapazes de ter o instinto de matar e comer animais. Isso evidencia que o ser humano é herbívoro.”

Falácias: Apelo à ignorância, argumento desconexo (non sequitur)

Por que esse argumento é falho: Se alguém nunca viu bebês morderem e devorarem outros animais (mesmo, por exemplo, formigas), isso não significa que esses bebês não existem. Existem sim, só que estão fora do círculo social e do conhecimento do argumentador. Além disso, o argumento traz uma conclusão (“O ser humano é herbívoro”) que não tem uma ligação lógica válida com a premissa (“Nunca vi um bebê morder e devorar outros animais”).

“Elefantes são veganos (sic), e não parecem nem um pouco subnutridos. Isso quer dizer que ser vegano faz muito bem para nós humanos.”

Falácias: Falsa analogia, argumento desconexo (non sequitur)

Por que esse argumento é falho: A estrutura e funcionamento do corpo do elefante é extremamente diferente da dos seres humanos. E a alimentação dos elefantes não é a mesma que a dos humanos, mesmo dos veganos. Existem argumentos muito melhores para se defender que ser vegano faz bem. Além disso, a conclusão (“Ser vegano faz bem para os humanos”) não se conecta à premissa (“Elefantes só comem plantas e não são subnutridos”).

“Criaram um tópico sobre uma vereadora assassinada. Isso não combina com um grupo vegano! Daqui a pouco o grupo vai ter que deixar de ser focado em veganismo e se tornar um grupo de defesa de humanos!”

Falácias: Argumento desconexo (non sequitur), redução ao absurdo

Por que esse argumento é falho: Estabelece uma consequência absurda e falsa, ou pelo menos improvável, para uma ação da qual o argumentador discorda. E a conclusão (“Daqui a pouco o grupo só vai defender humanos”) não condiz com a premissa (“Postaram um tópico sobre uma vereadora assassinada”).

“As pessoas querem ficar fortes como touros, mas se esquecem que touros comem grama.”

Falácias: Falsa analogia, argumento desconexo (non sequitur)

Por que esse argumento é falho: O organismo de um touro não pode ser comparado com o de um ser humano, são corpos, fisiologias e necessidades nutricionais muito diferentes. Além disso, a conclusão (“Comer vegetais deixa os humanos mais fortes”) não se conecta com a premissa (“Touros comem grama”).

Artigo sujeito a atualização com acréscimo de novas falácias internas

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