Capivaras na Amazônia, ao lado de um rio: a fauna selvagem salva pelos Direitos Animais
Foto: Flickr/Tânia Carlos

Os Direitos Animais e o veganismo são muito mais importantes para a fauna selvagem do planeta do que muita gente pensa.

Eles não vêm libertar apenas os animais ditos “de consumo” da exploração humana. Também servem tanto para proteger os animais silvestres dos impactos ambientais de atividades como a pecuária e a caça, como para trazer aos seres humanos uma razão a mais para preservar o meio ambiente e diminuir nele o peso de suas atividades em geral.

Se você é um ambientalista ativo, ou pelo menos simpatiza com a causa ecológica e busca fazer sua parte por menor que seja, convido você a conhecer esse tipo relativamente pouco conhecido de benefícios da luta vegano-abolicionista.

Três grandes benefícios do veganismo abolicionista para a fauna selvagem

Desmatamento do cerrado, com os limites da mata em pé em linhas poligonais
Desmatamento do cerrado, uma forma de agressão à vida selvagem proporcionada pela pecuária. Foto: Jim Wickens/Ecostorm

Existem pelo menos três grandes razões para considerarmos o movimento defensor dos Direitos Animais um aliado essencial dos animais que habitam os ecossistemas naturais.

São as seguintes:

1. Pretende salvar os animais silvestres da destruição causada pela pecuária e pela aquicultura

O veganismo tem como uma de suas missões enfraquecer a pecuária, a pesca e a aquicultura, para que seja cada vez menos viável lucrar com a exploração de animais “de consumo”, até que, finalmente, aconteça a morte econômica desse tipo de atividade.

Nesse contexto, enquanto a população vegana aumenta, o consumo de produtos animais diminui, numa relação direta de causa e efeito.

E aí os pecuaristas, pescadores e aquicultores são forçados a diminuir a “produção”, reduzindo a procriação de filhotes e o número de abates por causa dessa queda progressiva na demanda.

Com isso, o declínio da exploração e abate de animais “de consumo” também representa a diminuição gradativa dos terríveis impactos ambientais dessas atividades.

Como consequência, a fauna selvagem é salva de ser exterminada pelo desmatamento que até então servia para expandir pastos e latifúndios de forragem animal, pelas mudanças climáticas, pela poluição vinda das fazendas, granjas e matadouros, pelos meios de transporte usados para levar animais para os abatedouros etc.

2. Combate violências especistas diretas contra eles, como a caça, a pesca e o tráfico de animais silvestres

O veganismo abolicionista também tem como missão abolir, pouco a pouco, atividades de agressão direta contra os animais silvestres, como a caça, a pesca e a captura para o tráfico.

Ou seja, quanto maior é a porcentagem de vegans entre a população humana, menor será a de pessoas que compram produtos de animais mortos ou capturados no meio selvagem e/ou animais vivos capturados. Isso em se tratando tanto de florestas e savanas quanto de rios, lagos e oceanos.

Nesse contexto de declínio da agressão a animais silvestres, diminuirão até a extinção o comércio de carnes, ovos, peles, chifres, marfim, secreções, dentes, glândulas etc. de animais mortos. O mesmo acontecerá com as infames feiras clandestinas de animais silvestres, que hoje resistem às operações da polícia ambiental graças ao especismo da sociedade.

3. Adiciona um novo valor ético à luta pela proteção e preservação do meio ambiente: a defesa do interesse dos animais selvagens de continuar vivendo

Existem muitas razões ético-filosóficas para se defender e preservar o meio ambiente, das mais focadas na sobrevivência humana àquelas que tratam a Natureza como dotada de um fim em si mesmo. Pois bem, os Direitos Animais vêm aumentar essa diversidade.

A nova razão de lutar pela Natureza é a defesa do interesse individual de cada animal selvagem de permanecer vivo e fisicamente íntegro o máximo de tempo possível.

Afinal, a destruição ambiental causada pelas atividades humanas viola direta ou indiretamente esse interesse, ao fazer sofrer, ferir e matar esses seres. E evitar isso implica permitir que continuem vivendo sãos e salvos.

Soma-se a isso a defesa, por parte de alguns teóricos dos Direitos Animais, da prerrogativa da humanidade de diminuir o sofrimento dos animais na Natureza, seja ele causado pelos próprios seres humanos, seja pela própria vida natural deles.

Por exemplo, essas pessoas defendem que zoólogos e veterinários especializados em fauna selvagem tratem animais que adoeceram ou se feriram na mata, protejam-nos das intempéries meteorológicas e de incêndios florestais, cuidem de filhotes órfãos etc.

Em resumo, o ambientalismo passa a defender não só a biosfera como um todo, ecossistemas e espécies, mas também o máximo possível dos indivíduos sencientes que são parte deles.

Reforçando uma verdade dura: não existe coerência em ambientalistas que consomem produtos de origem animal

É ambientalista mas come carne? À esquerda, uma floresta em pé. No meio, um bife vermelho cru. À direita, uma floresta destruída por uma queimada
A verdade é dura: ambientalista que come carne é como manifestante “anticorrupção” que vota em corrupto. Imagem de autoria desconhecida

Além desses três grandes legados para a defesa da vida silvestre, a defesa dos Direitos Animais vem relembrar os ambientalistas não veganos de algo que eles há anos tentam ignorar ou relativizar. Avisa-lhes que não existe coerência num ambientalismo que trata os animais não humanos como seres inferiores.

A razão que sustenta essa inconveniente verdade é aquilo que o documentário Cowspiracy: o segredo da sustentabilidade avisa: a exploração animal – em especial a pecuária, a pesca, a caça e o tráfico de animais silvestres – é o tipo de atividade humana que mais destrói o meio ambiente e mata os seres da Natureza selvagem.

E cada ambientalista que come carne, queijo e ovos, bebe leite e iogurte, veste couro animal e lã de ovelha etc. contribui ativamente para que essa destruição persista. Porque reforça e mantém a demanda econômica dos setores especistas e mais antiambientais da economia.

Assim, por mais que defenda a Amazônia e o Cerrado, ele acaba fatalmente contribuindo para a devastação desses biomas quando consome produtos animais, muitos dos quais contêm matéria-prima vinda de fazendas que os desmatam.

O mesmo se aplica ao ecologista que come peixe: ele está financiando diretamente a persistência da dizimação dos animais dos mares. Favorece tanto o extermínio das populações de animais aquáticos considerados “comestíveis” quanto o de espécies categorizadas como “não alvo”, vítimas colaterais das redes de arrasto pesqueiras.

Em outras palavras, cada ambientalista do planeta precisa conhecer, considerar e aderir ao veganismo, se quer realmente salvar os animais e as florestas do planeta do colapso ambiental. Caso contrário, estará sendo tão contraditório e incoerente quanto um protetor de cães e gatos que diz “amar os animais” mas come carne, queijo e ovos.

Conclusão

Nascer do Sol num rio da Amazônia
Direitos Animais, veganismo e ambientalismo juntos por um futuro melhor para a fauna selvagem do planeta. Foto: Tucan Amazon Lodge

Cada vez mais fica evidente: o veganismo e a defesa dos Direitos Animais são imprescindíveis para o amadurecimento e o êxito dos movimentos ambientalistas.

Afinal, abolir a exploração animal e considerar moralmente os indivíduos não humanos selvagens que se quer proteger são providências essenciais para salvar o meio ambiente e, por tabela, a fauna silvestre do planeta.

Com isso, torna-se uma obrigação moral que cada ambientalista reveja o que está consumindo e o que está deixando de defender em suas pautas ecológicas.

Em outras palavras, que perceba que difundir e universalizar o veganismo e promover a libertação animal são tão importantes para os animais silvestres continuarem existindo quanto combater o consumismo e o abuso de itens de plástico.

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