Vegan Mayo Hellman's: Unilever tenta flexibilizar o veganismo

Na contramão da adoção de políticas éticas por cada vez mais empresas, algumas companhias estão preferindo um caminho sujo.

Sem abandonar os testes em animais e/ou o patrocínio a entretenimentos cruéis como rodeios e corridas de cavalo, elas estão lançando produtos com falsos selos de “produto vegano”.

Fazem isso acreditando que o público consumidor vegano irá aceitar esses itens só porque não contêm ingredientes de origem animal.

Faço aqui um alerta para você ter cuidado e não cair na lábia inescrupulosa dessas corporações, que, ao invés de se curvar ao veganismo, estão tentando fazer nós nos curvarmos diante delas.

O jogo sujo de empresas que tentam fazer os veganos tolerarem suas políticas especistas

Algumas empresas, entre elas as poderosas Unilever e Ambev, estão lançando linhas de produtos supostamente vegan-friendly para atrair um público vegano que não está muito por dentro de tudo aquilo que o veganismo visa combater.

Por exemplo, a Unilever, alguns anos depois de ter tentado processar os fabricantes da maionese (até então) vegana Just Mayo por “violarem a fórmula industrial da maionese”, lançou uma “vegan mayo” da Hellmann’s, com selo, rótulo ostentativo e tudo.

Já aqui no Brasil, a Ambev, empresa tradicionalmente patrocinadora de rodeios, comprou a fabricante de sucos Do Bem e lançou uma linha de leites vegetais prontos para beber com essa marca, visando atrair públicos como o adepto da alimentação saudável, o vegetariano e o vegano.

Nesses dois casos, o debate entre os veganos tem sido muito quente. Alguns argumentam que os veganos precisam aceitar essas marcas como “veganas”, como parte de uma política “estratégica” e para “incluir mais pessoas no veganismo”.

Ao mesmo tempo, outros veganos dizem que é preciso levar os princípios éticos e práticos do veganismo a sério e boicotar essas marcas também.

O fato de esse debate existir já é um indicativo de que essas corporações estão conseguindo convencer parte do público vegano a capitular do boicote antiespecista em troca de alguns produtos livres de ingredientes de origem animal.

Ou seja, que o jogo sujo delas está dando certo.

Por que você não deve cair nessa

Coelhos presos para teste de irritação ocular
Coelhos presos para teste de irritação ocular. Ceder para empresas como essas é dar carta branca para que continuem testando produtos em animais sem a oposição enérgica do público vegano

Agora que você sabe que há empresas tentando nos convencer a tolerar a continuidade de suas políticas especistas, quero mostrar para você por que você não deve cair na laia dessas companhias.

Perceba que elas não estão interessadas em levar o público vegano a sério. Não cedem à nossa pressão para que abandonem os testes em cobaias e os patrocínios de entretenimentos que usam animais.

Ao invés, estão tentando nos fazer de massa de manobra, nos tratar como um nicho de mercado que tem a ver não com uma ação política pela ética, mas sim com um simples consumo seletivo por motivos como saúde, estilo de vida e “pena” de animais.

Estão se aproveitando do fato de que muitos veganos no exterior já aceitam consumir de empresas com esse tipo de política, em nome de um “pragmatismo” de práticas e consequências duvidosas.

Afinal, muitos em países como os Estados Unidos e a Alemanha definem o vegano como alguém que é simplesmente vegetariano, ou seja, que não consome alimentos de origem animal, mesmo que continue financiando diversas formas evitáveis de especismo.

E essas empresas estão se aproveitando disso para enfraquecer as nossas demandas e nos cooptar como um resignado público consumidor.

Isso é péssimo para os animais explorados em arenas de rodeio e vaquejada, pistas de corrida, rinhas, laboratórios de testes, parques aquáticos etc.

Representa uma virada de costas por parte de muitos “veganos” para esses seres, que, apesar de serem menos numerosos do que os explorados e mortos pela pecuária e pela pesca, estão lá, existindo em situação de miséria e sofrendo cruéis violências.

Conclusão

Então, se você é contra essas atividades especistas, a primeira atitude que precisa tomar hoje é dizer não a esse canto da sereia.

É recusar ser “comprado” com maioneses “veganas”, leites vegetais de caixinha saborosos, imitações vegetais de carnes e queijos etc. para passar a tolerar a perpetuação da antiética dessas corporações.

É deixar claro que o veganismo continuará forte e pressionando as empresas para que o especismo seja eliminado de suas políticas institucionais.

Portanto, eu defendo: resista à tentação de aceitar os produtos dessas empresas. Seja cético perante quem as está defendendo. Continue sendo um vegano defensor dos direitos de todos os animais.

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