7 maneiras de verificar se aquele texto ou vídeo antivegano é confiável ou fala apenas lorota

Lorota

Descubra neste artigo como identificar artigos e vídeos antiveganos que falam apenas logro. Obs.: Você descobrirá, sem grandes dificuldades, que TODOS os conteúdos antiveganos acabam se encaixando no que este texto denuncia como lorota

A internet está cada vez mais repleta de textos e vídeos de gente que argumenta contra o veganismo.

Em muitos desses materiais, seus autores afirmam ter “embasamento científico” para argumentar, por exemplo, que o vegetarianismo é uma dieta alimentar “perigosa” que “mata crianças” e que o veganismo é uma ideologia essencialmente “fanática” e um “privilégio de gente endinheirada”.

Mas vale mesmo refletir sobre o que esses conteúdos têm a dizer? Ou eles estão falando nada além de lorota?

Conheça, neste artigo, sete maneiras de verificar se aquele texto ou vídeo antivegano tem alguma parte sobre a qual se merece refletir ou se é pura bobagem pseudocientífica e falaciosa.

As sete maneiras

Lorota antivegana, Claudio Bertonatti

A famigerada entrevista do museólogo Claudio Bertonatti é um dos textos antiveganos que se pode descobrir facilmente que não passam de lorota

1. Verifique se ele cita fontes cientificamente confiáveis

Muitos materiais antiveganos dizem ser cientificamente “sérios”, mas muitas vezes, ou não citam as fontes de suas informações, ou usam referências de confiabilidade baixa ou nula, ou se baseiam em meros relatos pessoais, como veremos nos próximos itens.

 

2. Confira se a fonte científica, caso seja citada e de qualidade, não foi maliciosamente distorcida

Muitas vezes um artigo sério que fala, por exemplo, de reações de vegetais a estímulos ou comunicação bioquímica entre plantas pode ser interpretado, geralmente de maneira desonesta, como se provasse que “plantas são inteligentes e sentem dor”.

Ou então, uma pesquisa que afirma haver uma correlação entre o aumento do número de pessoas vegetarianas e o crescimento da ocorrência de determinada doença pode ser descrita como se houvesse aí uma relação de causa e efeito.

 

3. Verifique como o estudo utilizado como fonte define “vegetarianos”

Há diversos casos em que se alardeou que determinadas pesquisas teriam atestado que “o vegetarianismo” aumentaria a ocorrência de determinadas doenças. Mas uma análise da fonte dessa suposta informação nos mostra que, além de ter havido uma má interpretação, o conceito de “vegetarianismo” utilizado é impreciso ou mesmo errado.

Por exemplo, uma pesquisa austríaca de 2014, muito utilizada na época como fonte da “bombástica informação” de que o vegetarianismo “fragiliza a saúde das pessoas”, usou como conceito de “vegetarianismo” a mera abstenção de carnes vermelhas. Tanto é que mais de 50% dos “vegetarianos” estudados comiam carnes brancas e menos de 10% realmente não consumiam nenhum alimento de origem animal.

 

4. Verifique se o “embasamento” do material é um estudo científico ou apenas a declaração de um profissional de saúde

Há textos e vídeos antiveganos que embasam seus argumentos não em estudos científicos, mas sim na pura opinião de profissionais de saúde preconceituosos.

Isso é uma falácia: trata-se de apelo à autoridade, já que a única “força” que dá razão de existir ao argumento é a autoridade que o profissional desinformado em questão possui em sua área. E a autoridade do argumentador não traz validade e certeza ao seu argumento.

 

5. Se o argumentador diz que “estudos comprovam que…” em seu argumento, verifique se eles são devidamente referenciados

Há casos em que o texto ou vídeo antivegano menciona vagamente “estudos” que comprovariam a informação posta. Mas quando se procura saber que estudos são esses, descobre-se que eles foram omitidos pelo argumentador.

Isso é outro tipo de falácia: o apelo à autoridade anônima, que se apoia na autoridade da frase “Estudos comprovam/afirmam que…” sem informar ao leitor ou telespectador que material pesquisado teria sido esse.

O agravante, nesse caso, é que essas supostas pesquisas podem na verdade não existir e ser uma simples invenção do autor.

 

6. Verifique se a “grande prova” da argumentação antivegana em questão é um estudo sério ou um mero relato pessoal

Em muitos casos, o “alicerce” da argumentação do antivegano não é nenhum estudo referenciado ou inventado, mas sim um mero relato pessoal. Geralmente é sobre uma experiência passada sua de ter sido vegetariano, ou o caso de alguma pessoa próxima que tentou ser vegetariana mas, por algum motivo alegado, desistiu dessa alimentação e voltou a consumir alimentos de origem animal.

Esse também é um caso de falácia argumentativa: a evidência anedótica, que sustenta uma crença ou argumento a partir de um testemunho que não passou por qualquer análise científica séria.

No final das contas, é impossível o caso específico de uma única pessoa, ou de um conjunto muito pequeno e restrito de indivíduos, que sequer sabemos se foi contado com precisão ou de maneira manipulada, ser a base para se atestar a saúde de milhões de vegetarianos e veganos ao redor do mundo.

 

7. Confira se o material se fundamenta em falácias

Verifique se os argumentos utilizados naquele vídeo ou texto incorrem em falácias, como a falácia do espantalho, o apelo à autoridade, o argumento desconexo (non sequitur), a desqualificação pessoal (ad hominem), o apelo à autoridade anônima, o apelo à multidão ou o apelo à tradição.

Para você saber identificar cada tipo de falácia, consulte o Guia organizado de falácias antiveganas do Veganagente. Nessa página, há dezenas de tipos de falácias e centenas de exemplos. E é possível você identificar, a partir do que é abordado nela, outras ocorrências de falácias.

Costumo dizer que existe uma lei secreta da Lógica segundo a qual todo argumento antivegano é falacioso, incorrendo em um ou mais tipos de falácias. Quando observamos material antivegano, percebemos como essa lei é apurada e nunca falha.

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Robson Fernando de Souza

Autor dos blogs Consciencia.blog.br e Veganagente e do livro Veganismo: as muitas razões para uma vida mais ética. Formado em Licenciatura em Ciências Sociais (UFPE, 2016) e Tecnologia em Gestão Ambiental (IFPE, 2008). Adora Sociologia, meio ambiente, Direitos Animais & Veganismo e autoajuda.
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