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A mídia continua repercutindo, de forma manipuladoramente carnista, a notícia do experimento que interagiu uma planta do gênero Arabidopsis com ruídos de lagartas. Agora é o Gizmodo que vem tendo uma notícia tendenciosa propagada, insinuando que o resultado da experiência é algo “ruim” para os veganos, já que supostamente seria uma “pista” de que “plantas podem sentir dor” e isso invalidaria o veganismo.

A primeira frase da matéria divulgada no Gizmodo coloca sensorialidade e possibilidade de senciência vegetal onde não existe, ao dizer: “Ainda não está claro se plantas podem realmente sentir quando nós as comemos, mas uma coisa é certa: elas estão ouvindo.” E ao longo da matéria, o leitorado fica sem saber que a reação da planta aos sons da lagarta não tem nada a ver com a excitação de um inexistente sistema nervoso.

A fatídica notícia termina dizendo: “Já é quase impossível criar um bom substituto para carne, e agora mais essa? Assim fica difícil ser vegano”, como se realmente tivesse sido mostrada uma evidência de que plantas têm sentidos (como o tato e a audição) e revelada uma alta probabilidade de haver senciência em vegetais em geral.

É possível ver a tática de argumentação carnista nas entrelinhas: já que supostamente está “revelada” a suposta “alta probabilidade” de plantas sentirem dor, a ética vegana perderia assim o sentido. E já que é impossível parar de comer vegetais e estes “sentem dor”, não faria sentido abandonar o consumo de animais, uma vez que de qualquer jeito estaria-se comendo seres sencientes e causando sofrimento por uma “causa maior”, que é a alimentação humana.

O Gizmodo faz coro ao tabloide Daily Mail, que havia afirmado, de forma mais escandalosa e mentirosa, que o experimento foi uma “má notícia para os vegetarianos”. E ambos ignoram, adaptando o que eu já falei no post refutando o Daily Mail, que:

– A espécie vegetal que passou pelo experimento não se trata de uma planta comestível para humanos, e tentar imputar às folhas e caules comestíveis a mesma reação da planta Arabidopsis é uma postura falaciosa;

– Não houve nenhuma reação comparável à sensação da dor e à manifestação de sofrimento por parte da planta do gênero Arabidopsis. Nem foi provada a presença do sentido da audição, nem na Arabidopsis, nem em plantas em geral. O que houve foi uma reação físico-bioquímica ao estímulo sonoro – ou melhor, à frequência da vibração sonora do ar – emitido pelo ruído das lagartas. Absolutamente nada ali deixa a entender que foi “comprovado” que plantas seriam dotadas de consciência e capazes de manifestar dor e sofrimento e por isso deveriam ser protegidas pelos mesmos princípios éticos dos Direitos Animais.

Fica claro, com esse exemplo, que quaisquer matérias que sejam pertinente ao veganismo, tanto em termos de ética como de nutrição, vão atrair a atenção de jornalistas manipuladores, e eles vão usá-las para dar munição para os carnistas convictos, tentar amedrontar e desestimular os veganos e desencorajar os onívoros que não defendem convictamente os alimentos de origem animal de considerarem a possibilidade de aderirem ao veganismo. E desde já a comunidade vegana precisa estar preparada para responder, refutando cada manipulação e falácia vinda da militância carnista e da mídia aliada da indústria lacto-frigorífica.

Leia abaixo a resposta do Veganagente à matéria, clicando na imagem para vê-la em tamanho completo:

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