Conheça uma maneira de propagar o veganismo em que você provavelmente nunca havia pensado antes

Conversa com atendente sobre opções veganas

Imagine (ou relembre) essa situação.

Você está fora de casa e com fome, num shopping, no centro da cidade ou mesmo no bairro onde mora, e vai a uma lanchonete de fast-food. Lá pergunta se tem algo sem carne.

Aí lhe respondem que tem um sanduíche que leva queijo e ovos. Então você, contrariado, pergunta: “Mas tem alguma opção vegana?”.

Para sua surpresa, o atendente pergunta: “Que que é opção vegana?”.

E lá vai você, provavelmente se sentindo designado pelos céus ao fardo de dar uma miniaula sobre veganismo. Respondendo a perguntas como “O que é veganismo?”, “O que os veganos comem?”, “Não pode (sic) comer nem um queijinho?”, “E as plantas?” etc.

Se você tem paciência, bom conhecimento de causa e também um certo gosto por ensinar e conscientizar as pessoas, então trago uma boa notícia: isso pode ser uma ótima maneira de propagar o veganismo e, quem sabe, induzir muitos restaurantes, lanchonetes, pizzarias, sorveterias e bares a incluírem opções veganas em seu cardápio.

Convido você, neste artigo, a saber como isso será viável e poderá ser uma contribuição notável para a disseminação do veganismo no mundo.

 

As “miniaulas” improvisadas para atendentes como maneira de propagar o veganismo

Conversa com atendente sobre veganismo 2

Um possível e desejado desfecho das suas próximas conversas com atendentes de restaurantes e lanchonetes

Se você nunca notou que essa é uma ótima maneira de fazer o veganismo e os Direitos Animais serem conhecidos por um número crescente de pessoas, agora é a hora de você pensar “Como nunca tinha percebido nisso antes?”.

Cada atendente que lhe faz perguntas leigas sobre o que é e em que consiste ser vegan, e que é devidamente respondido, é uma pessoa a mais que, graças a você, saiu do completo desconhecimento para, no mínimo, a categoria de gente que já ouviu falar uma primeira vez sobre esse tema.

Bem provavelmente ele vai ficar curioso e, assim, procurar saber mais sobre o modo de vida vegano, seus fundamentos e suas razões. Poderá conversar com seus colegas, perguntar a eles se “já ouviram falar desse tal de veganismo”. E perceberá, pouco a pouco, que o consumo de alimentos de origem animal não é algo tão natural, óbvio e inofensivo quanto pensava.

Daí, quem sabe, daqui a alguns meses ou uns poucos anos, graças ao pontapé inicial que você deu para ele, o funcionário que hoje lhe pergunta “O quê que é opção vegana?” vai se tornar ele mesmo um vegano.

Quem sabe, também, a comedoria em questão, depois de receber um número relativamente significativo de veganos falando de veganismo para os atendentes, se sinta estimulada a lançar pratos veganos – e, num futuro mais distante, diante de um público vegano ainda maior interessado, até substituir todo o cardápio atual por versões veganas.

Assim sendo, você pode elaborar todo um plano de como falar com atendentes que vierem fazer perguntas com esse tema. Recomendo a você, para isso, que:

  • Estude o necessário, em sites, vlogs e livros especializados, para poder, com bom conhecimento de causa, ensinar “veganismo para leigos”;
  • Pense em quais argumentos, por serem incorretos, devem ser evitados – por exemplo, “O veganismo é um estilo de vida”, “Os veganos se movem por amor e misericórdia pelos animais”, “O ser humano é biologicamente herbívoro ou frugívoro”, “O veganismo pode ser motivado por saúde”, “Os veganos defendem todos os seres vivos” etc.;
  • Seja diplomático e paciente com pessoas que eventualmente tragam perguntas e contra-argumentos que para você podem soar muito bobos ou preconceituosos;
  • Tenha na ponta da língua algumas sugestões de sites, livros, documentários e canais de vídeo para recomendar a essas pessoas, para que conheçam melhor o veganismo e a culinária vegana;
  • Tome cuidado para não tomar muito tempo do funcionário, caso contrário ele poderá até ser prejudicado. Tenha a prudência de falar um conteúdo suficientemente rico em no máximo dois minutos;
  • E o mais importante, ocupe-se nesse tipo de diálogo apenas se tiver conhecimento, paciência e preparo para lidar com todas essas ocasiões de conversar com quem ainda não conhece o veganismo. Se você for do tipo impaciente e não muito bom em ensinar veganismo para leigos, diga apenas que opção vegana é um prato que não contém nada de origem animal (não contém carne, queijo, ovos, leite, manteiga ou mel).

Adicionalmente, você poderá também estender a conversa com o funcionário – se ele tiver disposição de ouvir você mais – ou mesmo levá-la para o gerente, apresentando o quanto vai ser positivo a empresa deles adotar opções veganas. Afinal, o público vegano e vegetariano está crescendo bastante, e o mercado de produtos vegetarianos e veganos é um dos poucos que têm resistido à crise econômica brasileira e mantido um crescimento notável.

 

Considerações finais

Um mundo vegano

Um mundo vegano, é o que você estará ajudando a construir com as sugeridas conversas com atendentes

Está aí uma ideia que, pelo menos aparentemente, poucos até hoje tiveram: usar as perguntas leigas de atendentes que estão ouvindo falar de veganismo e opções veganas pela primeira vez para promover um trabalho pedagógico de esclarecimento e conscientização.

Se você se sente “passivo demais no ativismo vegano” por, no momento, estar apenas tendo posturas veganas individuais (consumo seletivo, respeito à ética), acredito que essa iniciativa poderá fazer você se tornar mais proativo na disseminação do modo de vida vegano e da sua essência ética e política.

Fica claro, assim, que pode ser mais fácil e corriqueiro do que você imagina divulgar o veganismo e incentivar restaurantes, lanchonetes, pizzarias etc. a incluírem os veganos em seu público-alvo. Experimente, converse com quem vier atender você, e conte os resultados para quem está sedento de ver a libertação animal se tornar uma realidade mais próxima de se concretizar.

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Robson Fernando de Souza

Autor dos blogs Consciencia.blog.br e Veganagente e do livro Veganismo: as muitas razões para uma vida mais ética. Formado em Licenciatura em Ciências Sociais (UFPE, 2016) e Tecnologia em Gestão Ambiental (IFPE, 2008). Adora Sociologia, meio ambiente, Direitos Animais & Veganismo e autoajuda.
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