mitos-desmontados

Índice dos mitos antiveg(etari)anos desmontados

1. O ser humano precisa de carne e leite (não humano) para sobreviver.

Existem diversas comprovações científicas de que é perfeitamente possível alguém viver bem sem consumir carnes e outros alimentos de origem animal, como o parecer da Associação Americana de Dietética e Nutrição (AADN, antiga ADA) e o do Conselho Regional de Nutrição da 3ª Região. Uma alimentação sem animais, uma vez planejada de modo a prezar pela suficiência e equilíbrio de nutrientes – o que inclui a suplementação de vitamina B12 ou a inclusão de alimentos veganos fortificados com a vitamina -, serve mais que adequadamente às necessidades alimentares humanas, além de prover condições de saúde ainda melhores que a alimentação onívora.

A saber, a alimentação vegetariana estrita precisa ser bem planejada e balanceada assim como qualquer outro hábito alimentar humano, de modo que mantenha a saúde em boas condições. A ocorrência de deficiências e/ou excessos nutricionais não é exclusividade de versões desequilibradas e mal planejadas das dietas vegetarianas. Uma dieta onívora mal balanceada, com, por exemplo, excesso de gordura e de proteínas e carência de fibras, também pode causar os mais diversos problemas de saúde e desarranjos nutricionais, prejudicando até mesmo a absorção de nutrientes que abundam em alimentos de origem animal.

 

2. Vegetais não oferecem proteínas suficientes.

O parecer da AADN afirma, nas páginas 2 e 3 do arquivo PDF, sobre as proteínas:

A proteína vegetal pode atender à demanda corporal por proteína quando uma variedade de vegetais é consumida e as necessidades energéticas são atendidas. Pesquisas indicam que uma diversidade de alimentos vegetais consumidos ao longo de um dia pode prover todos os aminoácidos essenciais e assegurar a retenção e uso adequados de nitrogênio em adultos [porém o parecer não nega a suficiência proteica da alimentação vegetariana em crianças, adolescentes e idosos]; assim, proteínas complementares não precisam ser consumidas na mesma refeição.

a página do Comitê de Médicos pela Medicina Responsável (PCRM) afirma que a recomendação de consumo diário de proteína é mais baixa do que os alimentos de origem animal proveem, havendo a recomendação, com alta margem de segurança, de 0,8 grama de proteína por quilo de peso corporal (ou seja, se você pesa 60 quilos, precisará comer, por alto, 48 gramas de proteína ao longo de um dia). Diversas fontes de aminoácidos essenciais, compostos que o corpo humano usa para sintetizar as proteínas que serão assimiladas ao corpo humano, são indicadas pelo PCRM, como tofu, feijão preto, lentilha e quinoa.

Ou seja, não há preocupações sobre obter proteína de uma dieta vegana. O máximo que se precisa é consumir uma diversidade, ainda que pequena (como, por exemplo, uma leguminosa como feijão e um grão como arroz), ao longo de um dia para atender à necessidade diária de proteína.

 

3. Existem proteínas (ou aminoácidos essenciais) exclusivamente animais, indispensáveis para o funcionamento do organismo humano.

Isso foi abordado nesse vídeo do Consciencia.VLOG.br. Não há qualquer necessidade na ingestão de “proteínas/aminoácidos exclusivamente de origem animal”, até porque não existem aminoácidos essenciais ausentes no Reino Vegetal. Provavelmente a confusão sobre a existência de tais aminoácidos exclusivos se dá porque a maioria dos vegetais contêm a chamada proteína incompleta, que se trata da presença de um ou mais aminoácidos essenciais em baixa quantidade, enquanto os alimentos de origem animal contêm a chamada “proteína completa”, com todos os aminoácidos em quantidade satisfatória. Mas, como foi afirmado na resposta ao mito anterior, os vegetais de proteína incompleta podem ser mutuamente complementados se consumidos em diversidade simultaneamente ou ao longo de um dia – por exemplo, o arroz fornece os aminoácidos que o feijão possui em baixa quantidade e vice-versa. E há vegetais com proteína completa, como a soja e seus derivados.

 

4. Vegetarianos correm alto risco de sofrer anemia por carência de ferro.

Não há dados estatísticos atestando incidência mais alta de anemia ferropriva (por carência de ferro) em vegetarianos e veganos do que em onívoros. O parecer da AADN sobre alimentação vegetariana afirma inclusive que as taxas de ocorrência desse tipo e anemia são similares entre veg(etari)anos e não vegetarianos. Além disso, é mais que possível encontrar fontes boas de ferro em vegetais, como leguminosas, complementando seu consumo com boas fontes de vitamina C – folhas verdes-escuras e frutas cítricas, consumidas in natura ou em sucos.

 

5. O ferro heme, encontrado apenas em alimentos de origem animal, é essencial para o ser humano.

O ferro não precisa ser heme para fazer bem ao ser humano. O não heme, ainda mais quando acompanhado de uma fonte de vitamina C (como um suco de acerola), provê toda a necessidade diária de ferro para vegetarianos de qualquer idade – mas gestantes precisarão suplementar o ferro. O que causa a confusão entre algumas pessoas é que o ferro heme, exclusivo de alimentos de origem animal, é de absorção mais fácil e não precisa de potencializadores, mas isso não quer dizer que o ferro não heme seja insuficiente para o corpo humano.

 

6. Vegetarianos correm alto risco de osteoporose, porque não consomem cálcio suficiente.

Há dúvidas sobre se o ser humano realmente precisa consumir tanto cálcio quanto é recomendado no Brasil e nos EUA. Conforme revela Eric Slywitch no livro Alimentação sem carne (página 51), a recomendação de consumo na Índia é de 450 miligramas de cálcio por dia, e no México é de 500mg, enquanto Brasil e EUA recomendam uma taxa entre 1.000 (pessoas entre 19 e 50 anos) e 1.200mg (pessoas com mais de 50 anos). Além disso, também segundo Slywitch, não existem dados conclusivos sobre o impacto de um consumo diário abaixo dessa taxa brasileira e americana na saúde óssea do ser humano.

O parecer da AADN diz, na página 4 do arquivo PDF:

Dietas ricas em carne terrestre, peixe, laticínios, castanhas e grãos produzem um influxo alto de ácido nos rins, principalmente devido aos resíduos de sulfato e fosfato. A retirada de cálcio dos ossos ajuda a compensar esse carregamento de ácido, resultando em perdas aumentadas de cálcio. (…) Por outro lado, frutas e verduras ricas em potássio produzem um influxo alcalino nos rins que diminui a retirada do cálcio ósseo e diminui as perdas de cálcio na urina. Adicionalmente, alguns estudos mostram que a proporção entre a ingestão de cálcio e proteína é um melhor previsor da saúde óssea do que apenas a ingestão de cálcio.

Mesmo que a ingestão de cálcio por veganos e vegetarianos estritos seja menor do que por lacto e ovolactovegetarianos e onívoros, não há dados suficientes para atestar uma probabilidade maior de degeneração óssea nos primeiros. Além disso, o consumo excessivo de cálcio – ou seja, o consumo de laticínios – pode prejudicar a absorção de ferro nas dietas vegetarianas.

 

7. Não existem fontes de ômega-3 fora dos alimentos de origem animal.

Existem: linhaça, que é uma boa fonte de ácido alfa-linoleico, um ácido graxo ômega-3 cujo consumo diário recomendado para mulheres e homens é respectivamente 1,1 e 1,6g por dia. Também há a opção de ingerir suplemento de microalgas, produtoras do ácido graxo docosa-hexaenoico, também ômega-3 e melhor para o funcionamento do sistema cardiovascular, do cérebro e dos olhos.

 

8. Não existem fontes de vitamina B12 fora dos alimentos de origem animal.

Existe a B12 dos suplementos e dos alimentos veganos fortificados, originada de fontes bacterianas, não animais. A ausência de B12 aproveitável para humanos em fontes vegetais naturais não quer dizer que não existam fontes dessa vitamina fora dos alimentos de origem animal.

 

 9. O ser humano precisa de carne, já que não consegue digerir celulose.

A incapacidade de digerir celulose diz respeito apenas à obtenção de energia a partir da digestão de alguns tipos de vegetais, como folhas e caules. Porém, a energia é obtida de inúmeras outras fontes, como frutas, legumes, sementes, oleaginosas, grãos e cereais, através dos carboidratos, proteína e gorduras. Mesmo os vegetais com celulose, mesmo não sendo decompostos para geração de energia, ainda fornecem inúmeros nutrientes, como vitaminas e sais minerais. Qualquer vegetal comestível pode ser normalmente ingerido, e o universo de vegetais provê praticamente todos os nutrientes necessários para o organismo humano – exceto a vitamina B12, que é suplementada. Além disso, a celulose funciona como fibra alimentar, facilitando a produção e excreção fecal nos humanos.

 

10. Só poderemos ter uma alimentação livre da necessidade de explorar e abater animais quando nossa alimentação se tornar 100% sintética.

A alimentação vegana abole qualquer necessidade de uma futura alimentação 100% sintética. Ela provê tudo que o ser humano precisa, não sendo a suplementação (ou obtenção a partir de alimentos fortificados) de vitamina B12 nenhum monstro de sete cabeças. Se hoje a alimentação vegetariana estrita já provê tudo adicionada do suplemento de B12, ela se tornará praticamente isenta dos questionamentos nutricionais atuais tanto quando a lei obrigar a fortificação de certos alimentos vegetais industrializados com B12 como quando for desenvolvido e disseminado um método natural e orgânico de fortificação de vegetais recém-colhidos com a vitamina.

 

11. O vegetariano enriquece a indústria das vitaminas, pois não vive sem um suplemento multivitamínico na bolsa.

O único nutriente que os vegetarianos têm o necessário costume de suplementar é a vitamina B12, que pode ser ingerida diária ou semanalmente por via oral, além do ferro para as gestantes. Quanto ao restante dos nutrientes, não há necessidade de suplementação para a maioria dos veg(etari)anos. Mas isso não impede que o vegetariano queira, por vontade própria, suplementar algumas de suas vitaminas, assim como muitos onívoros fazem.

 

12. O vegetariano tem que comer sempre produtos integrais, granola, derivados de soja, alimentos fortificados sofisticados, essas coisas naturebas caríssimas, para viver bem.

Esses alimentos são excelentes fontes extras de nutrientes, mas não vão muito além disso: fontes extras. Há uma enorme diversidade de vegetais baratos e facilmente acessíveis a fornecer os nutrientes de que precisamos. Alimentos integrais estão sendo de fato muito recomendados por nutricionistas, mas essa recomendação está sendo comunicada a todos, não apenas a vegetarianos.

 

13. Vegetarianos precisam comer soja ou análogos a carnes (bolinho de arroz, seitan etc.) para obter nutrientes substitutos da carne.

Como é abundante a variedade de alimentos à base de soja ou glúten que lembram carnes e muitos vegetarianos gostam deles tanto quanto onívoros gostam de carne, surgiu o mito de que essa preferência (não generalizada) por proteína de soja e “bifes” de glúten visaria, acima de tudo, substituir os nutrientes que a carne provia antes. A verdade é bem diferente: a alimentação vegetariana preza pela diversidade para substituir nutrientes de origem animal e muitos vegetarianos vivem muito bem mesmo não gostando de soja ou seitan. No entanto, é verdade que a soja se assemelha à carne por prover todos os aminoácidos essenciais e esse é um motivo que faz muitos terem preferência por derivados de soja – o que não quer dizer, porém, que comê-la é essencial.

 

14. Adultos podem ser vegetarianos, mas crianças e adolescentes precisam de carne e outros derivados animais para sobreviver.

O relatório da AADN, o site do PCRM e outras entidades de saúde e nutrição não concordam. Sendo a única diferença relatada pela AADN entre crianças veganas e onívoras a altura ligeiramente menor, mas ainda em nível adequado de relação peso-altura, das primeiras, não há o que se preocupar em se tratando de criar filhos veganos. Seu desenvolvimento é tão seguro e saudável quanto o de jovens onívoros bem alimentados.

 

15. Muitos casos recentes na internet mostram que o vegetarianismo não faz bem para crianças.

Esses casos – que até o momento foram três divulgados na mídia internacional nos últimos dez anos – foram comentados nesse post. Todos eles decorreram de má alimentação e ignorância médico-nutricional dos pais, nunca por causa especificamente de uma alimentação livre de derivados de origem animal.

 

16. Grávidas e lactantes não podem ser vegetarianas.

Essa afirmação não tem embasamento científico satisfatório. O relatório da AADN mostra que não há estudos bastantes para comprovar que mulheres grávidas ou lactantes não podem ser vegetarianas. Pelo contrário, afirma-se que não há riscos desde que alguns nutrientes-chave, como ferro e zinco, sejam consumidos em maior quantidade. E a vitamina B12 deve ser indiscutivelmente suplementada com uma dose ligeiramente maior, e a suplementação de ferro por gestantes é bastante recomendada.

 

17. Vegetarianos não podem se dedicar a hobbies atléticos ou esportes, pois não têm sustância nutricional bastante.

O ex-velocista Carl Lewis, o ex-boxeador Éder Jofre e a tenista Serena Williams são algumas das provas vivas mais conhecidas atualmente de que a o vegetariano, estrito ou não, tem capacidade total de se empenhar em malhação, corrida e esportes. Os três ex-esportistas são exemplos de atletas vencedores: Lewis, que se tornou vegetariano estrito em 1990, ganhou enquanto vegetariano estrito três medalhas de ouro olímpicas em 1992 e 1996 e três medalhas (duas de ouro e uma de prata) no Campeonato Mundial de Atletismo de 1991; Jofre, das 81 lutas que travou, perdeu apenas duas e deu nada menos que 50 nocautes; e Williams, que se tornou vegetariana estrita no começo de 2012, foi campeã do torneio de Wimbledon.

Como vegetarianos consomem mais carboidratos, obtêm grande parte da energia necessária para exercícios físicos de um bom estoque de carboidratos e proteínas. O relatório da ADA, em relação às proteínas, afirma:

Dietas vegetarianas que atendem às necessidades energéticas e contêm uma variedade de alimentos proteicos vegetais, tais como produtos de soja, outros legumes, grãos, nozes e sementes, podem prover proteína adequada sem o uso de alimentos especiais ou suplementos.

Mas isso não impede que o vegetariano malhador intensivo sinta a necessidade de consumir aditivos, como os BCAAs e a creatina, havendo variedades de origem não animal para ambas. Mas essa necessidade não é peculiar dos vegetarianos, pois se iguala à dos onívoros de consumir tais produtos para uma otimização de seu desempenho físico.

 

18. Vegetarianos são sempre magricelas, não conseguem engordar.

A afirmação de que o vegetarianismo impossibilita que a pessoa engorde é um mito sustentado pelos fatos de que vegetarianos consomem bem menos gordura que onívoros e que o percentual de gordos entre os vegetarianos é bem menor do que o de gordos entre os onívoros – considerando-se a combinação entre alimentação e estilo de vida. Pessoas veg(etari)anas que se alimentam com muitos carboidratos, frituras e castanhas ricas em gordura, levam uma vida sedentária e não sabem comer devagar podem ganhar peso até com certa rapidez. Uma dieta vegetariana rica em açúcar, frituras e massas tenderá a engordar a pessoa assim como qualquer onívoro engordaria sob tal condição.

 

19. Alimentar cães e gatos com alimentação vegana é loucura!

Provendo todos os nutrientes adequados, sintéticos ou não, necessários, a alimentação vegetariana é viável para cães e gatos. Existe até uma marca de ração vegetariana para cães no Brasil. Quanto aos gatos, que são carnívoros, há no exterior opções de ração vegana com taurina e ácido araquidônico sintéticos. A tendência é que, nos próximos anos, sejam desenvolvidas e comercializadas ainda mais opções de rações veganas para as duas espécies em todo o mundo.

Em relação à alegada violação da natureza dos cães e gatos, que seria orientada para o consumo de carnes, esse artigo do dr. Walter de Albuquerque Araújo informa satisfatoriamente sobre o suposto problema.

5 comments

    1. Sim, a mídia costuma disseminar mitos, com reportagens ocasionais dizendo, por exemplo, que vegetarianos correm risco de desnutrição – e a moda recente é dizer que crianças “não podem” ser vegetarianas. Dizer que a mídia não divulga mitos simplesmente por ser “a grande mídia” é falácia de apelo à autoridade.

    2. Ué, Comedor de Carne, nenhuma das matérias que você citou ataca de qualquer forma a alimentação vegetariana ou vegana. Eles simplesmente afirmam que, em quantidades moderadas, não faz mal à saúde comer carne (convenientemente, sem qualquer referência ao impacto no meio ambiente ou ao sofrimento animal).

      Ou seja, não há em nenhum momento uma “posição contrária” aos argumentos desse artigo, como você apregoa. Muito pelo contrário, as matérias até ENDOSSAM uma alimentação sem carnes, conforme comprovam os seguintes recortes:

      “O ser humano não precisa de carne vermelha para viver bem – VERDADE.”
      [segue a explicação]

      “Não existe substituto para a carne vermelha – MITO.”
      [segue a explicação]

      EXTRAÍDO DA SUA PRÓPRIA FONTE:
      http://gnt.globo.com/bem-estar/noticias/Carne-vermelha–veja-resposta-para-mitos-e-verdades.shtml

  1. Nao concordo nem um pouco com os argumentos de vcs, possuo uma grande vontade de me tornar um vegetariano e futuramente um vegano, porem cada vez mais estudos mostram que diversos nutriente nao podem ser suplementados, ou suplementados de forma igual em uma dieta vegana
    Eis aqui o estudo de um especialista, creio que tudo serve de informaçao e que toda informaçao é sempre valida

    http://www.universomistico.org/s/o-mito-do-vegetarianismo.html

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