Para o Greenpeace, cães podem ser literalmente usados, como "adorno majestoso" de "líderes mundiais" imaginários
Para o Greenpeace, cães podem ser literalmente usados como “adorno majestoso” de “líderes mundiais” imaginários

Uma postagem em português do Greenpeace no BuzzFeed, do último dia 8, fez uma espécie de jogada interativa com os leitores do portal para estes descobrirem como seriam se fossem individualmente líderes do mundo. Tentou promover campanha de conscientização pró-ambientalista, mas cometeu um erro grave em se tratando de tratamento ético dos seres não humanos: colocou uma dupla de cachorros numa lista de “acessórios majestosos” dos quais o respondedor da postagem selecionaria um.

A objetificação dos cães ocorreu na sexta questão, que solicita ao respondedor que “escolha um acessório majestoso”. Eles aparecem misturados a uma capa monárquica, um colar de ouro, um avião jatinho, um sapato salto-alto de luxo e uma coroa.

Fica evidente que, por ter sido uma postagem oficial da sucursal internacional do Greenpeace, a ONG considera oficialmente animais não humanos como sendo coisas para usufruto de humanos. Não basta naturalizar e considerar “nada de mais” o consumo de produtos derivados de exploração e matança de animais – e proteger pecuaristas e empresários pesqueiros –, também acredita que cães são objetos para serem possuídos, usados e ostentados por seus tutores, considerados seus “donos” pela entidade.

Esse erro é mais um entre diversos outros que o Greenpeace tem tomado, no Brasil e internacionalmente, quando o assunto é Direitos Animais e veganismo. Por aqui, deixa claro que não apoia o veganismo como maneira de combater o impacto ambiental da exploração animal, nem considera os animais ditos “de consumo” seres da Natureza a serem preservados, e enrola na tentativa de justificar tal posição. Restringe-se a defender reformas paliativas que fantasiosamente reduziriam a zero o desmatamento causado no país pela bovinocultura.

No exterior, respondeu às tentativas do cineasta vegano Keegan Kuhn, durante a produção do documentário Cowspiracy: o segredo da sustentabilidade, com fechadas de porta na cara às vezes literais. O produtor queria saber da ONG qual a posição dela sobre os impactos ambientais da pecuária e da pesca e por que ela não realiza campanhas em defesa da diminuição ou eliminação do consumo de produtos animais, e nunca foi respondido com a seriedade e respeito que merecia.

Os animais não humanos, pelo visto, estão sendo e continuarão sendo a pedra no sapato da entidade. Sua atitude de reduzi-los a objetos de consumo ou ostentação e desprezar o titânico impacto ambiental da exploração animal para fins de consumo está custando caro para sua reputação como ONG supostamente séria e dedicada à proteção ambiental.

Protestos podem ser enviados na caixa de comentários do Facebook na postagem do Greenpeace no portal. Deixemos claro para a organização que, ao contrário do que ela crê do alto do seu especismo, cães não são objetos de adorno, e sim seres sencientes que têm direitos e devem ser respeitados, nunca proprietarizados e explorados. Aproveitemos e deixemos um recado também lembrando o seu descaso institucional perante a destruição ambiental provocada pela pecuária e pela pesca.

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