Notícia falsa sobre ovelhas sexualmente exploradas

No último dia 16 de maio, uma página que diz lutar “pelo fim da escravidão animal” compartilhou uma notícia bizarra. Segundo ela, um fazendeiro neozelandês chamado Allan Seymour teria sido preso por exportar ovelhas para instalações do Estado Islâmico na Síria, onde elas seriam estupradas pelos terroristas da organização.

A suposta matéria causou ódio, revolta e indignação em milhares de leitores da página, e até o momento a postagem foi compartilhada no Facebook por quase 750 pessoas. Mas é preciso alertar: a notícia é falsa.

Por que a notícia é falsa

A fake-news em questão tem como fonte o site canadense World News Daily Report, que é um site dedicado a criar notícias totalmente falsas para fins satíricos. É uma espécie de Sensacionalista canadense de temas internacionais. O próprio site revela, no seu rodapé (tradução minha):

“O World News Daily Report assume toda a responsabilidade pela natureza satírica de seus artigos e pela natureza ficcional de seu conteúdo. Todos os personagens que aparecem nos artigos deste site – mesmo aqueles baseados em pessoas reais – são inteiramente fictícios, e qualquer semelhança entre eles e qualquer pessoa, seja viva, morta ou morta-viva, é puro milagre.”

Para alguns dos leitores revoltados chamou a atenção também esse trecho:

““A lei islâmica permite dormir com cabras, ovelhas ou outros animais desde que o animal seja morto depois, o que explica os números elevados”, acrescenta ele.”

A afirmação, tal como todo o conteúdo da “notícia”, também é falsa. O islã possui toda uma série de regras bem-estaristas que condenam atos de violência gratuita como a zoofilia e a matança de animais sem fins como a alimentação. Não chega a apoiar explicitamente o vegetarianismo ou o protovegetarianismo, tal como o hinduísmo, o budismo, o jainismo e a Igreja Adventista cristã apoiam, mas não admite atos tão extremos de violência contra os animais.

Conclusão

Todo o rage de quem leu a tal matéria se deu por causa de algo que nunca aconteceu, ou seja, uma fake-news de mau gosto criada por um site satírico.

E lembrando: quem se revoltou contra a religião islâmica por causa dessa notícia falsa cometeu intolerância religiosa. E esse tipo de discurso de ódio é crime e viola diversos princípios da própria Ética Animal – como a igualdade moral, a desconstrução de hierarquias morais e o combate ao preconceito e aos argumentos falsos usados para sustentá-lo.

Fica a recomendação para que a página que traduziu e reproduziu a tal matéria apague a postagem falsa o quanto antes, até para evitar pôr em risco sua credibilidade.

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