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Foi lançado no mês passado a nova versão do Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, substituindo a versão de 2006. A atual representa um avanço para a população vegana e vegetariana brasileira: reconhece o vegetarianismo (estrito) como viável para a saúde humana e, indiretamente, como mais saudável do que dietas que contenham alimentos de origem animal.

Como o Vista-se mostrou, o tom do novo guia em relação à alimentação vegetariana é muito diferente do que ostentava o antigo de 2006. A página 84 afirma, mantendo um pouco do antigo cautelismo mas já abrindo-se à clara possibilidade de se eliminar da mesa todos os alimentos de origem animal:

Por diversas razões, algumas pessoas optam por não consumir alimentos de origem animal, sendo assim denominadas vegetarianas. A restrição pode ser apenas com relação a carnes ou pode envolver também ovos e leite ou mesmo todos os alimentos de origem animal. Embora o consumo de carnes ou de outros alimentos de origem animal, como o de qualquer outro grupo de alimentos, não seja absolutamente imprescindível para uma alimentação saudável, a restrição de qualquer alimento obriga que se tenha maior atenção na escolha da combinação dos demais alimentos que farão parte da alimentação. Quanto mais restrições, maior a necessidade de atenção e, eventualmente, do acompanhamento por um nutricionista.

É possível dizer, apesar dessa recomendação de “maior atenção” para a alimentação, que o guia considera a alimentação livre de produtos animais mais saudável e sustentável do que a alimentação não vegana. O documento faz duas contrarrecomendações contra os alimentos de origem animal – uma concernente à saúde, na página 30:

Alimentos de origem animal são boas fontes de proteínas e da maioria das vitaminas e minerais de que necessitamos, mas não contêm fibra e podem apresentar elevada quantidade de calorias por grama e teor excessivo de gorduras não saudáveis (chamadas gorduras saturadas), características que podem favorecer o risco de obesidade, de doenças do coração e de outras doenças crônicas.

E uma de cunho ambiental, nas páginas 31 e 32:

A diminuição da demanda por alimentos de origem animal reduz notavelmente as emissões de gases de efeito estufa (responsáveis pelo aquecimento do planeta), o desmatamento decorrente da criação de novas áreas de pastagens e o uso intenso de água. O menor consumo de alimentos de origem animal diminui ainda a necessidade de sistemas intensivos de produção animal, que são particularmente nocivos ao meio ambiente.

Típica desses sistemas é a aglomeração de animais, que, além de estressá-los, aumenta a produção de dejetos por área e a necessidade do uso contínuo de antibióticos, resultando em poluição do solo e aumento do risco de contaminação de águas subterrâneas e dos rios, lagos e açudes da região. Sistemas intensivos de produção animal consomem grandes quantidades de rações fabricadas com ingredientes fornecidos por monoculturas de soja e de milho.

Essas monoculturas, por sua vez, dependem de agrotóxicos e do uso intenso de fertilizantes químicos, condições que acarretam riscos ao meio ambiente, seja por contaminação das fontes de água, seja pela degradação da qualidade do solo e aumento da resistência de pragas, seja ainda pelo comprometimento da biodiversidade.

O uso intenso de água e o emprego de sementes geneticamente modificadas (transgênicas), comuns às monoculturas de soja e de milho, mas não restritos a elas, são igualmente motivo de preocupações ambientais.

O Vista-se deixa claro que:

O Guia Alimentar Para a População Brasileira é o material mais importante do país e o posicionamento oficial do governo a respeito da alimentação dos brasileiros. Serve também para formar a opinião de milhares de profissionais de saúde como médicos e nutricionistas. Por isso, o novo jeito do Ministério da Saúde encarar a alimentação praticada pelos veganos é uma excelente notícia, principalmente para os animais.

De fato o novo guia representa um avanço, um primeiro passo em se tratando de o Estado brasileiro reconhecer a existência do veganismo e dos vegans e, de agora em diante, não estabelecer políticas que afrontem a convicção vegana de muitos brasileiros – como decretar obrigatoriedade para testes em animais para determinados produtos – e ele mesmo procurar iniciar uma guinada da atual política de incentivo à exploração animal e ao agronegócio para uma nova política pública que de fato respeite cada vez mais os animais não humanos e os próprios seres humanos.

3 comments

  1. Todas as informações disponíveis à abertura da consciência humana, são muito necessárias. Os estudantes de todos os níveis de escolaridade, precisam ter acesso a uma vida saudável sem violências. Existem muitos mitos e estes devem ser esclarecidos para serem dissolvidos em relação a muitos pontos que tratam do Vegetarianismo, principalmente, o que se relaciona a Vitamina B12. A compreensão precisa alcançar a lucidez do que verdadeiramente é viver de forma fraterna com todos os seres deste planeta Terra.

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