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O documentário O mundo vegetariano (The Vegetarian World), de 1982, é uma relíquia para o movimento vegano-abolicionista de hoje. Produzido em 1982 por canadenses e narrado por William Shatner (na época ovolactovegetariano), o Capitão Kirk de Jornada nas Estrelas, o filme já falava que a população vegetariana de países como EUA, Canadá e os da Europa Ocidental estava em franco crescimento, e anunciava as maravilhas, em termos de gastronomia, saúde e consciência ética individual, que uma pessoa que abole pelo menos a carne de suas refeições passa a descobrir.

É certo que ele pouco abordou sobre os Direitos Animais, tendendo ao bem-estarismo e enfatizando apenas as crueldades óbvias da produção de vitela – as quais persistem até hoje -, mas deve-se perceber, ao se reparar nisso, que era uma outra época, o veganismo enquanto postura ética ainda era pouquíssimo conhecido, e provavelmente nem existia ainda o movimento abolicionista animal como se conhece hoje. Além das referências bem-estaristas, o documentário explora as motivações hoje consideradas secundárias, mas na época acreditadas como as mais importantes, para a adoção de uma alimentação sem carne – a sensação de consciência limpa e paz de espírito, a saúde e o preparo físico aprimorados, a crença num estado espiritual mais harmonioso e equilibrado e a convicção de ter uma alimentação ecologicamente mais equilibrada (mesmo numa época em que o termo “sustentabilidade” sequer havia sido cunhado, não se reconhecia o problema das mudanças climáticas e sua causa nas emissões de gases estufa e ainda era subestimado o impacto ambiental da pecuária e da pesca).

Já naquela época era cada vez mais reconhecido que a alimentação vegetariana é sustentável em termos de saúde, e ainda mais saudável do que as dietas onívoras, o que coloca os carnistas de hoje como atrasados em mais de 30 anos em termos de conhecimento nutricional. E além disso, o filme também aborda que já eram uma tendência crescente os restaurantes vegetarianos em diversas cidades da Europa Ocidental, da América do Norte e de outros países, como Israel e Índia. Diante desse fato, percebemos como milhares de municípios brasileiros estão com décadas de atraso, em comparação com essas cidades do exterior, em se tratando de disponibilidade de uma variedade minimamente decente de restaurantes pelo menos dotados de opções nutritivas sem carne.

Vale a pena assistir a esse documentário, que tem menos de 30 minutos de duração, e pensar tanto como o movimento pela ética na alimentação evoluiu de 1982 para cá, quanto como um atraso de mais de três décadas marca a mentalidade dos carnistas e a realidade de veganos e vegetarianos que moram em muitas cidades do interior brasileiro. Isso sem falar no valor simbólico que é ter contato com essa que é uma autêntica relíquia do movimento veg(etari)ano global.

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