O veganismo adaptado à direita: como ele é e que efeitos tem para a luta pela libertação animal

O elefante republicano estadunidense: potencial símbolo do veganismo adaptado à direita

O elefante republicano estadunidense: potencial símbolo do veganismo adaptado à direita

Editado e atualizado em 08/03/2017 às 17h50

Você tem percebido que, desde alguns anos atrás, tem ficado cada vez mais evidente que há uma divisão político-ideológica no veganismo?

De um lado, tem-se desenhado um veganismo abolicionista assumidamente de esquerda, aliado fiel dos anticapitalistas, da agroecologia e permacultura, do ambientalismo, dos movimentos de minorias políticas, dos trabalhadores urbanos e rurais etc.

Do outro, como reação ao aparecimento dessa esquerda vegana, tem surgido um veganismo sociopoliticamente conservador e/ou neoliberal, adaptado às crenças de vegans de direita e cujos efeitos potenciais para a desejada abolição da exploração animal são no mínimo duvidosos.

Venha, ao ler este artigo, conhecer como se desenha esse veganismo “sob medida” para a direita e se ele tem alguma força para enfrentar o especismo e libertar os animais não humanos.

 

“Animais não humanos em primeiro lugar”: como é esse veganismo adaptado à direita

Imagens veganas de direira

O veganismo “virado à direita” realça que sua atenção ética é “apenas para os animais não humanos”. Diz defender exclusivamente os Direitos Animais e nega com rigor a sincronia entre estes e os Direitos Humanos ou o ambientalismo. Traz uma definição purista e excludente de veganismo – que se contradiz inclusive com a definição fornecida pela Vegan Society da Grã-Bretanha, a qual não exclui os seres humanos da consideração moral das ações dos veganos.

Não aceita o esforço de vegans de esquerda de divulgarem como os princípios da ética vegana se estendem aos seres humanos, por meio dos Direitos Humanos, nem que possa haver algum diálogo entre o veganismo e os movimentos sociais. Afirma que as outras bandeiras de luta são totalmente estranhas e até contrárias ao veganismo.

Acredita que existe uma muralha separando os conceitos e práticas dos Direitos Animais daqueles dos Direitos Humanos, do movimento trabalhista, do ambientalismo, da agroecologia e permacultura etc. E nega qualquer possibilidade de esse muro ser derrubado ou atravessado.

Essa atitude perante bandeiras humanas e ambientalistas não fica só na separação rigorosa. Reflete-se na pouca ou ausente solidariedade da sua convicção vegana perante as outras bandeiras de luta. É como se fosse essencial os veganos preocuparem-se apenas com a exploração animal e deixarem as demais causas para outras pessoas de fora do veganismo defenderem. Dá-se no máximo um gesto de “joinha” para o meio ambiente e a humanidade, ou mesmo declara-se oposição explícita aos outros movimentos.

Com isso, traz uma incoerência no seu discurso de respeito à ética animal. Nega e rejeita a aplicação dos princípios animalistas – oposição à objetificação e exploração de seres sencientes, ética baseada na empatia, questionamento da moral excludente vigente, reconhecimento de que todos os pacientes morais merecem direitos fundamentais etc. – para os animais humanos.

Isso se reflete nas manifestações preconceituosas, excludentes e às vezes carregadas de ódio vindas de vegans de direita. Misantropia, xenofobia, racismo velado ou explícito, machismo e misoginia, heterossexismo, transfobia, elitismo, intolerância religiosa, aversão aos Direitos Humanos, etnocentrismo convicto, gordofobia, capacitismo etc. não são nada raros no meio vegano-direitista.

Nesse contexto, a seletividade moral é tanta que muitos não hesitam em dizer que o veganismo pode ser abraçado sem que haja uma conscientização ética. Ou seja, que é possível a pessoa ser vegana e esse atributo não torná-la mais consciente do que é certo ou errado, benéfico ou prejudicial para outrem, ético ou antiético. Tanto é que é comum defenderem apaixonadamente que, por exemplo, as feministas deixem em paz homens “veganos” agressores de suas ex-namoradas e ex-esposas e passarem pano para adeptos de múltiplos discursos de ódio e posturas criminosas diversas.

 

Dois tipos de veganismo de direita

Esse mesmo veganismo “de direita”, aliás, tem sua própria subdivisão. Duas categorias podem ser identificadas:

  1. O “veganismo de não agressão”, conservador, que consiste na rejeição do indivíduo de participar do sistema cultural e econômico de exploração de animais não humanos, não investindo, porém, no enfrentamento desse sistema. Acredita que a atitude não agressora de cada vez mais indivíduos é o bastante para diminuir o número de não vegans e, a longo prazo, pôr um fim à exploração animal. Porém, ao tratar de seres humanos, curiosamente imita todos os valores morais preconceituosos que acabam alicerçando a hierarquia moral especista;
  2. O “veganismo engajado liberal”, que se opõe à cultura do especismo e deseja contribuir com o fim dela. Promove conscientização para não vegans, milita pela abolição do uso de animais não humanos como coisas, cogita criar partidos políticos que representem a causa vegana e usa o empreendedorismo capitalista como maneira de difundir o modo de vida vegano. Porém, rejeita enfaticamente que a abolição da exploração animal seja uma questão de revolucionar a moral vigente, enfrentar politicamente grandes indústrias e buscar a aliança e solidariedade dos movimentos sociais.

Ambas as subcategorias do veganismo adaptado à direita consideram o capitalismo um fértil campo de ação, por meio do qual a multiplicação de empresas veganas e o consumo consciente e boicotador seriam capazes de tornar a exploração animal algo desinteressante e indesejável para o agronegócio, a indústria, o comércio e os serviços.

Negam ou ignoram a existência de associação e semelhanças entre a moralidade capitalista e a exploração animal. Ou seja, não admitem que ambos possuem em comum:

  • A prevalência do interesse lucrativo e egoísta sobre a convicção ética;
  • A transformação do ser vivo senciente,  seja o trabalhador humano ou o animal não humano “fornecedor” de matéria-prima, num servo submisso ou numa máquina a serviço de um empresário;
  • E a força da propaganda e da ideologia conservadora como mantenedores do status quo e da fidelidade das pessoas ao mesmo.

Também agem como se não houvesse uma aliança entre a exploração de animais não humanos, a de seres humanos e a do meio ambiente. Nessa atitude, muitos veganos de direita, ao mesmo tempo em que defendem o boicote a tudo aquilo que tenha um mínimo de ingredientes de origem animal, não se importam, por exemplo, em comprar produtos fabricados por empresas denunciadas por emprego de mão-de-obra escrava, assédio moral ou crime ambiental.

Por exemplo, se alguma grande indústria de laticínios ou de fast-food que tenha um histórico de defender apaixonadamente o consumo de carne, leite e queijo e sofrer processos por crimes trabalhistas hipoteticamente lançasse uma opção de sanduíche vegetariano (livre de componentes de origem animal) com um sabor agradável para tentar atrair o público vegano e vegetariano, muitos deles não veriam problema em comê-lo, apesar de toda a trajetória de violências e abusos da corporação.

 

Direitos Animais já, mesmo que violando os Direitos Humanos

É graças a essa separação entre libertação animal e libertação humana que se torna possível, na mentalidade de vegans de direita, acreditar numa realidade na qual os animais não humanos são deixados em paz e têm amplos direitos reconhecidos e integralmente respeitados enquanto incontáveis seres humanos continuam sendo tratados como lixo.

Nessa imaginada situação:

  • Trabalhadores continuam sendo explorados e maltratados pelas empresas que os empregam;
  • Governos conservadores revogam um direito atrás do outro das minorias políticas humanas;
  • Os crimes de ódio baseados em discriminação e violência verbal ou física se multiplicam impunemente;
  • Movimentos sociais são cruelmente reprimidos pelas forças militares nas ruas;
  • Laboratórios universitários torturam prisioneiros humanos condenados por homicídio ou sequestro em violentas pesquisas científicas;
  • Empreendedores que se dizem veganos lucram alto às custas da exploração degradante de trabalhadores e do uso de publicidade machista e gordofóbica;
  • Prefere-se a repressão e a perseguição religiosa à reforma interna não violenta de fés como o candomblé, para se tentar coibir os sacrifícios de animais em rituais;
  • Produtos veganos gourmet se multiplicam por serem mais lucrativos e a classe média adepta do consumo vegano se expande rápido, enquanto os mais pobres continuam à margem do crescimento do veganismo e são até mesmo esnobados e intolerados pelos veganos elitistas e pauperofóbicos.

Mas essa realidade realmente é propícia para o crescimento do modo de vida vegano, a luta pelos Direitos Animais e a derradeira libertação dos animais não humanos? Vamos refletir sobre isso logo a seguir.

 

Por que veganismo adaptado à direita é veganismo reduzido à impotência

O veganismo "de verdade" despreza os humanos?

O mais lógico a se pensar é que uma vertente de veganismo tão excludente e cheia dos mesmos preconceitos e vícios morais que “justificam” o especismo não tem como dar certo, nem mesmo a um prazo muito longo, por mais vitórias locais e pontuais que eventualmente conquiste.

Em primeiro lugar, ao percebermos que muitos veganos de direita são tão preconceituos e insensíveis para com seres humanos diferentes deles quanto os especistas assumidos o são para com os animais não humanos, notamos de cara que a convicção vegana deles definitivamente não tem princípios éticos.

Eu especulo que o que fundamenta o consumo vegano de conservadores e neoliberais é:

  • A pena de ver animais sofrendo;
  • O desejo de pertencer a um grupo especial, que proporcione aos integrantes uma sensação de “superioridade” e diferenciação perante os pejorativamente chamados “comedores de cadáver”;
  • O caráter de moda do momento que a mídia tem dado ao veganismo;
  • A carência de fundamentação teórica filosófica e política na maioria dos conteúdos de conscientização animalista na internet;
  • Esses mesmos conteúdos focarem demais na misericórdia e na revolta de quem os vê ou lê e de menos na razão ética do seu público-alvo.

Sem uma solidez ética, acabam caindo numa contradição moral tão absurda quanto o especismo. Em outras palavras, enquanto os especistas respeitam seres humanos mas tratam os animais não humanos como seres inferiores, os “veganos” de direita manifestam um intenso afeto misericordioso pelos animais não humanos enquanto inferiorizam, com todo o seu preconceito e individualismo, seres humanos como mulheres, negros, pobres, pessoas trans, pessoas não hétero, pessoas neurodiversas, pessoas gordas, chineses, muçulmanos etc.

Nesse comportamento, reproduzem fielmente valores completamente avessos ao veganismo abolicionista, como:

  • A hierarquização moral, colocando alguns como superiores e outros como inferiores;
  • O apoio e legitimação à dominação violenta e à injustiça;
  • O ódio a quem pensa diferente deles;
  • O culto ao individualismo egoísta em detrimento da solidariedade;
  • E a defesa da repressão contra movimentos que questionam a moralidade vigente – mesmo que isso acabe prejudicando o próprio veganismo.

Geralmente não conseguem justificar racionalmente essa postura. É comum que reajam aos questionamentos com ataques pessoais, ridicularizações e falácias, como quando tacham todo mundo que se considera de esquerda como “petistas comunistas”, “socialistas de iPhone”, “hipócritas que não deixam de comprar produtos do capitalismo” etc. Ou então, em muitos casos, o ataque é seguido pelo fechamento definitivo do canal de comunicação, bloqueando ou banindo o interlocutor.

Uma outra posição controversa que limita o avanço desse tipo de veganismo é que ele defende que os veganos defendam apenas os animais não humanos. Fazem pouco caso da possibilidade de integrantes de movimentos feministas, negros, LGBTs, ambientalistas, trabalhistas etc. se tornarem vegans e lutarem simultaneamente pelos Direitos Humanos e os Direitos Animais.

E quando pessoas de esquerda aderem ao veganismo, são tratadas com descaso e hostilidade. É um “veganismo que briga com veganismo“, essencialmente sectário.

Em associação a esse esnobismo e hostilidade a pessoas que pensam diferente, há também a sobrevalorização de um estilo de vida elitista, regado a pratos alimentícios de preço irrazoável. Não é difícil perceber que o “veganismo” de muitas pessoas, por ser mais um fetiche consumista do que a prática de uma consciência ética, se importa mais com o consumo de sorvetes que custam dois dígitos de real a bola, pizzas veganas gourmet de shitake, linguiça vegetal cara e a ida a restaurantes e lanchonetes que cobram caro do que com a própria exploração animal.

Esse tipo de veganismo baseado em hábito de consumo dispendioso costuma também virar as costas para os trabalhadores pobres. Reluta em pensar um modo de vida vegano que seja adaptado à vida ocupada e cheia de privações dessas pessoas e dialogue com as demandas socioambientais que elas tenham.

Pouco faz para lhes dar orientações – leia-se conscientização ética e receitas veganas feitas exclusivamente com ingredientes baratos e acessíveis. E às vezes, no caso dos veganos elitistas, traz como agravante uma postura pessoal de discriminação e esnobismo contra quem tem baixa renda e trabalhos subalternos.

Por isso, acaba-se compartilhando aquele estigma do veganismo como um “movimento elitista e excludente de gente rica e classe média”, que se isola dos movimentos socioambientais e vira as costas para a população mais pobre.

Daí é óbvio de se esperar que a esquerda não vegana, quando vê esse estereótipo ser “confirmado” pelos direitistas, continue desconhecendo a importância e urgência de defender os Direitos Animais e às vezes aja ela mesma de forma reacionária e opositora contra as demandas dos animais não humanos e dos veganos mais sérios.

 

 

Considerações finais

The Vegan Gourmet, o gourmet vegano

Não aceitando pessoas de movimentos sociais, fazendo pouco caso da inclusão social de quem não pode pagar regularmente pelos caros produtos da maioria dos empreendedores veganos, tratando com ódio e discriminação a maioria dos seres humanos (composta de mulheres, negros, pobres, pessoas de fora do padrão de beleza, neurodiversos e outras minorias políticas) e defendendo com unhas e dentes um sistema econômico, social, político e moral baseado fundamentalmente em hierarquizar, dominar, explorar e excluir, fica muito claro por que o veganismo adaptado à direita não só não tem um futuro promissor, como também pode pôr a causa da libertação animal a perder.

Com isso, é até possível um direitista ser vegano. Mas seu veganismo, longe de ter o poder de contribuir ativamente para o fim do especismo e seus violentos princípios morais, nada mais será do que um hábito de consumo motivado por motivos como pena de animais em sofrimento, vontade de se diferenciar das massas e acesso a uma culinária gourmet.

Desprovido de fundamentos éticos e de uma razão política de existir e agir, o veganismo adaptado à direita tem todos esses problemas. Preferir reagir com ódio e desdém quando estes são apontados em nada vai ajudar os animais, nem contribuir para a conscientização e formação de pessoas mais éticas.

 

Robson Fernando de Souza
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Robson Fernando de Souza

Autor dos blogs Consciencia.blog.br e Veganagente e do livro Veganismo: as muitas razões para uma vida mais ética. Formado em Licenciatura em Ciências Sociais (UFPE, 2016) e Tecnologia em Gestão Ambiental (IFPE, 2008). Adora Sociologia, meio ambiente, Direitos Animais & Veganismo e autoajuda.
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29 Comments on “O veganismo adaptado à direita: como ele é e que efeitos tem para a luta pela libertação animal

    • Não fazem, mas “deveriam” fazer segundo a mentalidade fascista de alguns “defensores animais”.

  1. Como o veganismo esquerdista explica apoiar um governo que DOBROU o número de cabeças abatidas nesses doze anos de poder? Produzimos muita carne, muito leite e pouca tecnologia. Cada ano do PT p número de cabeças abatidas crsce em mais ou menos 500 mil, nenhuma empresa brasileira teve crescimento comparável ao grupo JBS Friboi. Os dados que se seguem são do IBGE e podem ser confirmados numa busca simples no google:

    No 1º trimestre de 2002, foram abatidas 5,078 milhões de cabeças de suínos
    No 1° trimestre de 2014 foram abatidas 8,687 milhões de cabeças de suínos.

    No 1º trimestre de 2002, foram abatidas 4,536 milhões cabeças de bovinos, incluindo nesta categoria bois, vacas, vitelos e novilhos.
    No 1º trimestre de 2014, foram abatidas 8,367 milhões de cabeças de bovinos incluindo nesta categoria bois, vacas, vitelos e novilhos.

    “JBSFRIBOI, dados colhidos: A empresa nasceu em Anápolis, GO, em 1953, com uma capacidade de abate de 5 cabeças de gado por dia. A empresa cresceu organicamente e por meio de aquisições. Em 2002, a capacidade de abate já atingia 5 mil cabeças / dia. Em 2009, atingiu a capacidade de 90 mil cabeças /dia com a aquisição da Pilgrim’s Pride (EUA) e as operações de carne e leite da Bertin. Ao todo, foram 37 aquisições.
    Ou seja, em 7 anos, a JBS multiplicou sua capacidade de abate em quase 20 vezes”.

    • Não fazia a menor ideia disso André, caramba :/ Achava até que tava perdendo força, por isso mais propagandas, e toscas como aquela da linguiça Sadia…

      Alguém saberia recomendar algum livro ou texto sobre a história e poder da Friboi? Acredito que seria importante pra entender o carnismo no Brasil. Que é histórico e profundo né, todo mundo deve ter ouvido na escola sobre o coronelismo, política do café com leite e voto de cabresto (mais uma prova de que não é só o carnismo isolado).

      Ótimo post por sinal, assino embaixo. As formas de opressão se interligam e os movimentos de libertação têm que caminhar juntos também.

    • Ou seja, ser de esquerda = ser petista ou defensor do PT e de Dilma, é isso?

      • Não…. PT Dilma… tropa não são esquerda, mesmo pq se olhar os dados da JBS o período de maior crescimento dela foi na gestão do PT, no Brasil o povo não sabe o que é Direita ou Esquerda e nem os partidos mantêm a lógica Direita e esquerda aqui é tudo a mesma coisa (luta pra ficar no poder)

    • Muito bem dito… e hoje em dia, sabemos muito bem quem realmente está por trás do poder, não apenas no Brasil, como no mundo. A indústria da carne e farmacêutica são duas gigantes e que a dita defensora das minorias, não querem destituir de seus cargos. Aliás, mesmo comprovando as fraudes, propinas e venda de carne com qualidade no mínimo suspeita, continuam a seguir o caminho como líderes de mercado de um povo cego e injusto com o meio ambiente e irresponsável com a própria vida.

  2. Como já disse na página da Sônia, não tenho os dados de 2010 até agora sobre a JBS, mas com certeza essa máquina de matar aumentou em muito sua capacidade de decepar cabeças.

    Portanto, em vez de polarizar o debate, direita x esquerda, PT x anti-PT(PSDB NÃO É DIREITA) é preciso reconhecer que essa luta está sendo uma derrota humilhante, unir forças e apontar caminhos, e não ficar nesse discurso infantil de bem x mal, ou PT x o resto. Esse partido está levando nosso país a um retrocesso histórico, a crise ainda nem começou. direito. A economia brasileira se sustentou e cresceu artificialmente tendo como base a exploração de resursos minerais e agronegócio, enquanto países desenvolvidos produzem tecnologia.

    Detalhe que me sinto a cada dia mais longe dessa ideologia do veganismo, não consumo carne nem produtos animalizados por pura compaixão aos animais.

  3. André, simpatizo ao que postou e acrescento que condicionar o veganismo a esquerda é de uma falta de preparo para escrever sem precedentes.

    Além de ter estudado pouco a esquerda e saber que o termo “fascista” deriva dela.

  4. Comentário ofensivo, desrespeitoso, preconceituoso e absurdamente falacioso apagado. Sua postura de desrespeito e redução do que eu defendo a um “comunismo genocida” não é aceita aqui. Aqui não é blog reaça pra você despejar toda sorte de ofensas e preconceito contra quem pensa diferente de você.

    A quem vier aqui igualar esquerda política com socialismo autoritário (erroneamente chamado de “comunismo”), recomendo a leitura desses dois textos:
    http://consciencia.blog.br/2014/01/falacia-de-reducao-a-ditadura-socialista.html
    http://consciencia.blog.br/2014/02/a-esquerda-e-muito-mais-do-que-so-socialismo-ditatorial.html

    RFS

  5. Douglas, esse discurso de chamar de fascista quem não apoia o PT é comum em partidários. É a falácia do ad hominem, culpa-se o opositor num debate para fugir de argumentos concretos. Dessa forma, espalha-se a desinformação e a desunião, o que é muito triste em se tratando de um movimento tão nobre como o veganismo.

    Raysa, não só dobrou o genocídio de bovinos, suinos e galináceos nos 12 anos do PT, como existe uma espectativa de crescimento que, segundo me consta, é quase ilimitado. Repare que a empresa cresceu em pouscos anos mais 20 vezes sua cabacidade de decepar cabeças, de 2010 ate agora a expansão foi franca. A empresa apresenta dados contábeis de forma confusa nos últimos anos(ao menos na internet), mas não há duvidas sobre seu crescimento.

    Não coloquei o aumento do numero de abates de aves, mas é quase covardia, são números astronômicos.

    Claro, a empresa patrocina os dois lados, financia campanha de dversos políticos, mas é evidente que apoiar o governo do PT, que se nutriu de uma empresa exploradora de commodities(no caso, a carne e produtos animais), fazendo o país crescer no lombo de animais, e defender simultaneamente a causa animal é uma contradição patética. Os dados mostram que a derrota tem sido humilhante demais. Síndrome de Estocolmo.

    Se há um caminho para a redução da fábrica de matar animais que se tornou o Brasil, isso requer um envolvimento político, representatividade verdadeira em Brasilia, que priorize educação, exposição da situação de sofrimento absoluto dos animais de corte, de questões ambientais e de saúde.

    Se a causa animal tivesse o mesmo espaço que tem nas pautas de Brasília , por exemplos, o movimento LGBT e as questões raciais, via debates sobre homofobia e cotas em faculdades e concursos, talvez houvesse possibilidade de algum avanço. Do jeito que está, o veganismo será só um movimento de adolescentes do facebook para a grande massa, que continuará a não vislumbrar qualquer direito a vida em animais de outras espécies.

    Por isso, apesar de até me enquadrar no veganismo por conduta mas não me prender ideologicamente, creio que textos como esse acima contribuem para um enfraquecimento do lado que já está sendo derrotado. É preciso união e maior representatividade, não há outro caminho que não o político, sem detrimento de divulgações por todos os meios de comunicação.

  6. Penso que associar um movimento que luta pelo respeito aos direitos dos animais com o apoio ao partido A ou B não é legítimo, nenhum partido está interessado em minorias.

    Se a rúcula fosse o maior objeto de desejo no prato dos brasileiros e isso desse voto, seríamos a maior plantação de rúcula do mundo. Partidos são uma mistura de ideologias diferentes, mas todos eles buscam se perpetuar no poder, e nisso o PT tem sido brilhante, infelizmente.

    Na ânsia de se manter na liderança, com o poder nas mãos, um partido vai lançar todos os meios de que dispões, sendo moral e antiético na medida do que for necessário e sem o menor pudor.

    Há caminhos para o veganismo, talvez a esquerda seja um deles, talvez a chamada direita, mas de qualquer forma a desunião não trará frutos. Por outro lado, quanto mais representatividade em Brasília melhor. Vejam, em debates, pessoas convencidas que o PT ou o PSDB é o melhor caminho, defendem suas posições de forma ferrenha, brigam por isso. Por quê o veganismo tem que se focar em rixas internas? O inimigo é outro, está com as lâminas afiadas e escorrendo sangue, e atende pelo nome de desinformação e obscurantismo moral, disseminado na população. As pessoas sabem que é errado, a maioria tem pena dos animais, mas isso é um nervo dolorido que ninguém mexe, por isso dizem “se todo mundo come vou comer também”, “faz mal pra saúde se não comer carne”, “terei anemia” e etc. É preciso cutucar esse nervo.

  7. [Trecho ofensivo e desrespeitoso apagado. RFS]

    Sobre intolerância religiosa, não é a esquerda que odeia o cristianismo e outras religiões? Não é Marx que diz a religião ser o ópio do povo ? Ele não era racista ?

    Anticapitalismo deu certo em algum país do mundo ? Ha sim! Em Cuba, Coréia do Norte… todo mundo é vegetariano esqueci.. Só que não! É graças ao capitalismo que existe vegarella gostosinha enriquecida com b12 né ?? Em país onde a economia é planificada, vc come o que mandarem, vc realmente acha que tem chance do veganismo existir num lugar assim ? ME fala um país onde isso seria possível… aliás me mostre um país de economia planificada que deu certo.

    ”’Misantropia, xenofobia, racismo velado ou explícito, machismo e misoginia, heterossexismo, transfobia, elitismo, intolerância religiosa, aversão aos Direitos Humanos, etnocentrismo convicto etc”

    Marx, o ícone da esquerda, era racista. Em países onde a sua esquerda anti capitalista dominou, ninguém pode dar um peido, nem sonhar em falar mal do governo, isso é ser a favor de que direito humano? Na coréia do norte tem uma lista de corte de cabelos permitido, para as pessoas não se contaminarem com o capitalismo rs realmente tem muito espaço para pessoas trans rs xau crianças..

        • Jéssica, eu não pensava em responder ao “eu mesmo”, mas, em respeito aos leitores, que não merecem ser enganados por discursos reacionários e desonestos, respondi hoje.

    • Comentar pra vir xingar o autor do post não é algo bem-quisto por aqui. Comentário apagado por ofensa e desrespeito. RFS

    • Comentário repleto de falácias do espantalho e reducionismos. Vou respondê-lo em respeito a futuros leitores desse texto, pra que não sejam enganados por esse discurso macartista, intolerante e desonesto:

      Sobre intolerância religiosa, não é a esquerda que odeia o cristianismo e outras religiões? Não é Marx que diz a religião ser o ópio do povo ? Ele não era racista?

      Uma falácia do espantalho atrás da outra. Respondendo:
      1. Grande parte da esquerda brasileira é cristã ou adepta de outras religiões (espiritismo, candomblé, umbanda, neopaganismos etc.). Além disso, o ódio à religião tem sido uma postura de direita, por parte de entidades como a ATEA – que, infelizmente, deixou de ser uma entidade de combate ao preconceito pra se tornar um grupo de ódio às religiões e aos religiosos.
      2. A declaração do “ópio do povo” não é sobre a religião enquanto fenômeno antropológico, mas sim sobre a atuação das religiões organizadas em seus esforços – geralmente motivados pelos interesses da parcela conservadora do clero – de conservar a ordem vigente e ameaçar pessoas que ousam questionar o conservadorismo da interpretação dada por esse clero aos ditames daquela religião.
      3. Sobre Marx ser racista, o “eu mesmo” não traz nenhuma prova – acredito que tenha concluído isso de uma declaração falsa atribuída a ele, à qual respondo aqui: http://consciencia.blog.br/2014/09/frase-falsa-atribuida-marx-menciona-holocausto-revolucionario-coloca-como-racista-inspirador-nazismo.html

      Anticapitalismo deu certo em algum país do mundo ? Ha sim! Em Cuba, Coréia do Norte… todo mundo é vegetariano esqueci.. Só que não!

      O velha falácia reacionária de reduzir todas as correntes existentes do anticapitalismo e da esquerda a formas autoritárias e moralmente conservadoras de “socialismo real” – as quais, a saber, eram contrárias mesmo à utopia comunista de sociedade sem Estado e sem classes: http://consciencia.blog.br/2014/01/falacia-de-reducao-a-ditadura-socialista.html

      É graças ao capitalismo que existe vegarella gostosinha enriquecida com b12 né ??

      É graças ao mesmo capitalismo que essa vegarela custa em torno de 40 reais o quilo (pra dizer um valor “baixo”), esse valor tem aumentado mais que a inflação a cada ano e apenas pessoas das classes socioeconômicas alta e média-alta podem comprá-la regularmente. O mesmo capitalismo que impede a muitos milhões, senão bilhões, de pessoas de comprar uma cesta básica que seja.

      Em país onde a economia é planificada, vc come o que mandarem, vc realmente acha que tem chance do veganismo existir num lugar assim ? ME fala um país onde isso seria possível… aliás me mostre um país de economia planificada que deu certo.

      Crença baseada em achismo e falácia do espantalho. Ele não viu ninguém aqui defender economia planificada e Estado autoritário, extraiu essa crença do acervo de espantalhos da direita macartista.

  8. Robson, sempre bom ler seus artigos, eles apontam questões que, muitas vezes são difíceis de determinar em uma visão mais superficial, pelo menos para mim.
    Os fatores inerentes à melhora da sociedade, inclusive o veganismo, não se excluem jamais, pelo contrário, são elos da mesma corrente.
    Triste que dogmas ideológicos arraigados dificultem a discussão. Mas isso também faz parte do processo.

  9. Excelente, Robson! Me divirto na seção dos comentários… O mais engraçado é ver pessoas comentando sobre Esquerda sem um pingo de conhecimento, apenas para justificar seu ódio a esse pensamento e às pessoas que se identificam com ele. É fato que muitos de Esquerda estão nem aí para a causa animal, e sempre acompanho seus textos e seu raciocínio batendo de frente nessa incoerência. Seráa rnsturma dada direita não vê isso? Sempre resumem a “ah, você defende os esquerdistas, mas os esquerdistas comem carne, financiam a indústria…”…. Seria muito interessante, primeiro, compreender a Esquerda, em sua essência, para saber que muitos partidos ditos de esquerda e muitas pessoas sem partido tb que se dizem se esquerda também estão equivocados, ao defenderem seres humanos e ignorarem completamente a causa animal e o meio ambiente. A incoerência existe em todos os lados. ROBSON FERNANDO É UMAS DAS PESSOAS MAIS COERENTES QUE CONHEÇO, justamente por saber diferenciar isso e bater nas feridas de ambos pensamentos. Seja direita, seja esquerda, seja o que for, se houver incoerência, se houver violência, se não houver amor, empatia e respeito, deve ser confrontado, pois alguma coisa não está certa. Paz e bem!

  10. Ao Robson,
    Agradeço egoisticamente por mim, pois este texto lava a nossa alma e reflete todo o nosso pensamento da mais pura empatia não especista .
    Agradeço com muito prazer pela evolução do seu texto, tão bem reeditado e de tamanha clareza na exposição dos fatos tão óbvios e tão difíceis de serem digeridos pela sociedade doente.
    Agradeço pelos animais que não podem falar por si, e estão aqui diretamente envolvidos, e nem ao menos se defendem.
    Obrigada Robson, sinta _se abraçado.
    Obrigada Robson, sinta_se elogiado.
    Obrigada Robson, sinta_se privilegiado por ter a mente aberta e poder oferecer a quem possa interessar e se interessar a se tornar uma pessoa melhor…
    Obrigada Robson em nome de todos os seres vivos, animais “racionais e irracionais” de todas as espécies.
    Siga em frente!!!!!!
    Grata, Luciana Sinicio

  11. A maior parte das pessoas lutam contra o capitalismo, mas ninguém vive sem dinheiro… a maioria luta contra o capitalismo, mas se mantêm tendo boas idéias que querem passar adiante… a maioria das pessoas desdenham o capitalismo, pois confundem capitalismo com corporativismo… Existem mais de 7 bilhões de pessoas a destruir o mundo em que vivemos, e para cada tipo de movimento existem apoiadores e contestadores. Veganos são a única minoria que, embora lute pela vida do planeta, justiça, compaixão, saúde humana e animal, consegue mais contras do que prós, inclusive entre nós mesmos. Seres humanos estão se matando e colocando em risco o direito de futuras gerações terem o direito de conhecer o que nós conhecemos… Isso é que precisa estar em pauta, não se um é de direita ou de esquerda… até porque, os dois caminhos sempre nos levaram à decepção quando postas em prática!

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