Mel: os apicultores e os exércitos que invadem países e saqueiam cidades têm muito mais em comum do que você pensa

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Há uma versão melhorada e atualizada deste artigo no livro Veganismo: as muitas razões para uma vida mais ética

Violam a soberania da nação alheia, invadem-na violentamente, saqueiam as riquezas do povo agredido em suas cidades e deixam um rastro de muitas mortes: do que estou falando? Se você respondeu que são exércitos agressores, acertou. E se sua resposta é a apicultura, também.

Há muito mais semelhanças do que se pensa entre guerras de agressão e a extração de mel, própolis, cera e geleia real de colmeias – e de pólen, que é roubado das abelhas na impossibilidade de obtê-lo direto das flores. A apicultura, apesar de receber menos foco da maioria dos defensores dos Direitos Animais do que a pecuária, tem suas crueldades que devem ser consideradas em se tratando de defender os animais não humanos.

Falo isso levando em conta que abelhas muito provavelmente são seres sencientes, sendo improvável que não tenham consciência de estarem vivas e vontade de continuarem vivendo. Há fortes evidências de que elas têm emoções, além de terem uma vida social muito complexa. Lutam pela vida e fogem de ameaças tanto quanto animais vertebrados.

Assim sendo, elas não ficam estáticas e passivas quando o apicultor se aproxima da colmeia. A reação é imediata, tanto que ele precisa borrifar substâncias que dopam os insetos para poder lhes roubar as riquezas. Mas mesmo assim, não é totalmente anulada a resistência das abelhas, muitas tentam picar o invasor. E por perderem seus ferrões grudados na roupa dele – e isso arrancar delas diversos órgãos do abdômen –, muitas acabam morrendo. Além disso, para obter geleia real, o apicultor mata a abelha rainha, deixando a colmeia temporariamente sem uma líder.

Mais informações podem ser encontradas no artigo O mel, do biólogo Sérgio Greif, que traz uma descrição bastante abrangente da violência inerente à apicultura. Artigos como o dele mostram que, sem a violência da invasão e as mortes resultante dela, não é possível a extração e aproveitamento comercial de derivados apícolas.

Toda vez que você consumir mel, própolis, pólen ou outro produto obtido pela apicultura, pense como você não gostaria de ver sua cidade ser invadida e saqueada por uma horda terrorista, nem de ver as riquezas de seu país serem desviadas para o usufruto de um Estado ou empresa invasor. Reflita como essa hipotética invasão tem tantas semelhanças com os procedimentos da apicultura que é impossível ingerir tais alimentos sem financiar uma violência quase bélica contra abelhas.

E da mesma maneira que o mel e outros produtos apícolas promovem agressão e mortes, procure saber também das violências da pecuária e da pesca. E reflita se é eticamente viável continuar consumindo os alimentos fornecidos por essas atividades.

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Robson Fernando de Souza

Autor dos blogs Consciencia.blog.br e Veganagente e do livro Veganismo: as muitas razões para uma vida mais ética. Formado em Licenciatura em Ciências Sociais (UFPE, 2016) e Tecnologia em Gestão Ambiental (IFPE, 2008). Adora Sociologia, meio ambiente, Direitos Animais & Veganismo e autoajuda.
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6 Comments on “Mel: os apicultores e os exércitos que invadem países e saqueiam cidades têm muito mais em comum do que você pensa

  1. Ótimo artigo! Tenho andado a ver este site recentemente e acho-o muito informativo! Gostaria de fazer uma pergunta acerca do mel. Eu li um artigo no Centro Vegetariano sobre o mel e vi um comentário feito por um apicultor bem-estarista que dizia que a apicultura é essencial para o ambiente, isto é verdade? Eu não vou voltar a consumir produtos das abelhas pois acredito que os insetos são seres sencientes, mas receio que há pessoas que hão de cair na conversa. Obrigado.

    • Olá, Ariana. Não sei se o apicultor em questão falou dessa suposta importância da apicultura num determinado contexto geográfico. Mas de qualquer maneira, a apicultura não tem nada de necessário pro meio ambiente. Pelo contrário, é uma perturbação desnecessária da ordem ecológica. Abs

  2. Namaskar!

    Querido Autor,

    Não sei de argumento convincente acerca do não uso do mel das abelhas jataí, a não ser o do especismo.

    O que pode me dizer sobre:
    extração não-violenta e ciclo de vida das plantas depender da polinização destes seres formando uma argumentação de relação ecológica entre estes animais e nós. Por nossa adestração eles viveriam em um ambiente planejado no qual seriam necessários, assim como hortas orgânicas.

    O problema seria a adestração em caixinhas, a eventual compra de abelhas e também o ensino do manejo comercial das abelhas…

    Respondendo a minha pergunta, o grande problema seria a adestração delas e eventual uso comercial a partir de então, não a ênfase na sua importância na teia da vida na perspectiva agroecológica.

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