Os prejuízos causados pelo elitismo das divulgações veganas ao crescimento do veganismo e à libertação animal

vegan-gourmet

Editado em 04/04/2017 às 12h54

Você já percebeu que a população vegana está crescendo muito no Brasil e no restante do mundo, mas com um porém?

Note que esse crescimento atualmente tem sido muito baixo nas classes mais pobres. Podemos deduzir isso por dois motivos:

  • A frequência baixíssima com que se fala favoravelmente de Direitos Animais e veganismo nos bairros pobres das periferias urbanas e rurais;
  • As frequentes queixas de que há um viés elitista, socioeconomicamente discriminatório, na maioria das campanhas de divulgação vegano-abolicionista.

Nesse caso, relembremos por que o veganismo ter essa imagem de modo de vida elitista e esse elitismo ser parcialmente uma realidade atual: a frequente priorização de pessoas das classes médias e ricas nas campanhas veganas na internet e nas ruas.

A partir disso, quero convidar você a refletir, por meio deste artigo, como esse foco está sendo nocivo para a nossa causa e pode até inviabilizar a abolição da exploração animal.

 

Como o elitismo se manifesta nas iniciativas de difusão do veganismo

Antes de tudo, pensemos: como o elitismo aparece na divulgação do veganismo no Brasil?

Uma maneira disso acontecer é que grande parte das frentes de divulgação pró-vegana, sejam elas online ou presenciais, costumam priorizar como público-alvo pessoas dotadas de privilégios sociais diversos.

Acabam focando pessoas brancas de poder aquisitivo elevado, cujo dia-a-dia lhes permite acesso amplo a conteúdo educativo vegano e abolicionista e que podem fazer e consumir regularmente receitas que não são baratas.

Como exemplos, temos sites, blogs e vlogs de receitas veganas que focam ingredientes caros, como derivados industrializados gourmet de soja, defumados e congelados industrializados, grãos como chia e quinoa, diversos produtos só disponíveis em lojas de “produtos naturais” etc., e não têm qualquer preocupação de respeitar as limitações de quem ganha pouco e tem um dia-a-dia abarrotado de trabalho, tempo de transporte, tarefas domésticas e cuidado de crianças.

Uma segunda maneira é o fato de a maioria das campanhas e eventos veganos acontecerem em regiões centrais ou bairros “nobres” das grandes cidades, e ser pouca a preocupação de irem a bairros pobres da periferia ou às zonas rurais.

Em mobilizações desse tipo, é comum não haver preocupação de fazer uma abordagem apropriada a pessoas em situação de alta vulnerabilidade social, como mulheres negras de baixa renda submetidas a violências domésticas e discriminação de raça e gênero. É um veganismo que, desconsiderando esse tipo de privação e sofrimento, fecha as portas na cara de pessoas com essas particularidades e acolhe apenas quem não passa por tantas dificuldades.

Faço menção especial também a lojas virtuais veganas que, procurando maximizar os lucros, vendem caro produtos que, em muitos casos, não são vendidos na cidade da pessoa compradora e poderiam estar disponíveis a preços bem mais módicos.

Lojas que incidem nessa prática ajudam a disseminar a crença de que o veganismo seria inacessível a pessoas que não podem pagar, por exemplo, R$4,00 mais frete por um creme dental simples de 90 gramas.

Esse tipo de difusão do veganismo trata pessoas brancas de classe média como se fossem os seres humanos padrão. E daí divulga-se um veganismo gourmetizado, socialmente discriminatório e economicamente restrito, que faz jus às críticas dos antiveganos de que é um “estilo de vida” acessível para poucos.

 

Os efeitos perniciosos da difusão elitista do veganismo

Esse elitismo tende a acarretar prejuízos sérios para o crescimento do veganismo e o amadurecimento do movimento abolicionista animal.

Por causa dessa carência de recortes sociais – principalmente de classe, raça e gênero -, o veganismo cresce populacionalmente muito menos do que poderia e deveria estar crescendo. Poderíamos estar tendo um boom vegano nas periferias populares, mas é evidente que isso não está acontecendo hoje em dia. Só vemos evidentemente o veganismo crescer com força nas classes endinheiradas, da média para cima.

É óbvio pensar que, para a libertação animal acontecer, o veganismo deve primeiro se massificar e a população adepta dele precisa se tornar majoritária. Para o veganismo obter esse atributo, precisa abraçar todas as classes, particularmente aquelas que representam a maioria da população total.

Como a maioria dos brasileiros está abaixo da classe média propriamente dita – estando 68% nas classes C, D e E em 2014 e podendo aumentar com o empobrecimento induzido pelas contrarreformas do governo Temer -, fica muito evidente que não haverá libertação animal no Brasil enquanto todas essas pessoas continuarem fora do público-alvo preferencial das divulgações veganas. E isso é o suficiente para darmos um basta às tendências elitistas do meio vegano.

Sem difusão do veganismo entre essa maioria excluída, é claro que nunca veremos a consciência antiespecista se propagar a ponto de acabar com os lucros dos setores econômicos de exploração animal, como a pecuária e a indústria lacto-frigorífica. Elas continuarão tendo um público consumidor forte entre as classes socioeconômicas deixadas de lado pela maioria dos divulgadores do veganismo. E assim a exploração animal se perpetuará, ficando o veganismo restrito a uma parcela eternamente minoritária da população.

 

Considerações finais

Fica muito clara, com esses fatos, a importância de se questionar e demolir o elitismo, a gourmetização e a carência de recortes sociais na divulgação vegano-abolicionista que tem sido feita no Brasil.

Para se fazer isso, precisamos, entre outras medidas:

A limitação de crescimento imposta ao veganismo pelo elitismo é uma das maiores evidências de que não há libertação animal sem libertação humana, e isso precisa ser devidamente tratado por nós. Ou incluímos as classes populares, levando em consideração todas as suas privações e sofrimentos e ajudando ativamente a saná-los, ou nunca veremos o veganismo se tornar majoritário na população e o especismo ser banido das culturas do mundo.

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Robson Fernando de Souza

Autor dos blogs Consciencia.blog.br e Veganagente e do livro Veganismo: as muitas razões para uma vida mais ética. Formado em Licenciatura em Ciências Sociais (UFPE, 2016) e Tecnologia em Gestão Ambiental (IFPE, 2008). Adora Sociologia, meio ambiente, Direitos Animais & Veganismo e autoajuda.
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26 Comments on “Os prejuízos causados pelo elitismo das divulgações veganas ao crescimento do veganismo e à libertação animal

  1. Parabéns, Robson pela matéria.

    O texto merece uma reflexão sobre a maneira como levamos a informação para o público em geral. Um assunto tão atual e sério.
    Pensar em conjunto sem visar lucro, mas sim sensibilizar as pessoas.
    É preciso que as lideranças e especialistas do veganismo retirem as suas capas de egos inflados e utilizem seu conhecimento sobre veganismo, relações sociais e marketing para elaborar um plano de ação para chegar a esse público sem visar “lucros”, e sim levar conhecimento e orientação.
    Abraços!

  2. O texto estava ótimo ate a parte em que diz que branco é classe média e negra é pobre.
    Ate quando vai existir essa barreira? Vcs não percebem que são vcs mesmos que propagam o racismo?
    Tenho amigas Negras que ganham muito mais que eu e isso não faz delas melhores ou piores doq ninguem. Produtos veganos são caros sim, mas não impede de um negro comprar e um branco ficar na vontade.

    • Ana, existem negros ricos, mas estamos falando de uma maioria. Sou branco pobre, mas sei que a quantidade de negro é muito maior. Tente ter sempre uma visão geral das coisas.
      E parabéns ao autor do texto pelo alerta. Sem dúvida é muito importante uma ação a respeito.

  3. Eu ando pensando muito sobre esse assunto, e me vejo muito confusa.
    Eu tenho 16 anos, moro com minha mãe e dois irmãos, somos pobres, e esse ano foi MUITO difícil (economicamente) pra nós.
    E mesmo várias vezes tendo uma alimentação muito simples, não comendo nem pts, continuei na transição do ovolacto vegetarianismo ao vegetarianismo estrito.
    Então por isso, e vendo vários outros exemplos pela internet, afirmo que o vegetarianismo estrito (ou dieta vegana) não é elitista. É uma questão de escolha você gastar 10 reais na feira ou gastar 12 reais em 11 vinas da Goshen numa loja vegana. Então, dizer que a dieta é elitista é um equivoco muito grande. A única coisa que consigo ver nessas publicações é ignorância, preguiça de estudar.
    Já o veganismo, assumo que é mais difícil. Porém só é difícil porque as pessoas querem industrializar tudo, terceirizar.
    Eu faço minha comida, tô cortando ao máximo cosméticos etc, químicos e remédios, procurando medidas alternativas e naturais (inclusive que acabam sendo baratas) para viver.
    Acho que a maioria dos veganos é branca sim, porém não rica.
    Talvez o veganismo não chegue nas periferias por causa da ignorância das pessoas. O povo é ensinado a não pensar, é bombardeado com propagandas dizendo “coma carne” all time, fora a religião. As pessoas esperam as coisas chegarem até elas, ninguém vai estudar. Eu mesma fui saber o vegetarianismo procurando, EU procurei, sabe? Ninguém veio me dizer nada.
    Não que eu esteja culpado essas pessoas, óbvio que não, até porque envolve outras coisas como política etc
    Bom, não sei se deu pra entender muito bem, mas quero saber sua opinião em relação ao meu relato da minha vida vegana.

  4. Muito Bom texto. Já tentei “veganizar” pessoas de condições financeiras mais precárias porém foi muito difícil. Infelizmente o nível cultural dessas pessoas muitas vezes nos impede de um diálogo mais favorável. Não há muita abertura quanto ao tema, mesmo quando eu digo que 1Kg de carne custa muito mais que inúmeras refeições veganas simples e nutritivas. Nosso atual governo deu poder de compra às pessoas mais carentes, com isso o argumento do custo nem sempre funciona. Outro detalhe importante é que nosso país vive de futebol, churrasco e cerveja, e, mudar essa cultura é muito mais difícil do que “pregar” o veganismo. Enfim, não desisto e continuo na luta sempre, seja qual for o público-alvo. ;) GO VEGAN!!!

  5. Só acho que a imagem poderia ser de algum queijo que vende no brasil, como superbom, que é um queijo de batata e custa uma fortuna. Esse follow your heart custa a mesma quantia de dollares do que os queijos de vaca nos estados unidos. Parabens pela materia!

    • Oi, Kamila. A imagem foi escolhida por causa do termo “Vegan Gourmet” =P
      E gratidão pela apreciação ^^ Abs!

  6. Gostaria de ter respostas para alguns questionamentos.
    O veganismo e seus princípios têm surgido com frequência cada vez maior na Internet. Se se trata de mais um modismo passageiro, uma onda que vai atingir e permanecer em um grupo restrito ou se vai atingir a maioria da população de determinados extratos sociais, só o tempo dirá.
    É possível ser vegetariano e ter uma vida saudável, desde que se tome alguns cuidados com o equilíbrio de sais minerais e vitaminas. Ser vegano e garantir boa saúde, implica em mais acompanhamento médico, exames laboratoriais periódicos e ingesta de suplementos de vitaminas e sais minerais para que não se instalem carências nutricionais e as doenças delas decorrentes. Mais do que isto, deve ser quase impossível, no mundo civilizado, viver sem usar para nada produtos de origem animal. Podemos não comer alimento algum de origem animal, mas as extensas plantações de soja, arroz, trigo e milho exige extensas áreas de plantio e comprometimento da vida animal pela destruição de ecossistemas e pelo uso de agrotóxico, por exemplo. O consumo de tomate, pimentão e morangos, por exemplo, não orgânicos é feito com o uso de muito agrotóxicos, alguns proibidos, que envenenam os agricultores que morrem de câncer ou ficam incapacitados por lesões neurológicas. Os consumidores destes produtos também estão sujeitos a desenvolver câncer e outras doenças. Sem falar na inevitabilidade do consumo de transgênicos.
    O abuso no consumo de derivados da soja, inunda o organismo de fitoesteroides, que feminilizam os homens e afetam o desejo sexual e a capacidade procriativa, mas estes efeitos são reversíveis. Nas mães que amamentam, podem feminilizar os bebês masculinos e alterar definitivamente sua fisiologia, anatomia e orientação sexual. Quantos brasileiros poderiam só consumir alimentos orgânicos, passar por consulta com nutrólogo e fazer exames laboratoriais periodicamente para garantir a saúde, principalmente das crianças, dos idosos e das grávidas e lactantes?
    Todo medicamento exige testes com animais. As vacinas são produzidas em ovos de galinha. Os soros, como os antiofídicos e o antitetânico, são produzidos injetando veneno em cavalos e posteriormente retirando o seu sangue para separar o soro que salva vidas. É ético usarmos vacinas e soros?
    Os cosméticos que não foram testados em animais estão disponíveis para todas as consumidoras? Substituir sapatos, cintos e outros produtos de couro por outros que usam derivados de petróleo é bom para o planeta?
    Para arar a terra, devemos usar tratores e poluir o ambiente, tração animal ou colocar a cangalha em humanos?
    É ético e moralmente correto nos preocuparmos com animais abandonados nas ruas, antes de garantirmos que nenhuma criança está sendo abusada de várias formas em lares disfuncionais, exploradas como fonte de renda ou vivendo nas ruas, consumindo cola e crack para minimizar a fome, o frio e o sofrimento?
    Devemos ouvir o que a Ciência tem a dizer sobre tudo isso ou assumir um novo estilo de vida, ignorando tudo isso? Devemos nos empenhar em avaliar o possível sofrimento de elefantes, camelos ou cavalos que levam turistas para passear, antes de evitar a morte por inanição e infecção intestinal de humanos adultos na África, no Nordeste do Brasil ou nas favelas de São Paulo? Será que existem grupos ou ao menos pessoas que estão permanentemente mobilizados para exigir bom atendimento médico para crianças, gestantes, idosos e adultos nos serviços públicos? O que é mais urgente: limpar a prataria ou remover o coco que o cachorro fez no tapete da sala?

    • Olá, Ademar. Respondendo:

      1. Se o veganismo é tratado como se fosse uma “moda do momento”, isso se dá pela divulgação equivocada que a mídia faz dele. Vai sair um texto sobre isso aqui no blog essa semana.

      2. Todas as opções alimentares exigem cuidados com equilíbrio de nutrientes. Dispensar não vegans disso é irresponsável e põe a saúde deles em risco.

      3. Idealmente são todas as pessoas que precisam de acompanhamento médico, exames periódicos e suplementos – onívoros correm riscos similares aos dos vegans e vegetarianos de contrair problemas como anemia ferropriva, osteoporose e deficiência de vitaminas D e B12, e ainda por cima podem estar ingerindo gordura e carboidratos acima do nível tolerável e fibras e vitaminas de origem vegetal de menos.

      4. Essas “extensas plantações de soja, arroz, trigo e milho” são destinadas, em grande parte, a alimentar animais “de consumo”. Destaque pra soja e pro milho, que têm entre 70 e 90% da produção destinada à forragem animal.

      5. Essa dependência de alguns tipos de latifúndio deixa claro que o veganismo precisa se aliar à luta pela reforma agrária. Esse problema, a saber, não é do veganismo em particular, mas sim de quase todas as opções alimentares modernas.

      6. Consumir produtos animais não vai livrar você de consumir alimentos vegetais com agrotóxicos. Pelo contrário, por não ser vegano, você irá consumir o dobro de variedade de venenos: além de agrotóxicos, também vai ingerir antibióticos e hormônios, além de possivelmente vermes e micro-organismos patogênicos (que são transmitidos por alimentos de origem animal muito mais do que por plantas limpas).

      7. Sobre o ~abuso~ do consumo de soja, você falou a palavra certa: abuso. Nenhuma fonte séria sobre nutrição vegetariana defende o consumo excessivo de derivados de soja, ou mesmo o uso dos mesmos como centro da alimentação da pessoa.

      8. Medicamentos, vacinas e soros não podem ser boicotados por vegans. Os meios de exigir e fazer que apareçam alternativas veganas são outros, como o ativismo científico (bioengenheiros criando métodos alternativos de testes de medicamentos e outros produtos, que dispensam o uso de animais) e a realização de debates nos centros de pesquisa e universidades.

      9. Estão aparecendo cada vez mais cosméticos veganos livres de derivados do petróleo. Se hoje ainda é difícil encontrá-los em lojas comuns, nos próximos anos essa dificuldade tende a diminuir muito.

      10. O que a ciência tem dito é o contrário do que o senso comum crê. Tem dito justamente pra todos aderirem ao veganismo, já que alimentos e outros produtos de origem animal fazem mal aos animais, aos humanos e ao meio ambiente como um todo.

      11. Acreditar que os animais não humanos devem ser escanteados pra se atender primeiro a seres humanos necessitados é uma falsa dicotomia e falácia da prioridade. Tanto existem seres humanos dedicados a cada causa, dando-lhes coletivamente igual importância, como muitos deles atuam em ambas simultaneamente.

      12. Sobre a prataria ou o cocô do cachorro, ambos podem ser feitos num pequeno intervalo de tempo sem que um seja preterido em favor do outro.

      Espero ter respondido suas dúvidas. Abs

      • Muito bem respondido! Só não tenho dados que sustentem suas afirmações nos itens 4 e 10. Não me interessam textos que citam “autoridades ou órgãos” sem a fonte de bibliografia. Até hoje não consegui um documento sério de médicos nutrólogos e pesquisadores científicos ligados a universidades ou centros de pesquisa homologados que recomendem que “todos devem aderir o veganismo”. Arroz é a base alimentar em toda a Ásia, incluindo os bilhões de habitantes da China e Índia. Batata e milho são a base da alimentação dos povos nativos andinos. Deficiência de vitamina D (que nem vitamina é) não pode ser corrigida pela alimentação. Jamais afirmaria que comer carne livra os humanos dos agrotóxicos. Ao contrário, ele se acumulam na cadeia alimentar e vem junto com antibióticos e hormônios. Acontece que já li de muitos veganos que comer vegetais é garantia de alimentação saudável e isto só é verdade se os alimentos forem orgânicos. Carnes orgânicas são, obviamente, muito mais saudáveis do que as não-orgânicas e não existe comprovação científica de que fazem mal quando consumidas com moderação, ou orientação científica para que seu consumo seja abolido. Não consumir proteína animal é uma opção baseada em princípios éticos, que devem ser respeitados. É preciso tomar Sol e, se necessário, sob prescrição médica. As informações que vocês veiculam precisam ter mais penetração entre os veganos para que, principalmente os iniciantes, possam seguir os preceitos com boa saúde. Aguardo os links dos documentos científicos!

        • Sobre o item 4:
          http://www.wisoybean.org/news/soybean_facts.php
          http://www.soyatech.com/soy_facts.htm
          (vão ainda mais longe que os porcento que coloquei e diz que são 98% da soja dos EUA que vão alimentar animais)
          http://aprosojabrasil.com.br/2014/sobre-a-soja/uso-da-soja/ (80% do farelo da soja vão alimentar animais)
          https://www.agencia.cnptia.embrapa.br/gestor/milho/arvore/CONTAG01_8_168200511157.html (destinação do milho no Brasil)

          Item 10:
          http://www.unep.org/resourcepanel-old/Portals/24102/PDFs/PriorityProductsAndMaterials_Report.pdf (relatório ambiental que recomenda, embora não imponha categoricamente, uma alimentação livre de produtos animais, em prol do meio ambiente)

          Sobre o que vc falou, não é que “todos ~devem~ aderir ao vegetarianismo” por saúde, mas sim que essa alimentação tem sido divulgada como diminuidora da probabilidade de contrair alguns tipos de câncer, diabetes 2 e doenças cardiovasculares. E se há pessoas dizendo que uma alimentação vegetariana é certeza de saúde de ferro, elas estão errando.

          • Sem dúvida, animais herbívoros consomem vegetais e se são criados para fornecer carne, leite e ovos, haverá grande consumo de vegetais para a conversão. Na remontagem do texto, vitamina D ficou separada do Sol e etc. Sorry. Você só deve admitir que este texto seu: “10. O que a ciência tem dito é o contrário do que o senso comum crê. Tem dito justamente pra todos aderirem ao veganismo, já que alimentos e outros produtos de origem animal fazem mal aos animais, aos humanos e ao meio ambiente como um todo.” É insustentável e, infelizmente, é um mantra basilar da defesa do veganismo, que não pode se tornar num gigante com pés de barro. De resto, sua argumentação é sólida e bem embasada. Obrigado pela atenção!

          • Oi, Ademar. Não sei se vc leu o relatório da ONU/UNEP que indiquei no comentário anterior. Ele exemplifica como a ciência (ou melhor, pessoas do meio científico até hoje não refutadas) tem aconselhado, de vez em quando, que a alimentação vegetariana é mais segura à saúde e ao meio ambiente do que a não vegetariana (inclusa entre a “não vegetariana” o protovegetarianismo, que tolera o consumo de laticínios, ovos e mel).

            Talvez eu tenha deixado a entender que a ciência diz explicitamente que a humanidade “precisa aderir ao veganismo”, ao invés de sugerir o abandono de alimentos de origem animal. Se eu deixei a entender assim, falha minha.

  7. Muito bom esse artigo. Sou vegetariano há 17 anos, vegan há 7, e eu falo isso há, pelo menos, 15 anos. O ativismo vegano carece de embasamento político. Tratam a causa unicamente no viés do “medo” e “remorso”, usando como bíblia “a carne é fraca” e “terráqueos”. Cadê o debate ambiental? O debate agrário? O debate econômico? Se perdem no meio de acusações e dedos nos olhos “ahh esse produto testa em animal!”.
    Aqui em Natal, meu sócio/parceiro/amigo que tem restaurante vegano há 3 anos, vamos para eventos públicos vender coxinha/risole a 1 real; estudante e professor paga meia no quilo; entregamos quentinhas a 10 reais sem taxa de entrega. E sabe o que é mais engraçado nisso tudo? É que os ativistas daqui nos criticam porque fazemos o veganismo pelo viés do consumo… Que bom que esse discurso está ampliando.

    E, mesmo tendo condições financeiras favoráveis, eu JAMAIS pagaria quatro reais numa pasta de dente, e não estou nenhum pouco preocupado se algum ativista, que nunca precisou bater um prego numa barra de sabão, apontar o dedo em mim me chamando de “falso” ou “caído”; porque eu sei que, quando a “larica” bater no showzinho alternativo, ele/ela vai adorar pagar 1 real pra comer.

  8. Querido Robson, seu texto é exatamente uma transcrição de um pensamento que eu e minha esposa temos a respeito do tema há alguns anos. Vivemos até um ano atrás em Guarulhos, região metropolitana de SP. Há cerca de 3 anos iniciamos um movimento social chamado GAIA-Veg, que, entre outros objetivos, tinha como premissa divulgar amplamente o veganismo, sobretudo nas camadas sociais mais desfavorecidas. No entanto, nos deparamos justamente com esta tal “elitização” do movimento. Diversas vezes convidamos líderes e participantes do movimento vegano para comparecer às nossas reuniões, encontros e ativismo vegano, mas, infelizmente, nos deparamos com a indiferença de quem prefere “manifestar-se” na porta das lanchonetes McDonald’s da Faria Lima, na porta das estações de Metrô do Centro da cidade ou no já manjada “santíssima trindade vegana” (Paulista – Augusta – Consolação). E por que? Porque muitas destas pessoas que integram o “núcleo pensante” destes grupos sociais, associações e ONG’s são ELITISTAS. Merenda sem carne? Veja se há alguma iniciativa de levar às crianças de baixa renda do Capão Redondo, Cidade Tiradentes, São Mateus, Brasilândia? Veja se há uma abordagem no sentido de tentar mostrar à população de baixa renda que sim, é possível encontrar na feira do bairro, em 90% das barracas, alimentos veganos. Veja se é feito algum projeto financiado por alguma Associação como a SVB no sentido de promover a transmissão de conhecimento para as mulheres que estão na linha da pobreza de receitas veganas de baixo custo? O que vejo, sinceramente, é uma clara intenção de formar um gueto em que algumas pseudo-celebridades veganas com pouca penetração fora do mundinho medíocre que construiram tentando posar de superstar, com seus discursos blasé-messiânico-rebelde, seguidos por uma horda de rebeldes sem causa com discurso mais raso que piscina infantil masturbando-se coletivamente com uma ideologia niilista e narcisita, que em nada combinam com a não-violência e a compaixão onde o veganismo verdadeiro reside. Abaixo a jihad vegana! Não quero um Estado Vegano, com extremistas armados de preconceito e com suas metralhadoras de ódio viradas para minha face! Veganismo é amor, é paz! Somente quando conseguirmos nos despir de nossos estúpidos egos, seremos capazes de dignamente discutirmos a essência deste lindo movimento. E, principalmente, baixarmos nossa guarda, tirarmos aquela marra que muitas vezes nos fazem pensar que “veganos são mais inteligentes” e promovermos VERDADEIRAMENTE uma revolução de base na alimentação do povo brasileiro! Abraço fraterno! Paz!

  9. Olá,sou vegetariana há 23 anos e vegana há 4 tenho 52 anos e uma saúde maravilhosa!!
    Abri o primeiro restaurante vegano de Americana,apenas o que sinto as vezes é competição entre os veganos depois que abri apareceram vários distribuindo seus itens e criações o que muitos querem é que a venda do produto pratos e marmitas seja mesmo valor do que eles fazem em casa!! Será que esquecem que pagamos imposto,funcionário,força e água, compras com qualidade ( preocupados com que o prato esteja com os nutrientes necessários) pagamos escritório,onde muitos apenas tem em sua própria casa, custo menor E mais em conta obvia,surge ai um pouco egoismo,preocupado tanto com o bem do planeta e esquece de união em um movimento tão importante para animais,planeta,meio ambiente,idosos e crianças principalmente, onde muitas estão nascendo sem querer comer animais e seus pais a elas impõe que se alimentem de tal, sem procurar entender melhor suas necessidades e o real sentimentos em uma evolução.Bom vou parando se não torna – se longo eu aqui, vejo muitas duvidas em pessoas que querem aprender ou são veganos, ainda conseguiremos informar melhor tenho certeza disso.
    abraços

  10. Excelente texto! Conciso e repleto de argumentação. Estava a procura de algo que desenvolvesse essa maneira de se pensar o veganismo e que trouxesse algumas das questões que venho refletindo há algum tempo e esse foi um dos melhores que encontrei! Obrigado e parabéns!!

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