Pelo bem dos animais, não reconheçamos mais como “ídolos da causa animal” pessoas que odeiam muitos seres humanos

Morrissey, considerado por muitos um "ídolo" para a causa animal, tem um histórico marcado por racismo, xenofobia, misoginia e capacitismo, além de trazer intolerância autoritária, ao invés de conscientização, contra quem ainda come carne

Morrissey, considerado por muitos um “ídolo” para a causa animal, tem um histórico marcado por racismo, xenofobia, misoginia e capacitismo, além de trazer intolerância autoritária, ao invés de conscientização, contra quem ainda come carne

Algo que precisa ser encarado como problema no movimento vegano-abolicionista é a adoção de celebridades cheias de ódio no coração como “ídolos da causa animal”. O fato é que nomes como Gary Yourofsky, Brigitte Bardot e Morrissey, que declaradamente odeiam várias minorias políticas e manifestam misantropia com certa frequência, estão prejudicando a bandeira animalista ao desenhar uma falsa imagem de que ela seria uma luta “contra humanos”, e assim estão atrasando a libertação animal.

Esses três, assim como tantos outros pelo mundo, têm um histórico de demonstrar ódio misantrópico, racismo, misoginia, xenofobia, islamofobia, capacitismo, sionismo e outras posturas de repulsa disciminatória a seres humanos de minorias políticas. Aqui no Brasil a causa animal também tem tido a infelicidade de presenciar muitas peripécias preconceituosas, explícitos desvios de caráter, de algumas “celebridades” que se dizem veganas.

Adotar e divulgar tais nomes como “fontes de inspiração” passa uma imagem completamente distorcida do que são realmente o veganismo e os Direitos Animais. Quem encara pela primeira vez um movimento que tem essa postura, de ter como ídolos gente que abraça e promove apaixonadamente discursos de ódio, acaba por ter a impressão de que defender os animais não humanos passa por ser mau caráter, preconceituoso e discriminador contra humanos, ainda mais contra pessoas de minorias políticas.

Deixa de perceber que, na verdade, o vegano-abolicionismo pretende promover conscientização, educação e uma cultura de não violência, quer induzir mudanças éticas, e não trazer hostilidade e repulsa contra quem deveria estar sendo esclarecido para a ética animal. Que não é um movimento de ódio, mas sim de empatia e alteridade. Que não substitui uma opressão por outras, mas sim visa construir um mundo livre de opressões.

Essa verdadeira essência da ética vegana é jogada no lixo quando se idoliza gente que não tem ética, empatia, respeito e ideais educativos de conscientizar a humanidade, mas sim ódio e aversão pelo outro e demanda pela destruição dos seres humanos, a oferecer. Afinal, são pessoas que se dizem veganas, mas não abraçam a consciência ética vegana propriamente dita.

Se queremos passar para a sociedade uma imagem de que nossa bandeira é de consideração ético-moral pelo outro e libertação de seres que sofrem com privações e carência de direitos, precisamos descartar da categoria de “ídolos” nossos os Yourofskys, Bardots e Morrisseys da vida. Façamos isso pelos próprios animais, uma vez que a eles – sua vida, liberdade e integridade física e psicológica – interessa que o vegano-abolicionismo seja bem compreendido, aceito e aderido pelas pessoas que hoje ainda não são veganas. Enquanto houver (supostos) defensores dos Direitos Animais se inspirando em gente cheia de ódio no coração e na mente, os animais continuarão passando por maus apuros, nas mãos (e bocas) de pessoas que rejeitaram o veganismo por supostamente ser “coisa de gente que odeia gente”.

Robson Fernando de Souza
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Robson Fernando de Souza

Autor dos blogs Consciencia.blog.br e Veganagente e do livro Veganismo: as muitas razões para uma vida mais ética. Formado em Licenciatura em Ciências Sociais (UFPE, 2016) e Tecnologia em Gestão Ambiental (IFPE, 2008). Adora Sociologia, meio ambiente, Direitos Animais & Veganismo e autoajuda.
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