Imagem prodanista* que critica o consumo de soja pelos veganos e vegetarianos. Clique na imagem para vê-la em tamanho completo
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Há uma versão melhorada e atualizada deste artigo no livro Veganismo: as muitas razões para uma vida mais ética

Se você costuma chamar vegans e vegetarianos de “hipócritas” por muitos deles comerem proteína de soja ou tofu no lugar da carne, este artigo é para você. Já parou para pensar nos porquês de você criticá-los enquanto come e bebe alimentos de origem animal, que, em todos os aspectos, são bem piores do que a soja de consumo humano, mesmo a transgênica?

São diversos os pretextos que fazem muitos prodanistas* criticarem o consumo de soja: tem impacto ambiental elevado (quando vem de latifúndios), tem alto risco de nocividade à saúde por ser transgênica e cheia de agrotóxicos na maioria das vezes, mata animais de maneira indireta por meio de colheitadeiras, agrotóxicos e desmatamento. E eles não têm papas na língua ao responsabilizar quem não consome carne e outros alimentos de origem animal por serem supostamente os maiores clientes das sojiculturas brasileiras, quase a razão delas existirem.

Mas cada um desses motivos esbarra no mito e na hipocrisia. Isso esvazia qualquer pretensão de defender uma alimentação ética, sustentável e saudável. E torna as críticas meras tentativas recheadas de ignorância, ou má fé, de detratar o veganismo e o vegetarianismo e “justificar” preconceituosamente a resistência do indivíduo a se tornar vegano.

Respondo a seguir a cada uma das alegações antissoja que são feitas por antiveganos:

a) “A soja é consumida principalmente por vegans e vegetarianos.” – Oitenta por cento do farelo de soja, a parcela plenamente comestível, produzido nas plantações de soja de todo o Brasil são destinados a alimentar animais, em especial de rebanhos suínos e bovinos. E uma pequena parcela dos 20% restantes é voltada ao consumo humano direto, por meio de proteína texturizada, tofu, leite vegetal, farofa etc. Ou seja, os consumidores de carne e leite são os que mais comem soja, mesmo que indiretamente, e em quantidades muito maiores do que os veganos e vegetarianos.

b) “A soja mata muitos animais.” – É pouco provável que muitos animais (mamíferos, insetos e minhocas) sejam mortos por colheitadeiras, mesmo nos latifúndios, uma vez que o ecossistema que deveria existir abaixo da plantação é tornado quase estéril por causa da falta de biodiversidade vegetal e do uso de agrotóxicos.

Além disso, quando se fala de alimentos que matam animais, é impossível deixar de pensar nos alimentos de origem animal consumidos pela maioria dos críticos da soja. Sua produção é fundamentada em explorar e matar animais, causa impactos ambientais catastróficos que resultam na morte dolorosa de bilhões de animais por quilômetro quadrado desmatado ou poluído e consome a grande maioria da soja e do milho, as duas culturas vegetais mais impactantes para o meio ambiente da atualidade, cultivados no mundo. Ou seja, os alimentos de origem animal são os maiores responsáveis pelos impactos ambientais da produção da própria soja.

c) “A soja é nociva à saúde por ser transgênica e cheia de agrotóxicos.” – A crítica perde o sentido de promover uma alimentação saudável quando percebemos (assumo o risco de estar caindo em falácia de apelo à hipocrisia) que seus críticos estão na verdade tentando colocar como alternativa os alimentos de origem animal. Estes possuem um risco relativamente elevado de potencializar a ocorrência de doenças como câncer, diabetes tipo 2, AVC, infarto, aterosclerose (entupimento de veias e artérias), demência e diversos tipos de alergia. Além disso, os hormônios, os antibióticos e o pus (do leite) acabam sendo o equivalente ao agrotóxico na carne, no leite e nos ovos.

d) “A soja tem um impacto ambiental devastador.” – Como já foi mostrado, a maior parte do impacto ambiental da soja é responsabilidade da pecuária, que usa farelo de soja para alimentar rebanhos. Além disso, a crítica tem seu suposto propósito de promover uma alimentação sustentável anulado quando coloca, explícita ou implicitamente, os alimentos de origem animal como uma alternativa.

Isso porque a pecuária e a pesca são hoje as atividades econômicas com os piores impactos ambientais: desmatamento, emissão de gases-estufa, poluição, desperdício de água, produção de lixo e resíduos líquidos, gasto de energia, ecocídios em grande escala etc. Tudo a níveis múltiplas vezes piores do que toda a produção de soja para consumo humano.

Se você que critica o consumo de soja realmente quer uma alimentação livre dos supostos ou reais impactos negativos da produção e consumo do grão, a primeira coisa que precisa fazer, além de não comer soja, é abandonar os alimentos de origem animal. Afinal, não só são muito piores do que a soja para os animais, o meio ambiente e a saúde humana, como também são responsáveis pela maior parte do impacto ambiental dos latifúndios de soja e do uso de agrotóxicos e transgenia nos mesmos. Senão, não passa de hipocrisia e recalque contra o veganismo.

 

*Prodanistas são pessoas que defendem o consumo de produtos de origem animal. São defensores da ideologia chamada prodanismo, que consiste em fazer apologia e incitação desse consumo e tentar combater o veganismo. Mais informações no artigo Prodan e prodanismo.

Leia mais: Resposta ao fluxograma prodanista que culpa a “soja dos vegetarianos” pela morte de animais resultante de desmatamento

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