Pesca e aquicultura: o insuportável sofrimento por trás dos “frutos do mar”

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Há uma versão melhorada e atualizada deste artigo no livro Veganismo: as muitas razões para uma vida mais ética

A quem come carnes de peixe, crustáceos e moluscos achando que são mais saudáveis e “causam menos sofrimento aos animais”, tenho uma má notícia. Esse tipo de alimento é tão cruel e causa tanto sofrimento quanto qualquer carne de mamífero ou ave. Conheça as violações da ética promovidas pela pesca e pela aquicultura.

É possível perceber que há sim sofrimento na pesca desde o momento em que o animal é retirado da água, impedido para sempre de continuar vivo em seu habitat natural. Fora do seu ambiente e das condições mínimas de viver, o peixe se debate freneticamente, numa insuportável asfixia, lutando pela vida e tentando voltar para a água. Uma luta que infelizmente é em vão, mas é longa – a ponto de durar alguns poucos minutos – e consome todo o restante das forças do animal, que morre aos poucos, parando seus movimentos, perdendo a consciência e falecendo.

Multiplique o sofrimento desse peixe pelo de dezenas de bilhões que são pescados todos os anos. A carga de agonia e dor que é “descarregada” no mundo é imensa – e pior, é evitável, poderia não estar acontecendo.

Outros abates não são menos excruciantes para os peixes – nem para os crustáceos e moluscos, também vítimas da pesca e da aquicultura aos bilhões de seres por ano. Entre os métodos de matar alternativos à asfixia, usados na aquicultura e também em algumas colônias e empresas de pesca, estão:
– o choque térmico, no qual o animal é jogado num tanque com água a quase zero grau e cheio e gelo e a diferença extrema de temperatura colapsa seus órgãos e seu corpo;
– a eletronarcose, que mata com alguns segundos de choque elétrico num tanque com solução que conduz eletricidade;
– pauladas na cabeça enquanto o animal se debate, método artesanal feito com peixes grandes;
– fervura: o animal, na maioria das vezes um crustáceo, como caranguejo, siri e lagosta, é jogado na panela e fervido vivo, sofrendo indescritivelmente até morrer por vários minutos sem poder sair. Isso acontece no próprio bar ou restaurante onde ele será servido morto para que pessoas não vegetarianas os comam.

Mesmo que alguns dos métodos de abate de animais aquáticos sejam considerados “humanitários” e de “sofrimento mínimo”, isso não neutraliza o fato de que esses seres queriam continuar vivos, e que sua luta pela vida e seu sofrimento representavam uma vontade imensa de não morrer, de permanecer vivos, de desejar manter ou restaurar a integridade física. Eles são seres tão sencientes – sensíveis à dor, capazes de manifestar sofrimento e conscientes de que estão vivos – quanto qualquer mamífero ou ave, portanto devorar um peixe ou um camarão não é menos grave para a ética do que comer um bife bovino ou uma coxa de galinha.

Se você preferirá continuar comendo uma carne repleta de agonia de um animal que sofreu asfixiado até a morte, foi cruelmente eletrocutado ou espancado, foi jogado em água supergelada ou fervido vivo até morrer, ou quer se livrar desse peso, a escolha é apenas sua. Há uma alimentação livre de crueldade, muito diversificada, saborosa e saudável, esperando você caso decida abandonar o consumo de carnes e outros alimentos de origem animal. E incontáveis animais que podem ser salvos se você optar por não os comer – uma vez que, ao contrário da pecuária, na qual os animais podem apenas deixar de nascer à medida que mais pessoas se tornem veganas ou vegetarianas, a oposição à pesca pode literalmente salvar vidas.

Leia mais, nos posts feitos em 2014 em oposição à Semana do Peixe

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Robson Fernando de Souza

Autor dos blogs Consciencia.blog.br e Veganagente e do livro Veganismo: as muitas razões para uma vida mais ética. Formado em Licenciatura em Ciências Sociais (UFPE, 2016) e Tecnologia em Gestão Ambiental (IFPE, 2008). Adora Sociologia, meio ambiente, Direitos Animais & Veganismo e autoajuda.
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