Por que a melhor medida individual possível para salvar o meio ambiente é respeitar os animais e deixá-los em paz

abracando-a-terra

Há uma versão melhorada e atualizada deste artigo no livro Veganismo: as muitas razões para uma vida mais ética

Fala-se cada vez mais, atualmente, sobre os benefícios do veganismo ao meio ambiente, como conjunto de práticas que, além de respeitar os animais, tem como consequência uma vida humana mais sustentável e harmônica com o meio ambiente. Mas muitos autointitulados ambientalistas têm persistido no consumo de produtos de origem animal, mesmo com todos os alertas contrários a esse hábito. Vale reiterar a essas pessoas: o respeito aos animais não humanos, por meio do veganismo, é a melhor medida individual para salvar a Natureza, muito mais do que o que ditam os tradicionais conselhos de gestão doméstica de água, energia e lixo e racionalização do consumo.

Não consumir produtos originados de animais é uma atitude básica de respeito ao meio ambiente, tanto pela inibição dos extremamente pesados impactos ambientais da pecuária, da pesca e da aquicultura (veja alguns deles listados neste artigo) como porque eles são partes integrantes da Natureza, são seres naturais. Não existem animais “não naturais”, situados “fora da Natureza”.

São, aliás, a parcela senciente dela. Compõem o lado da metafórica Gaia que quer permanecer vivo e fisicamente íntegro, que luta ativa e fisicamente pela continuidade de sua existência. Trazer à existência um animal para fins de explorá-lo e matá-lo, sem que haja nenhuma necessidade objetiva e inexorável disso, é agredir a Natureza, machucar sua parcela senciente, causar-lhe sofrimento e violar suas dinâmicas que lhe trazem estabilidade e harmonia.

Além disso, ao parar de consumir produtos de origem animal, você drena o poder das grandes atividades de exploração animal de promover desmatamento, extermínio de seres aquáticos “não pescáveis” e outras formas de ecocídio, que também vitimam animais os quais não interessam diretamente aos que ganham dinheiro tratando seres sencientes como coisas. Diminui enormemente a carga de sofrimento e mortes evitáveis no mundo, e deixa Gaia respirar melhor e até recompor parte dos ecossistemas destruídos pela pecuária, pesca e aquicultura.

Deixar os animais em paz é muito melhor para o meio ambiente, ainda que uma medida não exclua a outra, do que separar o lixo, preferir o balde à mangueira para lavar o carro ou fechar a torneira enquanto escova os dentes. E pode ser feito de várias maneiras, a serem simultaneamente adotadas: aderindo ao veganismo, sendo contra a caça, boicotando toda e qualquer atividade de exploração animal e conscientizando outras pessoas a também se tornarem veganas.

Vale dar essa chance ao veganismo e tornar sua consciência ecológica realmente coerente. Se você quer um mundo que respeite a Natureza, comece por você mesmo(a) e não faça mal aos seres que a ela pertencem, inclusos os animais explorados pelos seres humanos.

Siga-me aqui

Robson Fernando de Souza

Autor dos blogs Consciencia.blog.br e Veganagente e do livro Veganismo: as muitas razões para uma vida mais ética. Formado em Licenciatura em Ciências Sociais (UFPE, 2016) e Tecnologia em Gestão Ambiental (IFPE, 2008). Adora Sociologia, meio ambiente, Direitos Animais & Veganismo e autoajuda.
Siga-me aqui

4 Comments on “Por que a melhor medida individual possível para salvar o meio ambiente é respeitar os animais e deixá-los em paz

  1. Olá, Robson! Eu vou ao Veganagente todos os dias para ler novos artigos, concordo com muitos deles. Eu sou a mesma pessoa que comentou num artigo recente sobre o mel e voltei com mais uma história e mais umas perguntas: estive num reddit português sobre veganismo (na realidade vegetarianismo “estrito”) e um comentário preocupou-me. Quem comentou dizia que como não lhe parecia que os insetos mostrassem emoções, eles não conseguiam sentir (devia ser o campeão da neurociência) e perguntou qual era a opinião dos outros acerca do consumo de insetos, que foi recentemente aceite na Europa, e um outro disse que se fosse mais sustentável do que comer plantas, ele aceitava. Isso levantou-me duas questões: pode uma pessoa que come insetos ser considerada vegetariana, visto que é comer o corpo de um animal? E quais são os impactos ambientais (ambos negativos e positivos) desse consumo? Não gosto quando alguém usa razões ambientais para incentivar o veganismo pois temo que isso ponha os insetos em risco. Também não ajuda que muitos veganos não queiram saber deles. Se o consumo de insetos se tornar uma prática generalizada, duvido que a ética seja motivo suficiente para a parar.

    • Olá, Ariana. Obrigado pela apreciação dos meus textos =)

      Sobre quem consome insetos, não são veganos, nem vegetarianos. E acredito que a pessoa que fez tal comentário não trouxe nenhuma prova científica confiável de que insetos não seriam seres sencientes.
      Sobre o impacto do consumo de insetos, provavelmente serão desastrosos tanto quanto, por exemplo, a aquicultura. Será preciso cultivar alimentos pra alimentar esses insetos (e isso gastará terras, água, energia etc.), eles poderão escapar e infestar os ecossistemas próximos das “fazendas de insetos”, haverá produção de lixo – principalmente corpos de insetos e resíduos alimentares -, eventuais mortandades de insetos irão encher corpos d’água de cadáveres desses animais, entre outras consequências terríveis que poderão sobrevir.

      Abs

      • Outra vez, obrigado pela resposta! Eu fiquei preocupada porque pensava que por os insetos se reproduzirem rápidamente não seria preciso alimentá-los, mas agora que vejo isso não faria muito sentido visto que eles precisam de crescer. Abs =)

  2. Pingback: Onde foi parar o meio ambiente nos debates políticos?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *