Por que defender experiências em criminosos é ser contra os Direitos Animais

Manifestantes "antivivissecção" pedem testes científicos e industriais em criminosos: o reacionarismo toma de assalto parte da militância animal

A demanda fascista dessas pessoas que dizem “defender os animais” só piora a situação já miserável destes.

Desde o último fim de semana, uma polêmica vem agitando os abolicionistas: uma faixa ostentada no protesto antivivissecção do dia 27/04, em São Paulo, exigia que os experimentos científicos cruéis fossem feitos em humanos assassinos e pedófilos. Muitos ficaram indignados, clamando que tal postura não só é equivocada e reacionária como é francamente oposta ao ideal dos Direitos Animais. Com toda razão.

Diversos são os motivos pelos quais a tal faixa mostrou de fato que há pessoas que dizem defender os animais mas, nada entendendo sobre os princípios dessa defesa, estão sabotando a causa e rasgando a bandeira. O primeiro e mais importante deles é que, como libertação animal também é libertação humana, a reivindicação falhou miseravelmente em manifestar algo relativo a libertar animais.

Na prática, seus defensores querem o endurecimento excessivo do Direito Penal como forma não de combater, mas de punir e vingar crimes, algo que, longe de libertar os humanos da violência das cidades e do campo, ainda pode ser o trampolim para demandas ainda mais violentas. Isso, no final das contas, tornará o Estado cada vez mais violento e autoritário, rumo a uma situação de ditadura “justificada” pelos clamores por ordem e vingança. E um Estado fascista, resultante desse agravamento, é a apoteose do aprisionamento do ser humano, do cerceamento de seus direitos e liberdades. É o exato oposto de uma sociedade livre. E uma sociedade fascista irá proibir, entre tudo, justamente a reivindicação de direitos para os demais animais.

Segundo, os Direitos Animais defendem a cultura de paz e o fim da exploração animal, e não o recrudescimento da violência entre seres humanos e a transferência do estatuto de escravos entre animais não humanos e humanos. Terceiro, de acordo com o mesmo princípio da ligação entre libertações animais humana e não humana, a justiça deve visar o fim de uma situação de violência e exploração contra qualquer ser senciente, o que a faixa fascista em questão definitivamente não faz. Ou seja, defende a abolição do estado de coisas que “educa” para o crime novos assassinos e pedófilos, e não a tortura das pessoas que foram “educadas” para a violência contra inocentes.

E terceiro, dizer que pedir por tortura de criminosos é “defender os animais”, é um violento atentado contra a já sensível reputação do abolicionismo animal perante a sociedade. É deturpá-lo, vestir-lhe forçadamente a roupa de ideologia violenta, conservadora e autoritária, mostrar à sociedade que os Direitos Animais pregam aquilo que na verdade nunca defenderam. É assim, fazer com que a abolição da escravidão animal seja cada vez mais adiada, ou mesmo inviabilizada.

Quem discursa contra os Direitos Humanos, mesmo quando se trata de punir criminosos, está discursando contra os próprios animais não humanos, além de inibir a libertação humana. Por isso, desde já devemos deixar mais do que claro que a causa animal não tem lugar para reacionários e defensores da continuação da violência cometida nos laboratórios e biotérios.

Robson Fernando de Souza
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Robson Fernando de Souza

Autor dos blogs Consciencia.blog.br e Veganagente e do livro Veganismo: as muitas razões para uma vida mais ética. Formado em Licenciatura em Ciências Sociais (UFPE, 2016) e Tecnologia em Gestão Ambiental (IFPE, 2008). Adora Sociologia, meio ambiente, Direitos Animais & Veganismo e autoajuda.
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5 Comments on “Por que defender experiências em criminosos é ser contra os Direitos Animais

  1. Também achei isso de extremo mau gosto. Não descarto o que muitos desses ativistas já fizeram pelos animais, pois sei que muitos fazem bastante pelos animais, mas com essa campanha estavam atirando no próprio pé. Não é assim que se convence ninguém a respeitar os animais. Não é pregando dor ao outro (seja lá quem for) que se consegue o respeito que os animais merecem.
    Muito pelo contrário, ao fazerem isso, estão a parecer mais um grupo de malucos que só querem chamar a atenção, fazendo com que a sociedade vire a cara quando qualquer outro ativista em favor dos animais começar a falar.

  2. Muito bem exposta, Robson, a forma como a demanda por um Estado vingativo, cuja maior preocupação é vigiar e punir, deságua facilmente num Estado fascista.

  3. Exatamente. Isso mostra que falta muita qualificação em termos de estudo e embasamento teórico para uma prática eficaz e coerente quanto ao ativismo pelos direitos dos animais. Lamentável o ocorrido e mais ainda ver pessoas defendendo tal atitude.

  4. Eu nao concebia que alguem defendia uma trocidade dessas (transformar seres humanos em cobaias) e MUITO MENOS alegando a libertação animal. Não da para defender fim etico com o uso de meios não-éticos. Excelente postagem.

  5. Não entendo como alguém que se diz a favor dos direitos de qualquer coisa é capaz de pregar a violência contra seres humanos.

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