Por que é necessário importar-se com os interesses individuais dos animais não humanos?

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Um dos pontos centrais que justificam os animais não humanos merecerem direitos é que eles têm interesses individuais básicos, como o de querer continuar vivo e manter a integridade física. Mas algo que para alguns ainda não caiu a ficha é: por que os seres humanos precisam se importar com os interesses individuais dos demais animais, mesmo quando essa importância não é referente diretamente à proteção da vida humana?

Quando se fala em respeitar o interesse do nosso próximo pela vida, a palavra-chave que vem à tona é alteridade. É o reconhecimento da dignidade do outro, de sua individualidade, de seus desejos, de sua qualidade de ser que, assim como nós humanos, busca o prazer e o bem viver. É saber que, tal como nós queremos ter nosso interesse de viver bem respeitado, temos o dever moral de respeitar o desejo alheio de ter e manter uma vida agradável.

É razoável dizer que os animais não humanos e os humanos desfrutam dos interesses individuais que fundamentam os nove primeiros artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, a saber:

1. quererem viver livres e obter os benefícios de uma vida em liberdade;

2. desfrutar dos benefícios de contar com direitos e liberdades – mesmo que não entenda conceitualmente o que é direito ou liberdade, bastando apenas ser beneficiado por ambos para sentir o prazer de uma vida protegida;

3. desejar a continuidade da própria vida, fugir de tentativas de encarceramento e resguardar sua segurança física;

4. viver uma vida livre de exploração e servidão;

5. não sofrer tortura e outros tratamentos cruéis;

6. desfrutar dos benefícios de ser reconhecido como pessoa, ao invés de coisa ou algum outro atributo de não pessoa, pelo Direito;

7. desfrutar dos benefícios de receber os mesmos direitos à vida e à não violência humana que os seres humanos teoricamente já têm;

8. ter remediados os efeitos de violações de seus direitos fundamentais;

9. não serem removidos de seu habitat e aprisionados.

Os animais não humanos não têm consciência, filosófica e linguisticamente falando, desses direitos e do quanto serão beneficiados por eles. Mas seus interesses de continuarem vivos e fisicamente íntegros e de usufruir das benesses da liberdade (como o prazer, a satisfação psicológica e a socialização) convergem para que haja a necessidade do resguardo desses desejos.

Se respeitamos os seres humanos que precisam e querem ser beneficiados por esses artigos – e todos os demais – da Declaração Universal dos Direitos Humanos, não há motivos racionais para que não sintamos a mesma obrigação ética de respeitar o fato de ser desejável para os animais não humanos ser beneficiados pelos mesmos direitos elencados.

Esse reconhecimento do interesse do outro vem, sobretudo, de nossa capacidade de ter empatia, de nos colocarmos no lugar dele. Foi assim que veio à existência a Lei de Ouro das religiões e das éticas seculares: não fazer contra os outros o que não gostaríamos que fizessem contra nós.

Em resumo, a questão é ter empatia e respeitar o interesse do animal não humano por sua vida e integridade pelo mesmo motivo que nos faz querer que respeitem o nosso. E isso não é difícil, já que aderir ao veganismo – abandonando o consumo de produtos boicotáveis que implicaram exploração e/ou morte de animais – e conscientizar outras pessoas para essa necessidade ética não são tarefas complicadas como se acredita. Então a lição é: agora que você sabe por que deve respeitar os interesses dos animais não humanos, cabe começar a cumprir e defender esse respeito.

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Robson Fernando de Souza

Autor dos blogs Consciencia.blog.br e Veganagente e do livro Veganismo: as muitas razões para uma vida mais ética. Formado em Licenciatura em Ciências Sociais (UFPE, 2016) e Tecnologia em Gestão Ambiental (IFPE, 2008). Adora Sociologia, meio ambiente, Direitos Animais & Veganismo e autoajuda.
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