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Há uma versão completa, melhorada e atualizada deste artigo no livro Veganismo: as muitas razões para uma vida mais ética

Continuo aqui o texto em que respondo a 30 justificativas de pessoas que não querem aderir ao veganismo. A abundância de alegações visa tocar o máximo possível de pessoas e tornar cada vez menor a zona de conforto de quem procura algum motivo para não considerar se tornar vegan um dia.

11. “Porque tenho medo de ficar subnutrido.”

Uma alimentação vegetariana (livre de todo e qualquer ingrediente de origem animal) bem planejada e balanceada, incluindo suplementação de vitamina B12, atende a todas as necessidades nutricionais do ser humano em todas as idades. Isso é o que diz um número cada vez maior de entidades nacionais de saúde, como o Ministério da Saúde brasileiro, a Academia Estadunidense de Nutrição e Dietética, o Conselho Nacional de Saúde da Austrália, o governo dos Estados Unidos, o National Health Service da Inglaterra (equivalente inglês ao SUS brasileiro), entre tantas outras.

A única possibilidade de você contrair deficiência de um ou mais nutrientes é tendo uma alimentação desregulada, desbalanceada, sem preocupação com a qualidade nutricional. Se elaborar pratos bem nutritivos e suplementar a B12, as chances de contrair deficiências são mínimas.

 

12. “Porque meu corpo precisa de carne e leite.”

Pelo contrário: seu corpo precisa abandonar esses alimentos. Como foi dito na resposta ao motivo anterior, uma alimentação vegetariana, sem nada de origem animal no prato e no copo, pode ser perfeitamente saudável e nutritiva. Nenhum ingrediente que o ser humano precise obter de alimentos é exclusivo da carne e do leite. Mesmo a vitamina B12 pode ser obtida por meio de suplementos.

 

13. “Porque só obtenho um bom nível de proteínas, ferro, cálcio e vitamina B12 da carne, dos laticínios e dos ovos.”

Para cada nutriente que muitos acreditam só existir na carne, nos laticínios e nos ovos, há uma alternativa não animal. Em se tratando de proteína, a combinação de pelo menos uma leguminosa (feijão, grão-de-bico, milho, lentilha etc.) com pelo menos um tipo de grãos (arroz, centeio, aveia, gérmen de trigo etc.) traz uma proteína de qualidade tão alta quanto a do ovo e da carne. Para o ferro, leguminosas e folhas verdes escuras são recomendadas como boas fontes, recomendando-se o consumo de uma fonte de vitamina C (um suco de laranja ou acerola cai bem) na mesma refeição.

Já o cálcio pode ser obtido de folhas verdes escuras, sendo uma das melhores opções a folha de couve, que pode ser consumida crua ou refogada. E a vitamina B12 pode ser obtida por suplementos de complexo B completo (marca recomendada: B Complex da Sundown) ou com a B12 isolada (marca recomendada: suplemento de B12 da FDC), sem que haja a necessidade de apresentar receita médica.

Ou seja, obtenção de nutrientes não é um pretexto válido de se rejeitar o veganismo.

 

14. “Porque tem um estudo feito por austríacos que diz que vegetarianos têm uma saúde pior e mais frágil do que não vegetarianos.”

O estudo não dizia que vegetarianos têm uma saúde ruim, mas sim que pessoas que já tinham um perfil de saúde frágil, transtornos psiquiátricos e práticas cotidianas não saudáveis aderem a uma alimentação livre de carne vermelha na tentativa de melhorar seu quadro. O que houve foi uma manipulação por parte da mídia, que tem tradição de não saber fazer divulgação científica, como este post mostra.

Além disso, no estudo, mais da metade das pessoas pesquisadas continuavam consumindo carne branca, e menos de 10% eram realmente vegetarianas (não consumiam nenhum alimento de origem animal). Em resumo, a pesquisa em questão não fala nada sobre a saúde de quem já é vegetariano ou vegano.

 

15. “Porque meu nutricionista recomendou enfaticamente que eu continuasse consumindo carne e leite, sob pena de ficar com deficiência de nutrientes.”

Como já foi dito no início desta segunda parte, diversas entidades nacionais de nutrição aprovam a alimentação vegetariana, livre de alimentos de origem animal. Se seu nutricionista não aceita que você seja vegetariano ou vegano, o problema não está no vegetarianismo, mas sim na falta de formação e informação por parte dele sobre alimentação livre de crueldade.

Experimente consultar outro(a) nutricionista. Provavelmente ele(a) irá respeitar e saber orientar seus pacientes vegetarianos e veganos, ao contrário do seu atual.

 

16. “Porque minha prima tentou virar vegana, e começou a se sentir mal com uma semana de dieta vegetariana (estrita). Quando voltou a comer carne, laticínios e ovos, o problema dela passou.”

Muitas vezes o indivíduo adota uma alimentação vegetariana sem nenhum critério e equilíbrio. De vez em quando acontece de alguém, por exemplo, substituir a carne por batata-frita, e o leite por refrigerante ou suco de caixinha, além de não inserir legumes e verduras na alimentação nem suplementar a vitamina B12. Nesses casos, é bem evidente que a dieta não está sendo saudável e precisa de uma regulação urgente, antes que a pessoa comece a sofrer com sintomas de deficiência de nutrientes.

Portanto, é quase certo que o caso de sua prima que tentou virar vegana mas não se sentiu bem foi de falta de orientação nutricional competente. Além disso, vale alertar que alimentos por si só não são suficientes para terapias de reposição de nutrientes. Não é possível, por exemplo, repor ferro em casos de anemia só com carne vermelha ou fígado: vai ser necessária uma reposição – provavelmente com comprimidos de sulfato ferroso, caso seu médico ou nutricionista confirme.

 

 

17. “Porque já como carne, laticínios e ovos há décadas e minha saúde nunca ficou prejudicada por causa disso.”

A parte 1 deixou claro que o veganismo não é simplesmente uma questão de saúde e alimentação, mas sim de ética, de respeito aos animais. Não é porque sua saúde está estável mesmo com alimentos de origem animal na mesa que sua dieta se torna eticamente justificável. Leia ou releia a parte 1 desta lista de respostas para saber por que não há razões éticas válidas para resistir em aderir ao veganismo.

Além disso, o consumo imoderado de alimentos de origem animal tende a ter consequências danosas ao corpo humano apenas a longo prazo. Não é em um ou dois anos que as doenças cardiovasculares ou o câncer aparecem por causa do consumo desmedido de carne vermelha ou processada, mas sim num intervalo de décadas.

 

18. “Porque tenho medo de perder meu shape, minha boa forma.”

Sendo saudável e nutritiva quando balanceada, a alimentação vegetariana também atende muito bem às demandas de quem pratica exercícios físicos e esportes intensivamente. É possível obter abundância de proteína e carboidrato, por exemplo, consumindo muito feijão, arroz e seitan (glúten que imita carne vermelha) e também, para quem pode pagar, optando por frascos de proteína de ervilha ou de arroz à venda em lojas de suplementos. Mais informações sobre alimentação vegetariana e fitness podem ser obtidas com nutricionistas que trabalham com vegans e vegetarianos.

Multiplicam-se nos noticiários os exemplos de atletas, fisiculturistas e malhadores assíduos que recorrem bem-sucedidamente a uma alimentação completamente vegetariana e obtêm ótimo desempenho, muitas vezes até superior ao de quem ainda consome carne, laticínios e ovos. Se o vegetarianismo não fosse compatível com desempenho atlético, não estaríamos vendo essas pessoas aparecerem na mídia com força e divulgando o veganismo. Mais informações podem ser obtidas no grupo do Facebook Musculação Vegana.

 

19. “Porque não sei viver sem carne/queijo/bacon/pizza/churrasco/iogurte/etc.”

Se você está preocupado(a) com um futuro sem acesso a carne, queijo, bacon, pizza, iogurte etc., acredite: há imitações veganas, livres de exploração animal, para cada um desses alimentos. O acesso mais fácil é à imitação vegetariana de carne: você pode fazer, por exemplo, proteína texturizada de soja refogada, ou bolinhos de proteína de soja ou de arroz, e também pizza sem queijo ou com queijo vegetal caseiro, iogurte vegetal, churrasco vegetal etc. E tudo com um sabor tão ou mais delicioso do que os originais de origem animal – basta você abrir mão do preconceito de que produtos animais são “incomparáveis” em sabor.

Além disso, mesmo pratos sem imitações veganas podem ser tão deliciosos quanto pratos com originais extraídos de animais, ou ainda mais. Aqui novamente você precisa se desfazer do preconceito de que só há prazer de paladar com produtos animais no prato.

 

20. “Porque não quero ter à minha disposição uma culinária sem graça, pouco diversificada e nutricionalmente insegura.”

Quando você conhecer a culinária vegetariana (livre de alimentos de origem animal), conhecerá uma cozinha extremamente diversificada. Milhares de pratos diferentes e milhões de combinações possíveis aguardam você caso aceite se tornar vegan algum dia. Aliás, você já pode conhecer desde já as delícias vegetarianas, indo a um restaurante “vegetariano” (cuidado para não selecionar pratos que contêm ingredientes de origem animal) ou vegano que não cobre caro pelo almoço.

Um ponto de partida, caso você queira fazer pratos vegetarianos em casa com ingredientes baratos e acessíveis, são as receitas divulgadas pelo Veganagente. Tudo com muito sabor, diversidade formidável e qualidade nutricional elevada.

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1 comment

  1. Tomei leite por muitos anos e mesmo assim tenho osteoporose, então deixei de tomar há três anos. Em consequência fiquei mais disposta, mais jovem e sem inflamação nos joelhos. Tb não como carne bovina e suína há mais dez anos e não tenho anemia. Sou disposta, saudável e não sinto falta nenhuma de tudo que tirei da minha alimentação. Ainda não sou vegana mas vou chegar lá.

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