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Editado em 28/03/15 às 03h14

A última semana tem sido de polvorosa em grupos veganos lusófonos das redes sociais. O furor foi causado por uma matéria sensacionalista do site Portugal Mundial, que “confirma” a presença de senciência e inteligência em plantas em geral, abordando o assunto de maneira sensacionalista e imprudentemente leiga.

A matéria intitulada Plantas têm memória, sentem dor e são inteligentes, publicada na semana passada, carimba certezas que na verdade não foram confirmadas por estudos científicos sérios. Para quem tem noções de metodologia científica, fica evidente o desconhecimento, por parte da pessoa que a escreveu, sobre como funciona a avaliação de artigos científicos submetidos à avaliação necessária para publicação em periódicos confiáveis e de boa reputação.

A própria postagem não traz nenhuma confirmação cabal de que plantas são inteligentes, no sentido animal, e sencientes. Suas “melhores” “evidências” são a autoridade do professor de jornalismo Michael Pollan, protagonista da reportagem, e duas pesquisas descritas de forma distorcida e vaga. Uma delas, segundo é relatado, foi rejeitada dez vezes por periódicos científicos antes de ser aceita por algum outro periódico – que presumivelmente tem uma seletividade muito fraca para os artigos que lhe são submetidos.

O Portugal Mundial é relativamente conhecido por matérias “científicas” de qualidade duvidosa, reforços de crenças em teorias da conspiração (exemplo 1, exemplo 2) e eventuais declarações que parecem favoráveis ao veganismo e ao ativismo anticorporações. A veracidade oscilante de suas postagens o torna um site pouco confiável – e potencialmente prejudicial para a militância vegana e à anticapitalista -, em se tratando de se saber o que ali é fato comprovado, meia verdade ou lenda urbana. O post sobre as plantas “sencientes” e “inteligentes” reitera essa baixa (ou ausente) confiabilidade do site em questão.

 

A onda de matérias defensoras da “senciência vegetal”

A matéria aqui respondida reforça o fato de que estamos vivenciando, nesses últimos anos, uma revoada de matérias pseudocientíficas (que se descrevem como “divulgadoras da ciência” mas falham severamente em atender aos critérios de uma divulgação científica séria e confiável) “confirmando” que plantas seriam capazes de sentir dor e manifestar sofrimento e isso “complicaria” a vida dos vegans.

Essas reportagens têm explorado a tendência de se pesquisar as capacidades complexas das plantas, capacidades essas que refutam a antiga crença de que vegetais seriam meras máquinas que só podiam reagir de maneiras simples e mecânicas aos estímulos ambientais ao seu redor. Essas descobertas, que de fato têm merecido um olhar de pesquisadores sérios – nem que, no final das contas, seja para refutá-las -, convidam a sociedade a repensar ou debater suas crenças sobre plantas serem máquinas com células e, a seguir, a pensar na possibilidade de pensar eticamente nas plantas mais do que se pensa, por exemplo, em minerais ou bactérias.

Mas esse debate tem sido gravemente atrapalhado, distorcido e transformado numa onda de desinformação e sensacionalismo por causa do despreparo da mídia – seja ela mainstream ou alternativa – de lidar com os debates científicos e filosóficos em andamento. Isso muitas vezes tem interesses escusos por trás, como o Veganagente denunciou em artigos como esse, esse e esse aqui. Não é de surpreender, inclusive, que essa onda de matérias “defensoras” da “senciência vegetal” tenha crescido juntamente com a gradual massificação do veganismo e da conscientização em prol dos Direitos Animais.

Em outras palavras, em quase todos os casos, não há a intenção de promover um debate honesto e pé-no-chão sobre a possibilidade futura de se dar mais consideração moral a vegetais do que a seres inanimados e vidas unicelulares. Mas sim, simples e puramente, o interesse nada altruísta de nivelar por baixo o tratamento ético-moral dado a animais não humanos e plantas, de modo que pareça que é “impossível” parar de consumir seres que podem sofrer e, portanto, o veganismo seria “hipócrita” e “inválido”.

Dado o histórico de informações desconfiáveis trazidas pelo Portugal Mundial, acredito que comentar no site é inútil, em se tratando de reivindicar a remoção ou correção da matéria. Mas é possível sim compartilhar este post do Veganagente, que esclarece e arruma o que a matéria do site respondido bagunçou na crença das pessoas sobre as capacidades orgânicas dos vegetais. E recomendo que, a todo mundo que acreditou na matéria, este post de esclarecimento seja divulgado como resposta.

Como resposta principal ao Portugal Mundial, o Veganagente respondeu à matéria aqui criticada, nos dois prints abaixo. Clique em cada uma para vê-la em tamanho completo:

Parte 1 de 2
Parte 1 de 2
Parte 2 de 2
Parte 2 de 2

5 comments

  1. É verdade! Elas também sentem saudade, frio, calor, nojo. Aliás quando alguém cospe ou faz xixi nelas, elas morrem de tanto vomitar. Mas ainda não se descobriu se elas sonham. Algum “super cientista” está desenvolvendo pesquisa com a dormideira.

  2. Olá, não é tao sensacionalista não Goethe já estudava isso e algo pode ser encontrado em suas obras.Uma observação, não podemos pensar que se trata de inteligência como a animal ok.

  3. Acho que discordar dessa forma não é válido, é óbvio que as plantas tem uma inteligência. Parece que alguns querem manter o status das plantas como seres inferiores para poder comê-las sem culpa? Não tem que ser assim, temos que aprofundar o debate e não fechar os olhos para a questão… Obviamente que tal inteligência não se compare ao que é encontrado no reino animal e que isso nos impeça de nos alimentar de vegetais, porém basta ter uma certa sensibilidade para perceber a sabedoria contida no reino vegetal.

  4. Não faz diferença nenhuma. Para produzir animais para consumo, matamos muito mais plantas do que se as comessemos diretamente. Então, ser vegetariano/vegano ainda é a opção que menos sofrimento causa. Sofrimento zero não existe.

  5. Só porque vem cientistas com evidências revolucionárias,alguém sempre fica acreditando no que as pessoas do passado diziam. As plantas sentem dor,tem memória,e tem inteligência. Mas a chamada “inteligência” tem sua variação em grau,não em espécie.

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