Por que os veganos “pregam” o veganismo?

Keep Calm and Seja Vegano

Se você ainda não é vegan, talvez se pergunte com certa frequência sobre o comportamento dos veganos para com os não veganos.

Acredito que uma das perguntas mais comuns nesses momentos seja: por que os veganos fazem tanta questão de “pregar” o veganismo e “converter” não veganos em veganos?

Este artigo vem responder a essa questão. A resposta não só vai fazer você entender o “proselitismo” vegano – e suas diferenças do religioso -, como também pode deixar você mais próximo(a) de compreender e até interessar-se em conhecer o veganismo.

 

A razão das “pregações” veganas

Porcos aprisionados em criação

Temos razões extremamente sólidas para defender que o máximo possível de seres humanos se tornem veganos

Por muito tempo você se perguntou o que nos induz a esse costume. Seria o veganismo uma religião proselitista? Haveria algum livro doutrinário dando aos veganos um mandamento semelhante ao “Ide e pregai a todas as criaturas” do Novo Testamento cristão?

A resposta para as duas perguntas é não. Não é nenhuma crença religiosa, nem nenhum mandamento constando em algum livro sagrado, que nos impele a divulgar a ética vegana.

A grande razão desse comportamento é que queremos o bem dos animais. Ou melhor, o fim de sua exploração pelos humanos.

O que nos leva a “pregar” o veganismo é o desejo de ver todas as agrurentas violências cometidas pela pecuária, pela pesca, pelos rodeios, pelas vaquejadas, pela apicultura, pelos testes de produtos, pelos zoológicos etc. serem abolidas, relegadas a um passado a não ser repetido.

E por que somos tão contrários a essas agressões e defensores do modo de vida vegano? Porque:

  • Os animais não humanos, por mais que a maioria dos seres humanos os trate como inferiores, desejam continuar vivos, viver em liberdade, não sofrer danos físicos e psicológicos, tão convicta e intensamente quanto os seres humanos;
  • Isso se dá porque, tal como nós, são seres sencientes, ou seja, capazes de sentir dor, manifestar sofrimento e sentir toda uma variedade de emoções – prazer, alegria, tristeza, saudade, medo etc.;
  • Podemos viver bem, com ainda mais saúde e bem-estar, sem consumir nenhum produto total ou parcialmente de origem animal. Da mesma maneira, a humanidade pode viver com qualidade de vida – aliás, ainda melhor do que hoje – sem explorar animais em entretenimentos, na ciência, em religiões etc. Portanto, explorar animais é essencialmente dispensável para nossa sobrevivência e nosso bem-estar;
  • Não existe alternativa “menos radical” ao veganismo. Optar por produtos obtidos de fazendas e granjas com “bem-estar animal” não evita que os animais supostamente “bem cuidados” sejam tratados como objetos – ou como servos-quase-máquinas;
  • Todas as violências contra os animais, incluindo aquelas que tanto chocam você que ainda não é vegan, poderiam deixar de existir se o especismo e as atividades dele derivadas fossem abolidos. E então o mundo se tornaria mais pacífico e harmonioso;
  • Se adotamos sinceramente preceitos éticos como respeitar a vida e a liberdade alheias e evitar tratar o próximo como não queremos ser tratados, então não há nenhuma justificativa válida para se desrespeitar e inferiorizar os animais não humanos.

 

Não estamos “pregando” uma verdade que depende de fé

Sacerdote wololo vegano

Não é assim que funciona a “pregação” do veganismo, através da fé

É importante perceber que nenhum desses motivos que nos levam a divulgar a causa vegana é baseado em fé, em crenças que variam de pessoa para pessoa. Pelo contrário, todos são fatos objetivos que disciplinas como a Biologia assinam embaixo – por meios como a Declaração de Cambridge sobre a Consciência em Animais Humanos e Não Humanos.

Além disso, as violências cometidas contra os animais em criações para consumo são insistentemente flagradas e escancaradas por meio de filmagens de câmera escondida. Tanto é que não são crenças excêntricas e subjetivas derivadas da fé individual que levam o lobby pecuarista e granjeiro nos Estados Unidos a influenciar o surgimento das chamadas leis Ag-Gag, que criminalizam flagrantes de crueldade contra animais por câmeras escondidas em fazendas e granjas.

O que os defensores dos Direitos Animais falam em sua divulgação do veganismo e da luta antiespecista são verdades cada vez mais documentadas, cientificamente testadas, factualmente flagradas, filosoficamente amadurecidas.

Tenho a satisfação de revelar, aliás, que o contrário é que se tem evidenciado: o que depende de fé e crenças subjetivas são o especismo e a defesa dos hábitos e tradições que ele legitima. Tem sido cada vez mais difícil tentar usar a ciência, os fatos, a objetividade e a Filosofia para alegar que, por exemplo:

  • Os animais não humanos sofrem menos que os seres humanos;
  • A pecuária, bem-estarista ou não, trata bem os animais que cria;
  • Matar animais em abatedouros é tão ético, normal e aceitável quanto o abraço de uma criança e o conselho carinhoso de um amigo;
  • Peixes não sofrem quando são pescados;
  • Não há nada de eticamente questionável e problemático em tratar animais como coisas que existem para nossa serventia;
  • Rodeios, vaquejadas e zoológicos não maltratam animais;
  • Comer bacon e churrasco é moralmente melhor do que deixar os animais viverem.

 

Considerações finais

Veganos são como adultos

muitas razões para se divulgar o veganismo e sua ética, todas elas fundamentalmente diferentes dos motivos que levam religiosos a pregarem suas crenças.

E por mais que haja algumas semelhanças, como o objetivo de fazer o máximo possível de pessoas adotar o mesmo sistema de pensamentos e valores, o que nós vegans fazemos nada tem a ver com religiões e crenças pessoais.

As verdades de que falamos independem de doutrinas espirituais e convicções político-ideológicas para serem legitimadas. Pelo contrário, a realidade, dia após dia, nos dá razão, em detrimento do especismo e da militância antivegana.

Portanto, se você reluta em levar em consideração o que falamos sobre os animais, o veganismo e a exploração animal por achar que “agimos igual aos pregadores religiosos”, tem agora a oportunidade de pensar que a analogia é falsa e que não estamos pregando uma religião, mas sim buscando libertar os animais não humanos da cruel dominação humana.

Assim sendo, ouça os veganos, o que eles têm a dizer, e pense no que eles podem lhe ensinar.

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Robson Fernando de Souza

Autor dos blogs Consciencia.blog.br e Veganagente e do livro Veganismo: as muitas razões para uma vida mais ética. Formado em Licenciatura em Ciências Sociais (UFPE, 2016) e Tecnologia em Gestão Ambiental (IFPE, 2008). Adora Sociologia, meio ambiente, Direitos Animais & Veganismo e autoajuda.
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