Quando os próprios argumentos antiveganos cavam atalhos para o veganismo

Eis um atalho para jogar os argumentos antiveganos contra os próprios antiveganos

Eis um atalho para jogar os argumentos antiveganos contra os próprios antiveganos

Há uma versão melhorada e atualizada deste artigo no livro Veganismo: as muitas razões para uma vida mais ética

Tem algo interessante em alguns argumentos antiveganos muito comuns: basta um pequeno ajuste neles para que se tornem atalhos para a defesa ou aceitação do veganismo – logicamente falando. Saiba como “dobrar” dez argumentos muito usados por pessoas preconceituosas contra o veganismo e os animais não humanos para usá-los contra esse preconceito e a favor da ética vegana.

 

1. Somos o topo da cadeia alimentar, por isso é aceitável e necessário consumirmos alimentos de origem animal.

Se formos acreditar que a cadeia alimentar é uma hierarquia e só participamos de uma, não deixamos de ser o “topo” se consumirmos apenas alimentos não animais. Afinal, não temos nenhum predador natural que coma nossos cadáveres. Então, não abandonamos essa posição se nos tornamos veganos.

 

2. Deus nos deu o poder de dominar os animais, por isso nada há de errado em comê-los.

Sendo Deus onisciente segundo as crenças de quem acredita na frase acima, Ele sabe que esse “poder de dominar”, se for interpretado pelos humanos como uma tirania, terá – ou, na verdade, já está tendo – consequências nefastas para os próprios humanos. Doenças, miséria, decadência da qualidade de vida, violência entre humanos e contra não humanos… Têm sido muitos os efeitos destruidores provenientes da exploração animal.

Ou seja, pela lógica, o poder concedido por Deus aos humanos e interpretado como de “dominação” na verdade é a função de protetor, guardião da Natureza, de modo que a biosfera exista em ordem e harmonia. Caso contrário, as pessoas estão acreditando que Deus quer que os humanos sejam tiranos e destruam a Criação d’Ele próprio, inclusos eles mesmos.

Portanto, o poder que Deus nos deu de “dominar” os animais é para que não os comamos, e sim cuidemos deles sem propósitos de exploração.

 

3. Minha comida caga na sua.

Presume-se aqui que a “comida que caga” é a vaca ou o boi – que no Brasil são criados em pastagens – e a “comida cagada dos vegetarianos e veganos” seja pasto. Afinal, a provocação é de que vegetarianos e vegans comem grama, e os próprios provocadores sabem que isso é falso.

Os fatos de carne bovina ser uma “comida que caga”, os bovinos comerem pasto com cocô e o bife vir literalmente salpicado com resíduos minúsculos de fezes (vide coliformes fecais) do açougue já são motivos bons o bastante para se ter nojo, e não prazer, de comer carne bovina. Ou seja, se a “comida” do antivegano caga na “nossa”, então é nojenta e contaminada e ele está dando uma razão a mais para ninguém de bom senso a comer.

 

4. Consumir alimentos de origem animal faz parte de nossa evolução.

Preocupar-se com a evolução humana implica aceitar que a alimentação dos seres humanos também evolui. Da mesma maneira que hoje a maioria da humanidade não come mais carne de caça, dentro de não muito tempo grande parte dela não comerá mais nenhum alimento de origem animal.

Consumir produtos animais fez parte da evolução humana até pouco tempo atrás. Considerando que o veganismo existe e é viável, continuar consumindo-os é contra nossa evolução como espécie.

 

5. Consumo carne, leite, ovos e mel porque quero me manter saudável.

Pessoas que querem se manter realmente saudáveis abandonam os alimentos de origem animal. A carne aumenta a probabilidade de diversas doenças, como câncer, diabetes tipo 2, obesidade, infarto, AVC, aterosclerose, demência etc., e transmite diversas doenças infecciosas. O leite alimenta alergias e incrementa as chances de seu consumidor contrair asma, câncer e contaminação microbiana. Os ovos têm risco alto de trazer salmonela. E o mel tem uma probabilidade notável de transmitir botulismo.

Ou seja, a saúde é pretexto para aderir ao vegetarianismo, e não para rejeitá-lo.

 

6. Rejeito o veganismo porque ele é uma ideologia fanática e pseudocientífica.

Por um lado, o antiveganismo traz falácias, preconceito, ódio, distorção e negação da realidade, manipulação de notícias e estudos e, muitas vezes, intolerância explícita. Do outro, o veganismo traz fatos comprovados, estudos embasados, livros bem avaliados de diversas áreas do conhecimento, argumentos fortes e também autocrítica para aquilo que precisa ser autocriticado, além de ser uma ideologia ética de não violência.

Pense nos argumentos antiveganos “científicos” e “filosóficos”, compare-os com os argumentos veganos científicos e filosóficos e reflita qual é a “ideologia fanática e pseudocientífica” no embate.

 

7. Me alimento de produtos de origem animal porque sigo as leis da sobrevivência.

Atualmente as leis da sobrevivência estão praticamente gritando em nossos ouvidos para que esses produtos sejam abandonados. Eles trazem doenças, promovem ideologias de violência e injustiça, destroem o meio ambiente e devastam a integridade e as chances de perpetuação da espécie humana.

Ou seja, seguir realmente as leis da sobrevivência da espécie e do indivíduo implica banir, e não defender, os produtos animais.

 

8. O ciclo da vida nos obriga a comer carne e consumir outros produtos de origem animal.

Quem se preocupa com a preservação dos ciclos naturais da vida atenta-se, também, para a ameaça que os produtos de origem animal lhes representam. A pecuária e a pesca têm devastado ecossistemas terrestres e aquáticos. Têm aumentado a incidência de doenças diversas nos humanos. Alimentam-se de ideologias de injustiça. Tornam a vida de todos pior.

Respeitar e conservar os ciclos da vida implica, entre outras medidas individuais e coletivas, abandonar os alimentos e demais produtos de origem animal.

 

9. As fazendas de onde compro alimentos de origem animal tratam os animais com respeito, afinal, se fossem cruéis, iriam estragar os alimentos produzidos.

Desejar o respeito aos animais implica querer que vivam em paz, ou seja, longe da dominação e violência infligidas pelos humanos. Sobre os alimentos de origem animal estragados, eles estão por todo lugar, mesmo nos freezers abastecidos pelas indústrias lacto-frigoríficas que prometem produtos “de confiança”. Ocasionalmente aparecem denúncias de contaminação, como essa, essa e essa.

Se você quer consumir produtos que tenham menor probabilidade de contaminação e prezem pelo respeito aos animais, o veganismo é a única saída possível.

 

10. A lei do mais apto exige que nós humanos consumamos produtos de origem animal.

Uma espécie que persiste em posturas de autodestruição e devastação ininterrupta da Terra, inclusa entre elas a exploração animal – que, como já foi mencionado, tem pesadas consequências perniciosas para a vida na Terra e também os próprios humanos –, pode ser qualquer coisa, menos apta a continuar existindo.

Adotar e difundir o veganismo é uma das maneiras mais eficazes de fazer a humanidade continuar apta a existir e se perpetuar. A insistência da espécie humana em comportamentos violentos contra si mesma e tudo que a cerca fará com que ela desapareça e, no final das contas, apenas uma parcela das espécies de seres vivos não humanos continue existindo na Terra.

Siga-me aqui

Robson Fernando de Souza

Autor dos blogs Consciencia.blog.br e Veganagente e do livro Veganismo: as muitas razões para uma vida mais ética. Formado em Licenciatura em Ciências Sociais (UFPE, 2016) e Tecnologia em Gestão Ambiental (IFPE, 2008). Adora Sociologia, meio ambiente, Direitos Animais & Veganismo e autoajuda.
Siga-me aqui

4 Comments on “Quando os próprios argumentos antiveganos cavam atalhos para o veganismo

    • Valeu, vou ver o seu canal em breve =)

      Quanto aos meus vídeos, eu interrompi o envio de vídeos novos, mas não desisti do canal. Inclusive vou até comunicar no canal, semana que vem, que o vlog não está morto =)

      Eu interrompi as gravações porque senti que precisava aprimorar minhas habilidades de oratória, que vejo hoje que eram relativamente fracas.

      Abs!

  1. “A carne aumenta a probabilidade de diversas doenças, como câncer, diabetes tipo 2, obesidade, infarto, AVC, aterosclerose, demência etc., e transmite diversas doenças infecciosas. O leite alimenta alergias e incrementa as chances de seu consumidor contrair asma, câncer e contaminação microbiana. Os ovos têm risco alto de trazer salmonela. E o mel tem uma probabilidade notável de transmitir botulismo.”

    Olá! Estou a procura de estudos prospectivos randomizados ou ensaios clínicos ou ainda metanálises e revisões sistemáticas (que não sejam epidemiológicas) postados em periódicos de credibilidade e que comprovem as informações acima. Se pudem me encaminhar algum agradeceria.

    • Athos, estudos com essa complexidade você só conseguirá com profissionais de saúde, professores ou pós-graduandos em ciências da saúde.

      Isso caso você não seja um antivegano exigindo provas poderosíssimas que satisfaçam a um ceticismo seletivo que não funciona quando o assunto é provar que o veganismo “não é bom”. Digo isso porque é típico de pessoas do meio antivegano querer que o veganismo seja provado com rigor extremo.

      Abs

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *