quem-sao-os-carnistas

Aviso: O termo “carnistas” foi abandonado pelo Veganagente. Agora é usado o termo “prodanistas”. Mais informações no texto Prodan e prodanismo.

Esclareço uma confusão que tem sido relativamente comum entre não vegans e também entre vegans, muitos dos quais ainda acreditam que “carnista” é um termo pejorativo que se refere a pessoas que comem carne em geral. Respondo aqui à questão “Quem são esses que você chama de carnistas?”

Carnistas são aquelas pessoas defensoras do carnismo que por sua vez é a ideologia conservadora que defende o consumo de produtos, em especial alimentos, de origem animal, tendo como base “princípios” como o especismo e o antropocentrismo. Nem todas as pessoas que comem carne são carnistas, já que muitas delas, talvez a maioria, não se investem em lançar (contra-)argumentos em defesa dos alimentos de origem animal para responder a vegans e vegetarianos com quem estejam conversando.

Como “carnista” é um termo que denomina os defensores do carnismo, fica evidente que “carnista” está para “carnismo” assim como “materialista” está para “materialismo” – materialistas são defensores da teoria/corrente filosófica do materialismo, como Karl Marx – e “iluminista” está para “iluminismo” – “iluministas” são os teóricos que defenderam a(s) corrente(s) filosófica(s) surgida(s) no Iluminismo do século 18, como Immanuel Kant e Jean-Jacques Rousseau. Também se assemelha a “conservador” como defensor do conservadorismo. Outra propriedade desse termo é que ele abrevia a expressão “defensor(es) do consumo de produtos de origem animal”, tal como “conservador” é uma abreviatura de “defensor de ideias e crenças do conservadorismo”.

Vale ressaltar que nem todo onívoro é carnista, e nem todo carnista é onívoro. Como foi mencionado, muitos onívoros simpatizam com o que é defendido pelos veganos e não reagem na tentativa de conservar seu hábito de consumo. E alguns carnistas são protovegetarianos (pessoas que pararam de comer carnes mas ainda consomem laticínios, ovos e/ou mel) ou mesmo vegetarianos (que abandonaram todos os alimentos de origem animal) por saúde, emagrecimento ou gosto. E podem estar sendo carnistas, por exemplo, por defender o consumo de laticínios. A definição do Veganagente de carnismo é relativa à defesa de qualquer produto de origem animal, em especial alimentos.

Portanto, se você consome alimentos de origem animal mas não defende esse hábito alimentar/de consumo, não se considere chamada(o) de “carnista”.

Obs.: Se você discorda do uso do termo “carnista”, pelo menos no contexto dos artigos e notícias do Veganagente, peço que, por favor, comente e sugira possíveis alternativas que permitam a identificação da ideologia defensora do consumo de produtos de origem animal e uma maneira melhor de se referir a quem é adepto dessa ideologia.

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5 comments

  1. Respondendo a observação…

    Especista é um termo melhor do que carnista, pois abrange toda exploração animal – não só aquela relacionada a transformação de animais em produtos para alimentação, mas para toda transformação de animais em produtos – e toca na questão do preconceito de espécies, fator que “justifica” o uso dos animais para vestuário, alimentação, entretenimento, etc.

    Uma forma de notar a eficiência maior de se usar Especismo, é uma equação simples, se tivéssemos um minuto para dialogar com uma pessoa e explicar um conceito para abolir a exploração animal: qual dos dois usaríamos? Carnismo (alimentação) ou Especismo (todo uso)? Com certeza, deveríamos usar Especismo, pois o potencial de libertação é muito maior do que com o Carnismo, que restringe-se a apenas um fator, como se fosse o único defendido pelos seres humanos na manutenção do status quo, que permite a exploração animal. Todos os outros usos e explorações cometidas contra as outras espécies, são cedo ou tarde, menos ou mais, defendidas em algum momento.

    A desconstrução do Especismo é uma tacada estratégica que permite destruir a base teórica da exploração animal de uma só vez e não atacá-la ponto a ponto (“campanha de um tema só”). E convenhamos que os animais não tem muito tempo para que fiquemos usando e criando termos a todo momento que dificulte a reflexão (aumentando o número de termos “essenciais” a serem aprendidos) e que consequentemente dificulte a abolição da exploração animal.

    Abraços.

  2. **

    Ainda mais quando esses termos são usados de forma a consagrar a pessoa em determinada prática – defensora do consumo dos produtos de origem animal – que é o que se acontece quando se chama uma pessoa de carnista. Em muitos casos, a pessoa pode até estar contestando algum argumento vegano para saber mais e para entender e o vegano no alto de sua “falsa superioridade moral” lança entre a sua fala o termo carnista, que mesmo não tendo a intenção de ofender (ofende pela conotação sonora pesada e estranha que o termo carrega – principalmente da forma que é proferido por muitos daqueles que usam o termo).

    Além do obstáculo de enfrentar o desconhecimento sobre esse termo, a ineficiência do uso do mesmo, o enfraquecimento do conhecimento público sobre o Especismo, que é o preconceito pelo qual temos que focar e lutar (bem como fazem os outros movimentos sociais em relação aos respectivos preconceitos que enfrentam), a disfunção narcotizante (excesso de termos causando desinformação), ainda se tem a barreira comentada acima, de que o termo é encarado como ofensa, exatamente por muitos veganos e vegetarianos usarem na intenção de atacar/ofender e o peso sonoro da palavra.

    1. Olá, Douglas. Os dois termos – carnismo e especismo – têm seus usos específicos, e em alguns casos podem coincidir. Podemos sim preferir “especismo” quando abordamos o problema ético de se considerar animais não humanos seres “consumíveis” – e isso pode ir de acordo com a preferência da pessoa. Mas, como os textos (sobre o carnismo e sobre os carnistas) deixam claro, há momentos em que o especismo não se aplica, pelo menos diretamente, como quando se fala sobre preconceitos antiveganos e crenças errôneas sobre a saúde e a suposta infelicidade psicológica de vegans.

      Mas considero que sua colocação enseja que eu elabore um texto que especifique mais claramente as diferenças e as interseções entre o carnismo e o especismo. Em relação a isso, agradeço a vc.

  3. Olá! Muito interessante essa explicação sobre carnistas. Estava procurando mesmo compreender o verdadeiro significado da palavra.
    Mas ainda considero desrespeitoso o uso dessa expressão e tantas outras que veganos/vegetarianos denominam quem come carne, mesmo que a pessoa não defenda o carnismo ou nem tem conhecimento que isso existe.
    Esse desrespeito leva muitos simpatizantes do veganismo a abandonarem a causa, como se fosse assim “nossa, então só pq como (ia) carne eu sou carnista?! Que gente preconceituosa!”. Vejo esses detalhe, pelo menos do ponto de vista psicológico,como uma grande exaltação do individualismo e de vários problemas psico-sociais contemporâneos.
    Por isso antes de chamar alguém de carnista é importante tentar compreender o outro e sua visao de mundo e até mesmo evitar o uso desse termo e outros que só fazem afastar as pessoas dessa filosofia de vida,o veganismo

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