Peixes morrendo num balde. Sofrimento de animais
Imagem meramente ilustrativa

Neste artigo, eu quero relatar para você sobre como foi a primeira vez em que eu presenciei, diante de mim, o sofrimento de animais “de consumo”. Mais precisamente peixes recém-pescados.

Foi numa época em que eu ainda estava tendo meus contatos iniciais com a defesa do vegetarianismo ético e do veganismo no saudoso Orkut e nem sonhava que, um dia, iria aderir tão apaixonadamente a essa causa.

E foi num momento que deveria ser de prazer, relaxamento e diversão – na casa de praia que foi da minha ex-cunhada e hoje é de uma das minhas tias.

Convido você a conhecer aqui como foi esse meu primeiro contato direto com a necessidade urgente de me tornar vegetariano e, em seguida, vegano.

Peixes agonizando fora d’água, num balde

Não lembro o dia exato em que isso aconteceu – sei que foi num feriadão de 2006. Eu tinha 19 anos e estava em Itamaracá, litoral norte de Pernambuco, naquela casa de veraneio que hoje me dá tanta saudade.

O caseiro que cuidava daquela bela casa tinha alguns amigos pescadores.

E eles, numa bonita e ensolarada manhã, trouxeram um balde cheio de peixes ainda vivos, para serem comidos pelo pessoal que estava hospedado ali – minha família e a da minha ex-cunhada.

De repente colocaram o balde perto de onde eu estava sentado. E então eu levantei e fiquei olhando aqueles peixes, agonizando.

Estavam lutando pela vida, em vão. Buscavam o oxigênio que não podiam obter do ar, só da água do mar. Estavam em pânico com a possibilidade de estar mortos dali a poucos minutos.

Abriam a boca para tentar obter esse precioso gás, mas não conseguiam. Estavam morrendo diante dos meus olhos.

Minha atitude diante daquela cena de sofrimento de animais

Eu pensei, por alguns poucos segundos, em colocá-los na piscina para salvá-los. Mas desisti porque a água dali era imprópria – com pouquíssimo sal e cheia de cloro – e iria matá-los com igual sofrimento.

Acredito que pensei também em tomar o balde do pescador, correr até a praia e soltá-los para que continuassem vivos.

Mas não consegui, tomado pelo medo de ser recriminado por todo mundo naquela casa e até punido de alguma maneira.

Então só me restou o conformismo sofrido de ver aquilo acabar com a triste morte daqueles peixes.

Fiquei bem triste e impactado ao ver aquela cena, de peixes morrendo lentamente dentro de um balde por falta de oxigênio.

Seus corpos serviriam para alimentar os hóspedes num “divertido” almoço dali a poucas horas.

E eu, abalado pelo sofrimento que presenciei tão perto de mim, diante do qual eu nada podia fazer, pela primeira vez optei por não comer animais em respeito àqueles que vi morrendo.

Não devorei nenhum daqueles peixes, que poucas horas depois estavam mortos, empanados com farinha de trigo e fritos. Pelo que eu lembro, não comi carne nenhuma naquele almoço.

E enquanto estava todo mundo batendo o maior papo, comendo aqueles peixes que vi sofrerem, eu fiquei triste, recolhido.

Fiquei pensando na agonia deles e no quanto eu, no final das contas, fui cúmplice, em outros dias, do sofrimento de outros peixes que não vi morrer e que também foram comidos ali.

Desfecho

Infelizmente não parei de comer toda e qualquer carne – tampouco outros alimentos de origem animal – a curto prazo depois daquele episódio.

Aquele lampejo de misericórdia por animais mortos para consumo durou apenas uma tarde. Mas foi o suficiente para plantar uma sementinha de consciência.

Ou melhor, fertilizar, fortalecer e adiantar o brotamento da semente que os veganos e vegetarianos do Orkut tinham plantado em minha mente desde 2005.

Pouco mais de um ano depois, em agosto de 2007, eu me tornaria vegetariano propriamente dito, sem consumir mais nenhum alimento de origem animal.

Não diretamente por causa daqueles peixes que vi sofrendo naquela manhã de 2006. Mas posso dizer que eles me influenciaram importantemente a ter cada vez mais compaixão pelos animais não humanos.

Moral da história

A lição que fica dessa história é que, muito provavelmente, se você, que ainda come carne, vir como aqueles animais “de consumo” morreram para seus algozes alimentarem você, provavelmente você será vegetariano, ou protovegetariano, por um dia. Ou uma tarde ou noite, pelo menos.

Afinal, quando vemos pessoalmente como aquela carne (ou o leite, os ovos ou o mel) é “produzida”, o quanto de sofrimento é envolvido nessa “produção”, aquilo pode nos impactar pesadamente.

E de tal maneira que a compaixão vegetariana acaba nos conquistando – ainda que, em alguns casos, só temporariamente.

Portanto, um dos melhores remédios para curar o especismo e trazer a você o conhecimento racional e emocional sobre o quanto os animais querem viver, e não nos servir como pedaços de carne, é presenciar, ou tomar conhecimento de alguma outra maneira, o quanto eles sofrem.

Faça isso – seja ao ver peixes recém-pescados agonizarem diante dos seus olhos, seja assistindo a documentários como Terráqueos e Farm to Fridge – e você nunca mais verá os animais e seus desejos da mesma maneira.

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