Se você ama e admira a vida dos mares, tem todas as razões para ser contra a pesca e o consumo de animais aquáticos

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Há uma versão melhorada e atualizada deste artigo no livro Veganismo: as muitas razões para uma vida mais ética

Este artigo é para você que faz questão de declarar um profundo amor e respeito pelos mares da Terra. Que tem uma incontrolável paixão pelas vastidões oceânicas do planeta e seus bilhões de anos de história da vida. Que, porém, ainda não tem conhecimento de como a pesca é a pior ameaça existente a esse vasto mundo marinho de vida e exuberância.

É hora de você saber: se você tem realmente todo esse amor pelos seres dos oceanos, entenderá que precisa abandonar os alimentos de origem animal, entre eles os “frutos do mar”. Estes nada são além de uma parte do oceano que foi cruelmente morta em prol de uma alimentação que poderia ser outra.

Os peixes são parte do tão amado oceano. Não são corpos estranhos esperando para serem removidos. E são seres sencientes, capazes de sentir dor, manifestar sofrimento e saber que estão vivos. Querem viver, lutam pela vida todos os dias, mas os pescadores de todo o mundo não querem deixá-los em paz – e você, se come carne branca, colabora com isso.

A pesca é basicamente uma agressão, é o mais cruel e explícito exercício da violência, contra os corpos d’água do planeta, pior ainda do que a poluição e o aquecimento global. Rouba-lhes a vida. Suga a energia vital na qual os adeptos de crenças sobrenaturais acreditam.

Ela mata, a cada dia, incontáveis milhões – ou mesmo bilhões – de peixes, crustáceos e moluscos ao redor do mundo. No ritmo em que age drenando a vida dos oceanos, se não for parada a tempo, extinguirá todas as espécies consideradas “comercialmente aproveitáveis” de seres marinhos até 2048, conforme foi alertado alguns anos atrás por essa pesquisa científico-ambiental de 2006.

Aliás, já na época desse estudo, ou seja, dez anos atrás, 29% das espécies marinhas ditas “comestíveis” já haviam perdido mais de 90% de sua população global para a pesca. Em muitas regiões oceânicas do planeta, senão em todas, as populações da grande maioria dos peixes que os seres humanos matam para comer estão em queda livre. E hoje a situação pode estar ainda pior.

Isso sem falar de uma outra faceta das mortes em massa: a pesca com redes de arrasto mata muitos animais “não aproveitáveis”, como golfinhos, tartarugas, tubarões, arraias, estrelas-do-mar, filhotes de baleias etc. Eles caem nas enormes redes, não conseguem escapar e são levados para morrer longe de seu habitat pelos barcos e navios pesqueiros. Poucos são retirados da rede e soltos vivos. Em alguns lugares do mundo, pela pesca do camarão selvagem, para se ter um exemplo, são mortos “acidentalmente” entre 3 e 10 quilos de animais “não comerciais” para cada quilo de camarões pescados.

Se você pensa, diante do mal representado pela pesca, em recorrer a animais criados e pescados em tanques, isso também não é uma ideia razoável. Os peixes, crustáceos e moluscos que são confinados nesses locais não são menos sencientes, desejosos de continuar vivos e fisicamente íntegros, do que os selvagens. Matar um peixe “de tanque” ou um camarão criado na carcinicultura não é menos cruel, violento e antiético do que pescar um que vivia livre na praia ou em alto-mar.

Além disso, a aquicultura tem impactos ambientais pesados, como Simone Soares Oliveira e colaboradores apontam ao mencionar o trabalho de C.E. Boyd:

“- Destruição de manguezais, áreas de inundação, e outros ambientes aquáticos sensíveis por projetos aquícolas;
– Conversão de terras agrícolas a tanques aquícolas;
– Poluição da água resultante dos efluentes dos tanques de engorda;
– Uso excessivo de drogas, antibióticos, e outros produtos químicos para controle de enfermidades dos animais aquáticos;
– Utilização ineficiente de rações e outros recursos naturais para produção de peixes,camarões e outros animais aquáticos;
– Salinização de terras e águas por efluentes, esgotos, e sedimentos de águas salobras provenientes de sistemas de engorda;
– Uso excessivo de água subterrânea e outras fontes de água doce para abastecimento de tanques;
– Propagação de doenças animais da cultura de organismos para populações nativas;
– Efeitos negativos sobre a biodiversidade causados pela fuga de espécies não-nativas introduzidas para produção, destruição de pássaros e outros predadores;
– Conflitos com outros usuários dos recursos hídricos e rompimento das comunidades vizinhas.”

Ou seja, a aquicultura não só mata animais aquáticos diretamente por meio da pesca em tanques. Também assassina os animais marinhos, fluviais e de manguezais por meio da poluição.

Se você realmente ama o oceano e venera a vida que ele (ainda) irradia, o abandono dos alimentos de origem animal, incluindo os “frutos do mar”, é essencial para você realmente cumprir e manifestar esse amor. Amar não é dominar, nem maltratar, tampouco matar. É respeitar e querer bem. É deixar viver e garantir paz. Isso se aplica tanto entre nós seres humanos como na relação que queremos ter com a Natureza em que vivemos. O que espera, portanto, para começar a ajudar a salvar os mares vivos que você afirma convictamente que ama?

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Robson Fernando de Souza

Autor dos blogs Consciencia.blog.br e Veganagente e do livro Veganismo: as muitas razões para uma vida mais ética. Formado em Licenciatura em Ciências Sociais (UFPE, 2016) e Tecnologia em Gestão Ambiental (IFPE, 2008). Adora Sociologia, meio ambiente, Direitos Animais & Veganismo e autoajuda.
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