Se você é contra crueldade aos animais, não tem motivos para continuar consumindo produtos originados dos corpos deles

Alimentos de origem animal. Comprá-los e consumi-los é financiar violências tão hediondas quanto abandonar um cão ou gato ou espancar um cavalo

Alimentos de origem animal. Comprá-los e consumi-los é financiar violências tão hediondas quanto abandonar um cão ou gato ou espancar um cavalo

Há uma versão melhorada e atualizada deste artigo no livro Veganismo: as muitas razões para uma vida mais ética

Provavelmente você é uma pessoa que se indigna fácil com cenas de crueldade contra os animais. Não suporta ver, por exemplo, um cãozinho ou gatinho sendo abandonado, cavalos sendo espancados por seus “donos” ou cenas cruéis flagradas em fazendas e granjas. Se você realmente é assim, tem todos os motivos para abandonar de vez o consumo de produtos de origem animal, e absolutamente nenhum para continuar consumindo-os.

Toda e qualquer produção de alimentos e outros itens de origem animal, como carne, leite, ovos, mel, couro, lã, lanolina, própolis, glicerina não vegetal, tutano e sebo para sabão, envolve algum tipo de crueldade. Desde os mais gritantes e horripilantes até os mais sutis e bem disfarçados, os atos de violência são indispensáveis na pecuária, pesca, aquicultura e apicultura.

Em primeiro lugar, para se produzir carne, couro, sebo, glicerina comum e outros produtos diversos, é necessário matar animais. Ou seja, o pecuarista ou granjeiro precisa removê-los da fazenda ou granja, muitas vezes à força e com o auxílio de aparelhos de choque elétrico; confiná-los em caminhões de “carga viva” onde viverão os piores momentos de suas curtas vidas; e mandá-los a abatedouros. Nesses locais, todo o seu desejo de continuar vivo e seu desespero pelo pressentimento da morte irão se esvair em litros de sangue no chão, nas paredes e em recipientes.

E mesmo em vida esses animais sofrem violências diversas. São tratados como objetos, como coisas sobre as quais os seus “proprietários” têm todos os direitos. Isso inclui mutilá-los, a depender da espécie, por meios como castração sem anestesia (em mamíferos machos), descorna (remoção de chifres em mamíferos chifrudos jovens), caudectomia (amputação da cauda de cordeiros), remoção de dentes (de leitões) e debicagem (corte do bico de frangos, galinhas e codornas).

E os animais aquáticos – peixes, crustáceos e moluscos – também sofrem horrores ao serem pescados. O instante em que são retirados da água inicia uma indescritível agonia que dura minutos, até que o animal morra asfixiado, por não poder aproveitar o oxigênio do ar. Isso porque não falei ainda daqueles que são mortos de outras formas bem cruéis, como o choque elétrico, o choque térmico, a paulada no crânio (em peixes grandes), a fervura de seus corpos vivos (no caso das lagostas em bares e restaurantes) e quando são simplesmente comidos vivos (caso dos moluscos de concha dupla, como ostras e mexilhões).

A violência também é onipresente na produção de leite, ovos e mel. Na pecuária leiteira, nas granjas de ovos e nos empreendimentos de apicultura, as fêmeas são tratadas como máquinas de produção. Os filhotes das mamíferas são tirados delas pouco depois de nascerem, numa inaceitavelmente traumática destruição de famílias não humanas, e mortos de alguma maneira, para virar vitela. Os pintinhos machos, separados de suas mães desde quando eram simples ovos, são literalmente descartados, com seus pequenos corpos triturados em grandes máquinas. E as abelhas têm suas colmeias corriqueiramente saqueadas pelos apicultores, tal como um exército invasor rouba as riquezas das cidades dos países atacados.

Isso sem falar da violação sexual das fêmeas em fazendas e granjas, inseminadas para darem à luz filhotes e porem ovos; no confinamento das mamíferas “leiteiras” em máquinas de ordenha e das aves “poedeiras” em gaiolas ou galpões; e no fato inegável de que todas elas são assassinadas em abatedouros quando sua “vida produtiva” chega ao fim e deixam de “fornecer” leite e ovos como antes. Também vale mencionar que, a cada vez que o apicultor saqueia a colmeia, muitas abelhas morrem por terem seus ferrões enganchados à roupa dele – o que faz com que os órgãos da abelha pulem para fora e caiam do corpo delas – e as rainhas são mortas para obtenção de geleia real.

 

E as criações que promovem “bem-estar animal”? Elas não evitam a violência e os maus tratos?

Ao contrário do que fazem muita gente acreditar, fazendas e granjas bem-estaristas não abandonam a violência ao explorar animais. A principal delas, razão de existir da pecuária, da pesca e da aquicultura, é submetê-los ao atributo de propriedade privada de seres humanos. A segunda pior violência é usá-los como “máquinas especiais”, que demandam cuidados diferentes das máquinas propriamente ditas e dos animais “de consumo” explorados em confinamentos. E a terceira e não menos importante é o fato de que eles jamais deixam de ser mortos em abatedouros, por mais “bem tratados” que tenham supostamente sido em vida.

Dizem que os animais em criações bem-estaristas são “bem cuidados”, livrados da violência. Mas isso não é uma verdade total, já que eles continuam sem ter o direito à liberdade – vivem confinados dentro dos limites das fazendas e granjas em que vivem soltos –; têm seus corpos usados como fontes de alimentos e outras matérias-primas, mesmo que não possam consentir tal exploração; e têm o mesmo destino sangrento dos animais vítimas de criações convencionais: a perda violenta e sanguinolenta da vida no matadouro, por mais “humanitário” que digam que o abate é.

Resumindo tudo em uma frase: a criação de animais para consumo é tão ou mais violenta do que crimes como o abandono de cães e gatos, o espancamento e exploração de animais ditos “de tração” e a tortura de bovinos e cavalos em rodeios, vaquejadas e touradas. Se você realmente é contra humanos serem cruéis contra animais não humanos, estenda essa oposição à pecuária, pesca, aquicultura e apicultura. Ou seja, abandone os produtos de origem animal, em especial alimentos como carnes, leite, ovos e mel, e conheça o veganismo. Só assim você será realmente contra toda e qualquer violência infligida aos animais não humanos.

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Robson Fernando de Souza

Autor dos blogs Consciencia.blog.br e Veganagente e do livro Veganismo: as muitas razões para uma vida mais ética. Formado em Licenciatura em Ciências Sociais (UFPE, 2016) e Tecnologia em Gestão Ambiental (IFPE, 2008). Adora Sociologia, meio ambiente, Direitos Animais & Veganismo e autoajuda.
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