Você pensa “Ah se eu não fosse vegan…” diante de pratos cheirosos de origem animal?

Fatia de pizza de calabresa de origem animal. Se ela ainda seduz você, é hora de prestar atenção em como veganizar seus sentidos

Fatia de pizza de calabresa de origem animal. Se ela ainda seduz você, é hora de prestar atenção em como veganizar seus sentidos

Saiba como se livrar desse vício dos sentidos e ficar em paz com a sua consciência vegana

Imagine a seguinte situação:

Suponhamos que você tenha um irmão não vegano, e ele traz uma pizza de calabresa com mussarela – ou seja, repleta de ingredientes de origem animal.

Há anos você não come pizzas não vegetarianas (que contenham um ou mais ingredientes vindos de animais). E sente aquele aroma da pizza, que você considera muito cheiroso. Imagina também que ela deve ser muito saborosa.

Então você pensa: “Ah se eu não fosse vegan… Devoraria essa pizza deliciosa inteira!”

É esse pensamento que eu comento neste artigo. Convido você a ler para, no final, poder responder: a postura de desejar que não fosse vegan é coerente com a consciência ética vegana?

 


A (re)assimilação da consciência vegana

Cérebro pensando nos animais explorados pela pecuária

Você aderiu ao veganismo graças a um processo de conscientização, que te fez aprender que os animais merecem respeito e, por isso, não devemos explorá-los para fins como alimentação, vestuário, experimentação científica e entretenimento, correto?

E nessa mudança de consciência, você também aprendeu que produtos de origem animal não devem ser consumidos em hipótese nenhuma, por terem sido produzidos por objetificação, exploração e matança injustificáveis de animais, certo?

Ou seja, que carnes, laticínios, ovos e produtos da apicultura não deveriam ser considerados alimentos de consumo humanos, né mesmo?

A partir dessa lembrança, puxe pela memória tudo o que fez você ter repulsa pela exploração animal. Os documentários, textos de blogs (se for o caso, os do Veganagente também), livros, vídeos de vlogs, bate-papos, debates…

Pense num resumo geral daquele conteúdo que causou em você uma mudança de coração em relação à sua antiga cumplicidade com o uso de animais como coisas sob propriedade de pecuaristas, granjeiros, pescadores, caçadores e apicultores.

Já pensou nisso? Ótimo.

Agora ligue os pontos e reflita: o sabor da pizza de calabresa e mussarela do seu irmão compensaria todo o mal que foi feito às vacas e porcos coisificados, explorados e cruelmente abatidos, para que esse prato pudesse ser feito e chegar na casa de vocês?

Se não compensaria, então por que você tem momentos em que “lamenta” ser vegano por “não poder” comer pratos saborosos de origem animal?

Ou seja, por que ainda considera esses produtos validamente passíveis de consumo por seres humanos?

 

Reprogramando seu pensamento e seus sentidos sobre alimentos de origem animal

Moça desejando comer doces não veganos

Acredito que, quando você refletiu sobre essa falha de coerência ética, se sentiu constrangido. E talvez sinta essa sensação, de agora em diante, toda vez que algum familiar, parente ou amigo seu trouxer para perto de você pratos de origem animal com cheiro e aparência sedutores.

Esse constrangimento já será um avanço em relação a antes, quando você momentaneamente desejava que não tivesse aderido ao veganismo. Significa que você passou a rememorar toda a agrura pela qual os animais vítimas da pecuária e da pesca passam para que esses alimentos possam ser produzidos.

E isso fará você religar os pontos e se relembrar por que o veganismo entrou em sua vida e você o abraçou com carinho. Ou seja, associará, mais do que nunca, os produtos animais com todas as violências das fazendas, granjas e tanques de criação animal, da pesca silvestre e da apicultura.

Se isso acontecer, então parabéns. Será um indício de que você está conseguindo reprogramar sua mente e fazer dela mais coerente com sua consciência vegana.

O passo seguinte será fazer sua visão e seu olfato passarem a encarar com repulsa e até nojo carnes, pizzas, queijos etc. que não sejam imitações vegetarianas.

Para fazer essa adaptação sensorial, toda vez que sentir o cheiro desses alimentos ou vê-los na mesa, relembre das piores cenas que viu nos documentários e demais vídeos. Pense também nos relatos mais chocantes de violência e abate que você já leu até hoje em livros, sites e blogs.

 

Em paz com a sua consciência

Consciência em paz, consciência feliz

A repetição dessa prática de pensamento fará você começar a associar o cheiro e a visualização outrora agradáveis desses pratos com a violência, o derramamento de sangue, a tortura, o sofrimento, o tratamento como coisas ou máquinas… Enfim, tudo aquilo que remeta às crueldades da exploração animal, inclusa a bem-estarista.

E perceberá, quando menos esperar, que esses aromas e visuais de produtos de origem animal enojam você, ao invés de seduzir.

E você não irá mais “lamentar” ser vegano por “não poder” comê-los. Vai se lembrar que nós vegans deixamos de consumir produtos de origem animal não porque “não podemos mais”, mas sim porque não queremos, não achamos correto e não precisamos fazê-lo.

E finalmente, seus sentidos e desejos ficarão em paz com a sua consciência. E você terá ainda mais condições psicológicas de participar ativamente, junto conosco, da luta do movimento abolicionista contra a exploração dos animais não humanos.

Portanto, se você deseja ficar “de boa” consigo próprio(a), pratique desde já o exercício de reflexão e autorreprogramação que recomendo neste artigo. Sera muito melhor para os animais não humanos. E você mesmo(a) sairá ganhando com isso, com uma tremenda paz interior e a consciência tranquila.

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Robson Fernando de Souza

Autor dos blogs Consciencia.blog.br e Veganagente e do livro Veganismo: as muitas razões para uma vida mais ética. Formado em Licenciatura em Ciências Sociais (UFPE, 2016) e Tecnologia em Gestão Ambiental (IFPE, 2008). Adora Sociologia, meio ambiente, Direitos Animais & Veganismo e autoajuda.
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One Comment on “Você pensa “Ah se eu não fosse vegan…” diante de pratos cheirosos de origem animal?

  1. Também acho que esse tipo de exercício seja importante. Obrigado por postar esse ótimo texto.

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