pegan

Está em ascensão uma novidade tanto de alimentação quanto de confusão de uma prática ética com uma opção alimentar. É a chamada “dieta pegan“, variedade de dieta “paleolítica” que combina carnes e ovos com frutas, castanhas e vegetais cozidos (grãos, legumes e verduras); evita glúten, laticínios e açúcar; junta os termos Páleo e vegan e induz as pessoas a acreditarem erroneamente que veganismo nada mais é do que uma banal dieta vegetariana.

Segundo o Notícias ao Minuto, divulgador do controverso termo “pegan” em Portugal, a dieta em questão “permite (sic) carne e grãos, mas evita lacticínios e glúten” e “começou a ser divulgada no Instagram entre utilizadores que procuravam um equilíbrio entre o paleo e o vegan (sic), mas que consideravam ambas as dietas nutricionalmente pobres (sic) quando aplicadas em separado”.

A “dieta pegan” burla a interdição a vegetais cozidos, comumente criticados e evitados nas dietas “paleolíticas” convencionais. E ignora, rebaixa ao “supérfluo”, o respeito aos animais que motiva a eliminação dos produtos de origem animal no vegetarianismo motivado por ética.

São muito evidentes a confusão e a indução ao erro quando se fala de “pegan” como combinação entre a dieta páleo e a “dieta vegan”. O veganismo é completamente confundido com vegetarianismo. Vegetarianos por saúde que usam casacos de pele e vão a rodeios são considerados “vegans” por quem é induzido a essa confusão. O background ético do veganismo é completamente eliminado nessa conceituação distorcida.

Com essa confusão plantada, as empresas não veganas podem sentir-se menos pressionadas a eliminar os testes em animais e os ingredientes de origem animal e mais à vontade para se dizer “vegan friendly” apenas por possuir algumas opções livres de componentes extraídos de animais. E a própria demanda vegana pela reforma ética das indústrias, alimentícias e não alimentícias, tem sua voz diminuída ou silenciada.

E quanto mais se divulga que veganismo nada mais é do que alimentação sem ingredientes de origem animal independente da razão de ter sido adotada, menos se tem consciência da exploração animal que o verdadeiro veganismo combate diariamente. E esse veganismo “suavizado” é, por isso, extremamente benéfico aos exploradores de animais, beneficiários número 1 das distorções promovidas pela mídia e por carnistas militantes sobre o que é o veganismo e o que é ser vegan.

Se o nome “pegan” for trazido ao Brasil, que se inicie uma ampla campanha de esclarecimento sobre o que o veganismo é e não é – e espero que o mesmo esteja acontecendo em Portugal também. Essas tentativas de “transformar” o veganismo em nada mais do que uma alimentação sem produtos animais podem ser considerada forma de prática da ideologia carnista, que defende o consumo de produtos animais e cujos promotores não hesitam em transmiti-la por meios escusos, como a distorção de conceitos e fatos e as induções ao erro e ao preconceito.

1 comment

  1. Já já a SVB adota esse termo também, assim como ela já propaga o Flexitarianismo, através da SSC e de suas palestras, publicações e discursos.

    Flexitarianismo que por sinal é bem próximo do “Pegan”.

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