Testes em animais, aplicação de substância em olho de coelho
Aplicação de substância em olho de coelho, no teste de irritação ocular

Se você já abandonou os alimentos de origem animal, o próximo passo é se conscientizar em relação aos absurdos testes em animais.

Muitos produtos, antes de serem aprovados para comercialização, infelizmente ainda passam por testes de segurança em cobaias não humanas. E esses procedimentos são o suprassumo da crueldade.

Conheça um pouco dessa realidade bizarra, contra a qual todos nós temos a obrigação ético-moral de nos posicionar e promover boicotes.

Um pouco da crueldade dos testes em animais

Muitos produtos, como cosméticos e itens de limpeza e higiene, ainda costumam passar por verificações de segurança que implicam muito sofrimento para milhões de cobaias, entre elas coelhos, camundongos, ratos, porquinhos-da-índia e também cães.

A portaria do Ministério da Saúde nº 1.480/1990 lista alguns exemplos desses tristes procedimentos:

  • Teste de irritação cutânea primária: consiste em raspar algumas regiões da pele do animal, fazer arranhões leves em duas delas, aplicar sobre a pele uma mínima quantidade do produto ou ingrediente a ser testado e em seguida cobrir a área com gaze e esparadrapo. São feita leituras do dano causado (ou da ausência de dano) à pele do animal 24 e 72 horas depois. O animal pode sofrer horrores com a pele inflamada, ferida e avermelhada, se o produto for danoso;
  • Teste de irritação cutânea cumulativa: depois da raspagem da pele do animal, o procedimento de ranhura e aplicação do produto é repetido ao longo de dez dias consecutivos, podendo multiplicar e prolongar ainda mais o sofrimento do animal;
  • Ensaio de sensibilização: consiste em manter contato entre a pele do animal e um patch oclusivo contendo uma pequena solução contendo o produto ou ingrediente em teste, e implica a injeção de uma substância conhecida como adjuvante completo de Freund. Segundo esse documento, o uso do adjuvante “pode ser perigoso, devido aos seus efeitos colaterais: dor, febre, nódulos, eritema, necrose e abscesso”. O teste verifica se há ou não reação imunológica do corpo da cobaia à substância;

esse artigo de Chorilli e colaboradores, de 2009, lista diversos outros testes de extrema crueldade realizados em cosméticos não veganos, entre eles:

  • Teste de irritação ocular, ou teste Draize: Realizado em coelhos albinos parcialmente imobilizados, avalia os efeitos irritativos do produto ou ingrediente nas diversas partes do olho do animal (como a conjuntiva, a íris e a córnea). Um décimo de mililitro do produto ou ingrediente testado é pingado em um dos olhos de cada coelho, e o olho não é lavado. O coelho não pode coçá-lo, já que está imobilizado, e assim é forçado a sofrer intensamente com o seu olho sendo corroído. São feitas diversas avaliações nas horas e dias seguintes. A persistência de reações “positivas”, em que de fato houve a irritação ocular, leva à repetição da experiência por vários dias em animais diferentes. Danos muito severos no olho do animal podem acontecer por causa desse teste, como hemorragia ocular, falta de reação da íris à luz, vermelhidão severa, inchaço na região das pálpebras e até corrosão total do olho e consequente cegueira;
  • Ensaio de fototoxicidade: Feito em camundongos sem pelo, coelhos, porcos ou porquinhos-da-índia, verifica o quanto uma área da pele, onde a substância sob teste foi pingada, se torna sensível à luz visível ou aos raios ultravioletas. Em caso de reação “positiva”, a pele ficará queimada e descamada;
  • Ensaio de toxicidade: Verifica se o produto ou ingrediente tem um potencial de destruir células do corpo. Se classifica em dois tipos de teste: o DL50 (Dose Letal para 50% dos animais), que, realizado em ratos ou outros animais, verifica qual dosagem do produto é suficiente para causar a morte de metade dos animais – dose que tende a causar sofrimento intenso aos sobreviventes antes de serem sacrificados –, aplicando a substância sob teste nos animais por entubação gástrica; e o teste de toxicidade percutânea, que aplica a substância na pele de coelhos e a mantém ali por 24 horas seguidas. Em ambos os testes, nos 14 dias seguintes, são registrados os dados sobre o potencial de toxicidade e mortalidade da substância. Ao fim do prazo do teste de toxicidade percutânea, os pesquisadores examinam os danos causados aos órgãos internos dos coelhos, tenham eles morrido por causa da dose letal ou por sacrifício.

[Dados obtidos do meu livro Direitos Animais e veganismo: consciência com esperança]

Por que esses testes absurdos acontecem

Uso de animais em pesquisa

Ao tomar conhecimento de toda essa bizarrice, você talvez se pergunte: por que isso tudo acontece, de forma tão normal e impune?

A resposta pode ser resumida numa palavra: especismo, a famigerada crença de que os animais não humanos são “inferiores” aos humanos e que temos o direito de fazer com eles o que bem entendermos – mesmo as mais atrozes violências.

É por causa da desigualdade moral imposta aos animais que eles são vítimas dos mais violentos testes de segurança. E pior: são todos abatidos e descartados como lixo no final dos testes, já que, tecnicamente falando, é inviável que cada animal passe por mais de um teste.

O que fazer diante de toda essa crueldade

Diante dessas informações, você se pergunta: “O que posso fazer diante dessas atrocidades?”.

A resposta não é difícil: comece a boicotar empresas que realizam testes em animais e relutam em abolir esse tipo de prática.

De preferência, entre em contato com os SACs das empresas boicotadas dizendo que você não consumirá mais nada delas enquanto não pararem de testar seus produtos e ingredientes em cobaias.

E substitua seus produtos por itens veganos fabricados por empresas que nunca testaram ou deixaram de testar ou subsidiar testes de seus produtos e ingredientes em animais.

Para isso, você vai precisar consultar listas de empresas que testam ou não testam em cobaias, entre elas:

Conclusão

Ajude a libertar mais seres sencientes sendo mais do que vegetariano: tornando-se vegano e boicotando também empresas envolvidas com os cruéis e famigerados testes em animais.

Com isso você estará obrigando cada vez mais empresas a adotarem o respeito pleno aos animais não humanos em suas políticas institucionais.

E estará ajudando a demolir, pouco a pouco, a cultura do especismo e da exploração animal.

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