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Para converter pescadores em ex-pescadores e fazê-los parar de matar animais, precisamos ajudá-los a se capacitar a trabalhos éticos e encontrá-los de fato

O veganismo se opõe a toda e qualquer forma de usar animais como fontes vivas ou mortas de alimento, e isso inclui logicamente ser contra a pesca e querer sua extinção. Considerando que grande parte da atividade econômica pesqueira no Brasil e no restante do mundo é artesanal e de pequena escala, realizada por pescadores materialmente pobres, o ativismo vegano-abolicionista tem um grande desafio social para com eles.

Parte de nós, além de se encarregar do esforço de conscientizá-los para respeitarem de verdade os animais e abandonarem a pesca como meio de sustento, terá de assumir um segundo objetivo, cedo ou tarde. É o de ajudá-los a encontrar fontes de renda melhores e mais éticas e se capacitar para assumi-las.

Não convém deixá-los ao Deus-dará, sem um trabalho que substitua a matança de animais aquáticos. Eles não aceitarão abandonar anos ou décadas de pescarias, sua única forma de ganhar dinheiro até o momento, sem que haja garantidas uma ou mais alternativas às quais poderão recorrer para não passar fome. Não admitirão aderir a um paradigma moral que não os reconheça e inclua como seres humanos que querem viver bem e têm o direito a um trabalho digno.

Muitos deles provavelmente não têm outra habilidade profissional além de pescar. Por isso, o movimento vegano-abolicionista precisará arranjar parcerias com ONGs ambientalistas e empresas de educação profissional.

Tal associação visará fornecer a esses trabalhadores cursos de capacitação gratuitos, para que possam assumir trabalhos compatíveis com o meio ambiente local, como o extrativismo sustentável, o artesanato, o comércio ou o trabalho numa indústria próxima com responsabilidade social e ambiental comprovada. Só assim terão uma renda decente viabilizadora de uma vida de condições razoáveis, sem que dependam financeiramente da agonia e morte de milhões de animais.

Libertação animal e libertação humana andam juntas – ou melhor, são uma só grande e múltipla libertação. E isso incluirá libertar os pescadores de sua atual dependência econômica de capturar e matar animais aquáticos. Por isso, para livrá-los disso e garantir aos peixes, crustáceos e moluscos que não serão objetificados e assassinados por humanos, a nossa assistência para que os futuros ex-pescadores consigam novas habilidades de trabalho e novos empregos é mais que necessária.

5 comments

    1. Ou seja, o veganismo não deve libertar os seres humanos da dependência econômica da exploração animal, nem se importar que os ex-pescadores passem fome, é isso?
      Se sim, parabéns por defender um veganismo fadado ao fracasso. -sqn

    1. Essa é uma proposta interessante, mas temo que se o governo fizer isso é ceder ao Lobby ruralista, não vai oferecer opções veganas e elas seriam consideradas gourmets e mais elitizadas ainda.

  1. Gente. Vocês percebem que o Estado está pouco se lascando para providenciar as nossas necessidades básicas, e ainda esperam que o governo tome as dores dos pescadores? Falta-lhes uma noção de que não interessa ao Estado apoiar nada que seja contra o sistema que ele serve, que não vai importar à seus dirigentes se de repente os pescadores se conscientizarem que os animais não devem ser explorados e que então eles precisarão de outra fonte de renda, eles vão é retrucar “ninguém mandou parar de pescar”. É isso que vocês querem, sério? Falta principalmente empatia, uma empatia que vá além da compaixão pelo boi, galinha, vaca, porcos e peixes. Porque esse veganismo que prefere manter o status quo à lutar por uma verdadeira mudança social, porque não quer se meter nos assuntos relacionados aos humanos, não ajuda e m n a d a os animais.

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