Veganismo interseccional, libertação animal e política

Afinal de contas, o que é o veganismo interseccional?

O que essa forma de veganismo, que causa tantas polêmicas em discussões sobre política e questões de minorias no veganismo, defende para os animais não humanos e os humanos?

Você vai saber disso neste artigo rápido, que traz o básico sobre essa forma de veganismo.

O que é o veganismo interseccional?

Nesse artigo eu defino, na ausência de uma definição oficial, o veganismo interseccional (VI) como uma versão amadurecida de veganismo que reconhece os inquebráveis elos entre o modo de vida vegano, a luta pelos direitos dos animais não humanos e as lutas pela libertação dos seres humanos, em especial das minorias políticas (mulheres, pessoas negras, pessoas pobres, LGBTs, pessoas com deficiência e neurodiversas, imigrantes e pessoas refugiadas, minorias religiosas e irreligiosas etc.).

O que ele defende?

O VI defende, basicamente, que a defesa dos Direitos Animais leve em consideração as particularidades de cada minoria política na divulgação do modo de vida vegano e dos Direitos Animais, e que o veganismo seja, de fato, social e economicamente inclusivo, não algo fadado ao elitismo e à seletividade discriminatória de públicos.

Entre as suas implicações práticas, estão questões como:

  • Como lidar com os sacrifícios de animais em religiões de matriz africana: ao invés de leis de repressão, defende um diálogo inter e intracultural que induza uma reforma religiosa para substituir o sacrifício animal por outras formas de ritual;
  • Como e para quem divulgar o veganismo: o VI é contra a divulgação preferencial para brancos jovens de classe média e advoga por uma conscientização mais focada em comunidades pobres e sensível às diferenças de raça, etnia, gênero etc.;
  • Que ideologias são mais compatíveis com a defesa do veganismo libertacionista: o VI acredita que o capitalismo neoliberal possui diversos pontos de incompatibilidade com a lógica ética vegana e defende uma abordagem mais de esquerda, emancipacionista;
  • Aliar-se com outros movimentos sociais: defende enfaticamente que a causa animal busque a aliança de movimentos sociais voltados para os humanos e o meio ambiente, como os de minorias políticas, os de trabalhadores, os ambientalistas etc., e leve em consideração os muitos pontos em que a exploração animal combina com a violência contra humanos;
  • Atitudes antiéticas dentro do movimento vegano-animalista: o VI defende que a ética vegana seja levada a sério em todas as esferas da vida humana, não só em se tratando do respeito aos animais não humanos. Portanto, se opõe a discursos de ódio, manifestações de reacionarismo político, discursos antidemocráticos etc.

Conclusão

O veganismo interseccional é, essencialmente, um veganismo mais democrático, libertário (não confundir com o “libertarianismo” defensor do livre mercado) e socialmente preocupado.

Coloca-se contra os diversos problemas de seletividade de público-alvo, despreocupação com questões sociais e éticas, oposição a movimentos sociais etc.

Em outras palavras, é um veganismo que leva a ética vegana ainda mais a sério e tende a libertar muito mais seres sencientes do que o não interseccional.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*
*