Como o veganismo está construindo um mundo melhor, e por que a hora é essa de você participar dessa transformação global

Eu crio um mundo melhor

Imagem: Raphael Gouvea Monteiro

O veganismo está se espalhando aceleradamente pelo mundo.

E, ao contrário do que se acredita por aí, não é uma moda. Ele veio para ficar.

Ou melhor, veio para mudar o mundo, torná-lo um lugar muito mais sadio, sustentável e pacífico.

O mais bacana de tudo isso é que, se você entrar nessa, esse mundo melhor vai se tornar um sonho cada vez mais próximo de se realizar, e você viverá esse bem muito mais cedo do que imagina.

Neste artigo, te convido a saber as consequências, para os animais, o meio ambiente e os seres humanos, da massificação do veganismo. Saiba como esse modo de vida cumpre sua linda missão de varrer a violência contra os animais do planeta e, por tabela, engrandecer a dignidade e o bem-estar também dos seres humanos – incluindo você.

 

O mundo vegano como ele será

Um mundo vegano

Um mundo vegano… Imagem: canal Symbiotic Solutions

O mundo com o qual nós vegans [1] sonhamos é um mundo em que:

  • Cada vez menos animais serão vítimas das violências humanas, até que o especismo seja abolido de todo o planeta e os atos evitáveis de matar ou ferir animais se tornem casos extremamente raros e isolados;
  • A pecuária, a pesca e outras atividades de exploração animal, diminuindo imensamente até deixarem de existir, pararão de causar estragos ao meio ambiente. E a maior parte da destruição, senão toda, que promoveram ao longo dos últimos milênios – com mais força nos últimos 100 anos – será revertida;
  • A espécie humana demandará muito menos das terras agriculturáveis do que hoje, mesmo com uma população alguns bilhões de pessoas maior do que a atual;
  • Milhões de seres humanos terão suas vidas literalmente salvas por diversos motivos, principalmente pela prevenção ou tratamento de doenças causadas por alimentos de origem animal;
  • As violências causadas contra seres humanos em função da exploração animal e da moral especista também diminuirão até serem abolidas, o que influenciará também que haja cada vez menos violência, intolerância e desigualdades entre os próprios seres humanos;
  • Os movimentos sociais se tornarão ainda mais coerentes e fortes na defesa de um mundo sem hierarquias morais, violência, injustiças, desigualdades sociais e discriminação.

Em resumo, será um mundo muito mais delicioso de se viver, onde você e as pessoas que você ama terão muito mais chances de viver longevamente, curtindo as delícias de um meio ambiente cada vez mais restaurado e uma sociedade mais pacata, empática e fraterna.

Saiba, logo a seguir, o que comprova que nosso mundo será mais maravilhoso se você nos ajudar a construir esse futuro dos sonhos.

 

Diminuição progressiva da exploração e morte violenta de animais por seres humanos

Mar com muitos peixes

Um mundo vegano terá oceanos cheios de vida, poupada da morte por pescadores. Foto: Junko Kimura

Há boas evidências de que um mundo com cada vez mais vegans é um mundo em que cada vez menos animais são tratados como objetos e morrem violentamente nas mãos dos humanos.

Uma delas é o artigo [2] do site Counting Animals intitulado How many animals does a vegetarian save? (Quantos animais um vegetariano [3] salva?). Por meio de uma pesquisa, ele nos revela que só a eliminação do consumo de carne da alimentação já faz o indivíduo salvar da morte, ou evitar que nasçam para uma vida de miséria e exploração, entre 371 e 582 animais por ano.

O melhor de tudo é que, conforme um dos comentários ao artigo [4] revelou e eu acrescento com mais informações, esse número não inclui:

  • Vacas, cabras, ovelhas e outras mamíferas “leiteiras”, galinhas, codornas, patas e outras aves fêmeas “poedeiras” mortas por terem passado da “vida útil”, tido “baixa produtividade” ou sofrido outros problemas que as impediam de “fornecer” tanto leite e ovos quanto seus criadores desejavam;
  • Bezerros filhos de vacas “leiteiras”, abatidos para “fornecer” carne de vitela ou descartados;
  • Abelhas mortas por apicultores durante a coleta do mel e de outras matérias-primas das colmeias;
  • Animais letalmente eliminados das criações por não terem serventia para os pecuaristas, como pintinhos machos, animais muito doentes, filhotes que nasceram fracos ou com deficiência etc.;
  • Animais que morrem incidentalmente nas fazendas, granjas e confinamentos intensivos, por motivos como ferimentos em brigas, convulsões severas e infecções graves;
  • Animais que morrem durante o transporte para o abatedouro;
  • Animais abatidos descartados do matadouro, por motivos como carne deteriorada e presença de tumores, ou que morrem no estabelecimento antes mesmo da insensibilização;
  • Animais selvagens mortos pela destruição do seu habitat pela expansão de pastos e de plantações de forragem animal;
  • Animais selvagens mortos pela poluição e pelas doenças transmitidas por animais “de produção”;
  • Animais mortos pelos agrotóxicos usados nas plantações de forragem animal, ou durante a colheita dos alimentos que vão alimentar rebanhos;
  • Animais mortos para produção de pele, incluindo aqueles cuja exploração é voltada exclusivamente para esse tipo de matéria-prima;
  • Insetos explorados para obtenção de matérias-primas, como bichos-da-seda e cochonilhas;
  • Animais “de pesquisa” mortos em laboratórios científicos e centros de testes de produtos;
  • Cães e gatos que morrem em canis, gatis e “fábricas de filhotes”;
  • Cães e gatos abandonados por tutores especistas e que morrem na rua;
  • Animais que nascem apenas para serem usados como meios de transporte por montaria ou tração de carroças e carruagens e morrem depois de alguns anos de exploração, como bois, cavalos, burros, jumentos e elefantes;
  • Animais silvestres que morrem nas mãos de traficantes, os quais, por sua vez, vendem os sobreviventes para pessoas não veganas;
  • Animais caçados no meio selvagem para fins de consumo;
  • Animais mortos por ocasião de rodeios, vaquejadas, touradas, rinhas, circos especistas e outros entretenimentos que os exploram até a morte;
  • Aves domesticadas aprisionadas em gaiolas;
  • Entre outros.

Em outras palavras, é muito provável que cada vegan salve quatro ou cinco dígitos de animais por ano, por ter um hábito de consumo que dispensa a violência da exploração animal.

Também é relevante notar que o mundo vegano terá bilhões de animais não humanos a menos do que o atual. Afinal, a cada ano são dezenas ou centenas de bilhões os seres sencientes que, em todo o planeta, são dados à luz exclusivamente para serem explorados para fins como consumo, entretenimento, vestuário, pesquisas científicas, testes industriais e comercialização como pets.

Nenhum deles “precisará” mais nascer depois que o especismo for extinto no mundo. E a não existência de bilhões de animais representará um imenso alívio para a biosfera terrestre, como você pode ler a seguir.

 

Alívio e reversão da devastação ambiental e muito mais segurança alimentar

Reflorestamento em Manaus

Reflorestamento em Manaus. Foto: Marcio James

Esse futuro sem pecuária, pesca, aquicultura e apicultura será, com toda certeza, um mundo mais verde, sustentável, sadio e regenerado. Nessa realidade vindoura pela qual lutamos, será possível, mais do que nunca, reverter a maior parte dos estragos causados pelas atividades econômicas de exploração animal.

Além disso, uma agricultura livre da pressão da pecuária terá muito mais condições de alimentar com segurança toda a humanidade, já que conseguirá dar conta do crescimento da população humana nas próximas décadas. [5]

Isso é atestado por várias pesquisas. Dou alguns exemplos notáveis:

  • Um artigo publicado no periódico Nature [6] revela que um mundo vegano em 2050, com mais de 10 bilhões de humanos, terá menos necessidade de terras do que toda a população mundial do ano 2000, que era de pouco mais de 6 bilhões. Em contraste, um mundo em que a maioria da população coma muita carne precisará de 50% mais terras agrícolas, incluindo pastos, do que já demanda hoje, o que será simplesmente insuportável para o planeta e a própria humanidade;
  • A ambientalista Laura Kehoe [7], ao descrever essa mesma pesquisa, atestou que essa redução da demanda agrícola ao longo de mais de 30 anos permitirá o reflorestamento de uma área total de ecossistemas maior do que a extensão internacional original da Floresta Amazônica, a maior floresta tropical do planeta;
  • Outro estudo [8] revela que o mundo só poderá ser salvo de um aumento de 2ᵒC da temperatura média global em comparação aos níveis pré-industriais, até 2070, se a produção e consumo de alimentos de origem animal for substancialmente diminuída. Ou seja, mesmo que a produção de energia suja diminua bastante e haja a eliminação de grande parte da emissão de gases-estufa pela indústria e pelos meios de transporte no mundo todo, nada disso vai adiantar se a pecuária continuar crescendo – e, no meio disso tudo, você continuar consumindo produtos de origem animal.

 

Uma humanidade com mais vida e saúde

Coração cheio de vitalidade vegetal

Imagem: autoria desconhecida

Também tem sido comprovado, por meio de estudos científicos, que o mundo vegano do qual tanto falo aqui também tem seres humanos com muito mais saúde, bem-estar e felicidade, e bem menos mortes por doenças evitáveis.

Como exemplo, uma pesquisa de Marco Springmann e colaboradores [9] afirma que o veganismo e o vegetarianismo poderão, até 2050, evitar a morte de 8,1 milhões de humanos por problemas de saúde e fazer com que os meses ou anos que cada ser humano vai viver a mais graças à saúde preservada somem um total de 129 milhões de anos.

Some-se a esses impressionantes números a quantidade, ainda não especificada, de seres humanos que serão salvos de morrer:

  • De doenças infecciosas transmitidas pelos alimentos de origem animal, desde as verminoses ao consumir carne contaminada até as epidemias de doenças causadas por bactérias resistentes a antibióticos;
  • Das catástrofes ambientais causadas por um aumento de mais de 2ᵒC na temperatura média global em comparação com os níveis pré-industriais;
  • Da poluição aquática causada pelo despejo de resíduos líquidos da pecuária e da aquicultura, através, por exemplo, do consumo de água contaminada;
  • De acidentes em abatedouros, frigoríficos e caminhões de “carga viva”;
  • Da fome agravada pela concentração de terras nas mãos de pecuaristas e de latifundiários de forragem animal e pela má distribuição da produção agrícola no mundo;
  • Da violência no campo – incluindo genocídios indígenas – protagonizada por pecuaristas;
  • De infecção hospitalar por terem sido internados, sofrendo de doenças causadas pelo consumo de alimentos de origem animal, em hospitais mal higienizados;
  • Entre outras causas.

Nesse espetáculo de vidas salvas, considerando-se só os internamentos e mortes por doenças como câncer, infarto, AVC e diabetes tipo 2 que o vegetarianismo e o veganismo evitarão, as economias nacionais do mundo – incluindo os indivíduos, as empresas e os governos – economizarão, no total, entre 700 bilhões e 1 trilhão de dólares por ano em despesas com tratamentos de saúde e perda de dias de trabalho. [10]

Ou seja, não é sensacionalista dizer que um dos incontáveis animais que você poupará de sofrimento e morte aderindo ao veganismo será você próprio(a). [11]

 

Mais justiça social e menos violência e poderes políticos e econômicos abusivos

Veganismo é uma questão de justiça social

Veganismo é uma questão de justiça social. Imagem: Blog Vegan Publishers

Em se tratando da redenção social e política dos seres humanos, no mundo vegano vivenciaremos duas grandes mudanças.

A primeira delas é a consolidação de uma forte parceria entre os Direitos Animais e os movimentos sociais defensores da libertação humana, relação essa que representará fortalecimento e amadurecimento para ambos os lados.

Considerando que cada vez mais ativistas negros, LGBTs, feministas, ambientalistas, trabalhadores urbanos e rurais organizados e demais defensores dos Direitos Humanos abracem o veganismo, eles estarão engrandecendo os ideais comuns a todos esses movimentos: a igualdade moral e a abolição de todo e qualquer autoritarismo e injustiça.

Já os veganos defensores dos Direitos Animais terão um reforço muito poderoso dos membros desses movimentos, à medida que eles se juntem ao veganismo e percebam que as raízes morais da exploração animal são as mesmas das injustiças humanas: a desigualdade moral, as relações de dominação e a cultura de violência.

 

A hora é essa

Nós podemos mudar o mundo

Imagem: Divulgação

Os animais, o planeta e milhões de seres humanos estão pedindo um socorro urgente, por estarem sendo esmagados pela economia da exploração animal. O veganismo dá a você a chance de nos ajudar a salvar todos esses seres, ou pelo menos poupar bilhões deles, a cada ano, de nascer para uma vida infeliz.

Você não poderá salvar e mudar o mundo sozinho(a). Mas pode fazê-lo junto a milhões e, num futuro próximo, bilhões de outros seres humanos, engajados coletivamente na luta para preservar a vida no planeta e desmontar a cultura de violência e as hierarquias morais que tanto sofrimento causam.

O melhor disso, individualmente falando, é que você só tem a ganhar [12] quando aceita tomar parte nessa luta:

  • Melhora sua saúde, seu bem-estar, sua disposição e seu humor;
  • Torna sua consciência muito mais leve;
  • Livra você de ter que se justificar e tentar defender o indefensável em conversas sobre violência contra os animais e degradação ambiental;
  • E constrói um futuro melhor no qual você viverá gostosamente.

Por maneiras distintas, mas interligadas, muitos seres humanos estão batalhando para que este mundo seja um lugar mais saudável, sustentável, gostoso, pacífico e livre. A hora é essa de você pensar, com carinho, em participar dessa luta, que só tem bons frutos a lhe render.

Você perceberá o prazer e a delícia que é ajudar o mundo a melhorar enquanto, simultaneamente, você mesmo(a) também muda.

 

Referências e notas

[1] Considero apenas os veganos que realmente seguem a ética vegana para todos os seres sencientes, repudiando e combatendo violências e injustiças tanto contra animais não humanos como contra humanos. Sobre aqueles que, apesar de terem um consumo vegano, desprezam os Direitos Humanos, dedicam preconceito e intolerância às minorias políticas humanas e não têm empatia por quem pertence a elas, recomendo a você o texto Veganismo sem a ética vegana: conheça o “veganismo anti-humanista” e o que ele defende.

[2] http://www.countinganimals.com/how-many-animals-does-a-vegetarian-save/ (em inglês) (acessado em 08/02/2017)

[3] Note-se que o artigo do Counting Animals considera “vegetarianas” aquelas pessoas que simplesmente não comem carne, independente de consumirem ou não laticínios, ovos, derivados de abelhas e produtos com corante carmim de cochonilha. Uma pessoa realmente vegetariana, que repudia todo e qualquer alimento de origem animal, salvará um número muito maior, ainda não contabilizado, do que aquele artigo mostra.

[4] Comentário cujo(a) autor(a) se identifica como B.A., de 07/02/2012 às 16h26 (Feb. 7, 2012, 4:16 p.m.) (em inglês)

[5] Isso dependerá também de outras mudanças, como a reforma agrária, melhorias na distribuição dos alimentos e desenvolvimento de métodos para evitar e combater desperdício alimentar. Leia mais sobre isso no artigo Por que achar que a fome no mundo pode acabar “se você se tornar vegan” é uma crença ingênua.

[6] http://www.nature.com/articles/ncomms11382 (em inglês) (acessado em 07/02/2017)

[7] https://theconversation.com/can-we-feed-the-world-and-stop-deforestation-depends-whats-for-dinner-58091 (em inglês) (acessado em 07/02/2017)

[8] http://link.springer.com/article/10.1007/s10584-014-1104-5/fulltext.html (em inglês) (acessado em 08/02/2017)

[9] http://www.pnas.org/content/113/15/4146.full (em inglês) (acessado em 08/02/2017)

[10] https://theconversation.com/going-veggie-would-cut-global-food-emissions-by-two-thirds-and-save-millions-of-lives-new-study-56655 (em inglês) (acessado em 08/02/2017)

[11] Para mais informações, leia os dois primeiros benefícios individuais de se tornar vegan no artigo 10 bens impressionantes que o veganismo fará para você

[12] V. o mesmo artigo

 

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Robson Fernando de Souza

Autor dos blogs Consciencia.blog.br e Veganagente e do livro Veganismo: as muitas razões para uma vida mais ética. Formado em Licenciatura em Ciências Sociais (UFPE, 2016) e Tecnologia em Gestão Ambiental (IFPE, 2008). Adora Sociologia, meio ambiente, Direitos Animais & Veganismo e autoajuda.
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