Você não precisa amar os animais para ser vegan. Basta respeitá-los e querer que vivam livres e em paz

Você não precisa dedicar aquele amor de abraçar e querer viver junto para ser contra a exploração animal. Basta respeitá-los e aceitar que tenham direitos fundamentais

Você não precisa dedicar aquele amor de abraçar e querer viver junto para ser contra a exploração animal. Basta respeitá-los e aceitar que tenham direitos fundamentais

É comum hoje pensarem o veganismo e os Direitos Animais como uma relação de amor e afeto, vindos dos seres humanos para os animais não humanos, nem sempre uma posição racional de respeito aos seus interesses e desejos individuais. Isso pode confundir muitas pessoas interessadas em se tornar veganas. Então, para o bem da verdade, precisa-se deixar claro: não é obrigatório amar os animais para ser vegan.

O vegano-abolicionismo não é necessariamente baseado em sentimentos positivos de nossa parte para com os animais não humanos. Mas sim em ética, em respeito, na alteridade de saber que eles, assim como nós, também querem viver, ser livres e continuar inteiros e sadios.

Essa é a mesma base na qual se sustenta o nosso respeito aos direitos e liberdades de outros seres humanos, desde que respeitem limites e não violem os direitos e liberdades de outrem. Não precisamos, por exemplo, amar – no sentido afetivo – os habitantes do Azerbaijão, os europeus, os indígenas ou nossos vizinhos para saber que eles merecem viver bem e em paz e usufruir de direitos fundamentais tanto quanto nós.

Nesse caso, basta o amor em seu sentido bíblico – o respeito, a tolerância (no bom sentido), o bem-querer, a alteridade, a empatia –, mais ético-moral que emocional. Não precisa ser similar ao afeto que damos a nossos pais, nossos namorados e cônjuges e nossos amigos mais próximos. Basta o amor que pode ser traduzido filosoficamente em consideração ético-moral.

Isso se aplica também aos animais não humanos. Não precisamos dedicar ao porco que vive aprisionado numa fazenda industrial, à galinha “poedeira” que é forçada a pôr ovos diariamente numa granja, ao peixe que o pescador está prestes a matar, às abelhas cujas riquezas o apicultor vai roubar, o amor que temos pelos cachorros e gatos que tutelamos em nossos lares. Nem a admiração que costumamos prestar aos mamíferos e aves selvagens e aos peixes mais belos. Basta que saibamos e aceitemos que eles gostariam de ser livres e viver o máximo possível, e que serem vítimas da pecuária, pesca e apicultura não lhes é desejável.

É esse respeito, aliás, que no final das contas fará a diferença para os animais, e não a tentativa de amá-los. É o que vai fazer com que evitemos para sempre o consumo de produtos não veganos boicotáveis e lutemos em prol da libertação animal.

Sejamos claros e diretos quando falarmos de veganismo a quem não o conhece muito bem ainda: não é preciso o indivíduo dedicar pleno e apaixonado amor aos animais não humanos para se tornar vegano. Basta respeitá-los plenamente, com consideração ética e aceitação de seu direito de viver livre do atributo de propriedade de seres humanos.

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Robson Fernando de Souza

Autor dos blogs Consciencia.blog.br e Veganagente e do livro Veganismo: as muitas razões para uma vida mais ética. Formado em Licenciatura em Ciências Sociais (UFPE, 2016) e Tecnologia em Gestão Ambiental (IFPE, 2008). Adora Sociologia, meio ambiente, Direitos Animais & Veganismo e autoajuda.
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